| 2028 | 1,18 bilhão de unidades | +1% | Primeira previsão |
A queda de 10% prevista pelo Goldman para 2026 é mais conservadora que a projeção da IDC, de uma retração de 13,9% para 1,09 bilhão de unidades, o que marcaria o menor volume anual em mais de uma década . Já a Counterpoint Research projeta uma queda de 12,4%
. A variação entre os analistas reflete a incerteza sobre a rapidez com que as restrições de oferta de memória serão aliviadas.
O principal motor da revisão para baixo é uma escassez severa e prolongada de chips de memória — DRAM, NAND flash e memória de alta largura de banda (HBM) — causada pela demanda de data centers impulsionada por IA . O Goldman Sachs argumenta que esta não é uma disrupção de curta duração, mas um ciclo estrutural de alta que deve durar pelo menos até 2028
.
Os preços da memória dispararam. A TrendForce reportou que os preços de contrato de DRAM convencional saltaram de 90 a 95% trimestre a trimestre no primeiro trimestre de 2026, enquanto a NAND flash subiu de 55 a 60% . Para uma configuração popular de 8GB + 256GB, os preços de contrato no primeiro trimestre de 2026 quase triplicaram em relação ao mesmo período do ano anterior
. Como resultado, a memória agora representa de 30 a 40% do custo total de materiais de um smartphone, ante os históricos 10 a 15%
.
As consequências se espalham por todo o ecossistema de smartphones:
Maior declínio anual já registrado. A queda de 10% em 2026 seria a maior contração em um único ano na história do mercado de smartphones . Dados da IDC indicam que o mercado caminha para seu menor volume anual de embarques desde antes da era moderna dos smartphones
.
Preços mais altos para o consumidor. O preço médio de venda dos smartphones deve subir de 7 a 14% em 2026 . A Counterpoint Research estima um aumento de 6,9% no preço médio
, enquanto a IDC projeta um preço médio recorde de US$ 523
.
Consolidação do mercado. Espera-se que players menores, especialmente em mercados emergentes, saiam do mercado ou reduzam drasticamente a produção . A IDC notou uma "consolidação à medida que players menores saem, e fabricantes de dispositivos de baixo custo enfrentam quedas acentuadas em embarques devido a restrições de oferta e menor demanda em patamares de preço mais altos"
.
Apesar da contração generalizada, o Goldman Sachs espera que a composição dos produtos continue a migrar para dispositivos de ponta . Os celulares premium são mais resilientes porque:
O efeito mais dramático é sobre os smartphones de baixo custo, particularmente na Ásia. A cobertura da CNET no MWC 2026 noticiou que "a escassez de RAM pode acabar com os celulares baratos", já que os fabricantes não conseguem mais absorver os custos crescentes da memória sem precificar os dispositivos além do que os compradores de entrada podem pagar .
O TechWire Asia observou que os fabricantes de dispositivos na faixa de US$ 100 a US$ 150 enfrentam uma escolha impossível: aumentar significativamente os preços, remover recursos padrão ou sair completamente do mercado . A IDC alertou que o aumento dos custos dos componentes pode tornar o smartphone abaixo de US$ 100 "permanentemente inviável"
. Marcas asiáticas menores já começaram a reduzir a produção de modelos abaixo de US$ 150
.
O Goldman Sachs prevê uma recuperação lenta. Após a queda de 10% em 2026, espera-se que os embarques cresçam apenas 3% em 2027 e 1% em 2028, chegando a 1,18 bilhão de unidades . A visão do banco de que os desequilíbrios entre oferta e demanda de memória persistirão pelo menos até 2028 sugere que as pressões sobre os preços no mercado de smartphones são provavelmente estruturais, e não cíclicas
.
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