Esse aumento de oferta pressionou as cotações globais de laticínios para baixo. O Índice de Preços de Laticínios da FAO ficou em média 119,6 pontos em abril de 2026, uma queda de 1,1% em relação a março . Em maio de 2026, o Índice de Preços de Alimentos da FAO (FFPI) caiu ligeiramente 0,2%, para 130,8 pontos, com as quedas nos preços de óleos vegetais e laticínios sendo citadas como fatores de compensação importantes diante do aumento dos preços de cereais e açúcar
. O recorde neozelandês adicionou um amortecedor de oferta que limita as pressões específicas sobre os preços dos lácteos, mesmo com outras categorias de alimentos em alta.
O fechamento do Estreito de Ormuz elevou os preços do fertilizante ureia em 20% a 60%, aumentou os custos de combustível e transporte, e gerou alertas da FAO e da ONU sobre uma crise severa de preços de alimentos em 6 a 12 meses . O recorde de laticínios da Nova Zelândia atua como um amortecedor parcial — ele não consegue reverter os picos de custos energéticos nas cadeias de grãos e oleaginosas, mas faz com que uma grande categoria de alimentos (laticínios) experimente quedas de preço em vez de aumentos, o que modera o índice geral da FAO.
O índice geral da FAO saltou de 123,9 pontos em janeiro para 130,8 em maio de 2026, impulsionado principalmente pelos preços mais altos de cereais e óleos vegetais, ligados ao choque energético de Ormuz . No entanto, o subíndice de laticínios em queda subtraiu consistentemente do ganho geral, tanto em abril quanto em maio
. Sem o aumento da oferta da Nova Zelândia, o índice da FAO provavelmente teria subido ainda mais.
A própria FAO atribuiu repetidamente as altas do índice de março a abril aos custos de energia e à escalada do conflito, não aos laticínios . A tendência do subíndice de laticínios é a exceção, e não o motor da história mais ampla da inflação de alimentos.
Em 18 de junho de 2026, o Citigroup atrasou em um mês sua expectativa para o primeiro corte de juros do Federal Reserve (Fed), agora mirando outubro de 2026, com cortes subsequentes em dezembro de 2026 e janeiro de 2027 — totalizando 75 pontos-base de afrouxamento . A revisão foi motivada por uma postura mais agressiva (hawkish) do Fed sob a nova presidência de Kevin Warsh, e não pelos dados de preços de alimentos
.
O Citi já havia adiado a previsão de junho para setembro (em abril de 2026) e, posteriormente, de setembro para outubro (em 18 de junho) . Em 5 de junho, o banco ainda previa três cortes começando em setembro, mas a guinada hawkish alterou o cronograma
.
Não há evidência direta de que as mudanças na previsão do Citi citem a produção de leite da Nova Zelândia ou os preços dos laticínios. Os fatores de atraso foram a força do mercado de trabalho dos EUA, a inflação central persistente e a comunicação agressiva do Fed . No entanto, o recorde de laticínios da Nova Zelândia reduz modestamente um componente da inflação global de alimentos — e, na medida em que ajuda a evitar surpresas altistas no IPC, reduz marginalmente a pressão por uma postura mais hawkish. O efeito é pequeno e indireto; a trajetória das taxas do Citi continua sendo impulsionada pelos dados domésticos dos EUA e pela postura do Fed, não pela oferta de laticínios.
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