O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, cancelou uma visita de dois dias a Washington (prevista para 21 e 22 de junho) como resposta direta às declarações de Trump. Tajani classificou as falas como "graves e ofensivas" para Meloni e para toda a Itália .
A briga pela foto não foi um incidente isolado, mas o ápice de semanas de tensão entre os dois líderes. A rusga anterior vinha da pressão de Trump para que a Itália se juntasse militarmente aos EUA na guerra contra o Irã — posição que Meloni resistiu em aceitar . A imprensa italiana noticiou que Trump havia pressionado pelo uso da base militar de Sigonella, pedido que Roma negou
.
Houve ainda um outro atrito, envolvendo o Papa Leão XIV , que adicionou mais uma camada de tensão a uma relação que, até então, vinha sendo notavelmente cordial.
Na cúpula do G7, realizada entre 14 e 16 de junho em Évian-les-Bains, na França, os dois líderes tiveram uma breve "reunião de esclarecimento" no dia 16. Fontes do governo italiano descreveram o encontro como útil para "arejar as ideias" e "esclarecer os mal-entendidos" . Num momento mais leve, capturado pelas câmeras da Reuters, Meloni disse a Trump: "Sempre fomos amigos", enquanto o presidente do Conselho Europeu, António Costa, brincou: "Vocês são amigos novamente"
.
Apesar desses esforços, a entrevista de Trump após a cúpula reacendeu a rivalidade e levou ao cancelamento diplomático, mostrando como a trégua foi frágil.
O cancelamento da visita de Tajani a Washington representa uma ruptura pública significativa entre dois líderes que até pouco tempo atrás tinham forte sintonia pessoal e alinhamento ideológico. Para Meloni, o incidente arrisca prejudicar sua imagem tanto internamente — como líder que impõe respeito no cenário mundial — quanto dentro da aliança ocidental, num momento em que a unidade em relação à política para o Irã já está estremecida.
Comments
0 comments