O caso também expõe a fragilidade da trégua diplomática entre as duas maiores economias do mundo. A ampliação da lista aconteceu poucas semanas depois de uma cúpula entre o então presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, que tentava justamente apaziguar as tensões bilaterais .
A defesa da Alibaba:
A empresa alega ser uma empresa privada e comercial, sem qualquer vínculo com o Exército de Libertação Popular da China. Em sua petição, a Alibaba argumenta que o Pentágono não seguiu os procedimentos legais adequados e que a classificação é 'um ato arbitrário e caprichoso', que prejudica seus negócios e sua reputação .
O argumento do Pentágono:
A justificativa americana é que, ao cumprir as leis chinesas de segurança nacional e de dados, a Alibaba se torna, de fato, um instrumento da estratégia de 'fusão civil-militar' de Pequim . Para os EUA, qualquer empresa que opere sob a égide do Partido Comunista Chinês pode, potencialmente, auxiliar os militares do país.
A explosão da lista:
No dia 8 de junho, o Pentágono atualizou a lista Section 1260H, expandindo o número de entidades chinesas de 134 (em janeiro de 2025) para 188 . Além da Alibaba, nomes de peso como a fabricante de veículos elétricos BYD, o buscador Baidu, a NIO, a Unitree Robotics (de robôs) e a WuXi AppTec (farmacêutica) foram adicionados
.
O que muda na prática?
A partir de 30 de junho, o Pentágono está proibido de comprar diretamente qualquer produto ou serviço dessas empresas . A lista, por si só, não impõe um banimento automático de investimentos americanos na China, mas especialistas em direito alertam que ela cria um enorme risco reputacional e abre caminho para futuras restrições a investimentos dos EUA
.
Pequim não ficou de braços cruzados. No dia 22 de junho, a China respondeu com uma enxurrada de sanções :
Foi a retaliação mais ampla da China contra a lista do Pentágono, mirando diretamente na cadeia de suprimentos de defesa dos EUA .
Diferente do susto de fevereiro, quando a inclusão da Alibaba na lista (que depois foi retirada) derrubou as ações da empresa em mais de 3% na Bolsa de Hong Kong , a reação do mercado agora foi bem mais modesta. As ações da Alibaba negociadas em Nova York (BABA) caíram apenas 0,30% no dia da ação judicial
.
A leitura dos analistas é que a inclusão na lista de junho já havia sido 'precificada' pelo mercado nas semanas anteriores, e que o próprio processo judicial é visto como um desafio processual, e não como uma escalada súbita . No entanto, o alerta é claro: 'O risco de futuras restrições a investimentos dos EUA é real e pode pesar na avaliação da Alibaba no longo prazo', dizem analistas citados pela imprensa
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