O grande impacto da política MFN está no como o medicamento chegará aos pacientes europeus. O CEO da Lilly, David Ricks, afirmou que a empresa ainda buscará reembolso público pelos governos europeus, mas a via principal de lançamento será por meio de plataformas de telemedicina privadas, onde o paciente paga diretamente pelo tratamento . É o mesmo modelo de venda direta ao consumidor já utilizado nos EUA.
Essa mudança é drástica. Em vez de esperar meses ou anos por negociações de reembolso com os sistemas públicos de saúde, a Lilly planeja disponibilizar o remédio primeiro no mercado privado, um reflexo claro da pressão para não fixar preços europeus muito baixos, que seriam usados como referência para forçar uma redução ainda maior nos EUA.
Em agosto de 2025, a Eli Lilly elevou o preço de lista do Mounjaro (tirzepatida) no Reino Unido em até 170%: de £122 para £330 por mês para a dose mais alta . A empresa foi explícita ao justificar o aumento, afirmando que era uma resposta à pressão da administração Trump para baixar os preços nos Estados Unidos
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Essa ação de "rebalanceamento" de preços mostra o mecanismo em ação: aumentando os preços na Europa, a Lilly impede que os preços baixos europeus derrubem o piso de referência usado para calcular o preço nos EUA . O Foundayo, como um novo medicamento, será lançado sob a mesma lógica.
O efeito da política MFN não se limita à Lilly. Uma análise da GlobalData, publicada em março de 2026, revela que os lançamentos de novos medicamentos na Europa caíram cerca de 35% desde a ordem executiva . As empresas estão atrasando as introduções no continente, ou retirando produtos do mercado, para proteger suas margens e as referências de preço americanas
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Enquanto isso, a Alemanha, a maior economia europeia, está apertando o cerco. Em junho de 2026, o ministro da Saúde alemão declarou que as fabricantes de medicamentos "não serão isentas" das medidas de corte de custos . O país propôs uma nova legislação para limitar os gastos com medicamentos inovadores no sistema de saúde público
. Isso já está gerando consequências: a Boehringer Ingelheim, uma gigante alemã, suspendeu investimentos domésticos planejados de €900 milhões para 2027-2030, e a Eli Lilly também reduziu seus planos de investimento no país
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A política MFN dos EUA e os cortes de custos na Europa se combinam para criar uma "tempestade perfeita" que desincentiva o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no continente. Como as empresas podem obter preços mais altos nos EUA (mesmo com o MFN) e temem que preços europeus baixos canibalizem suas receitas globais, elas preferem focar seus recursos e lançamentos no mercado americano .
Enquanto a Comissão Europeia investiga formalmente os efeitos colaterais da política Trump sobre o acesso a medicamentos , o paciente europeu pode acabar enfrentando uma espera ainda maior por tratamentos inovadores ou, quando eles chegarem, não ter acesso pelo sistema público, mas sim como um serviço pago do próprio bolso
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