Essa postura combativa não é nova. Já em abril e maio de 2026, Ghalibaf alertava que o Irã "não deposita confiança nenhuma no adversário" e que está pronto para dar uma resposta "bem merecida" a qualquer novo ataque dos EUA .
Ghalibaf não é apenas um político comum. Antes de entrar para a política, ele foi comandante sênior da Força Aérea da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) . Essa dupla identidade — veterano linha-dura da IRGC e principal interlocutor com Washington — é uma tensão central do acordo. O fato de o próprio braço de mídia da Guarda ter divulgado a ameaça de abandonar o pacto mostra que o establishment de segurança que ele um dia comandou está de olho no desenrolar das negociações e não dará folga aos americanos
.
O chamado Memorando de Entendimento (MoU), assinado pelo presidente Donald Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian, é dividido em duas fases :
Fase 1 — Imediata (após a assinatura):
Fase 2 — Adiada (janela de 60 dias de negociação):
A assimetria central, apontada por analistas, é que o Irã recebe alívio econômico substancial de imediato, enquanto suas principais obrigações — especialmente no campo nuclear — ficam para depois .
O comandante da Força Quds da IRGC, Esmail Qaani, também entrou na dança. Em declarações paralelas, ele deixou claro que os proxies regionais do Irã não estão sendo desmobilizados . Qaani alertou que os "lutadores sem fronteiras estão vigiando seus pontos de passagem" e que o transporte marítimo no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandab continua vulnerável
. Em uma entrevista em 15 de junho, ele afirmou que a guerra "desacreditou completamente os Estados Unidos" e que o conflito "acelerou o colapso do regime criminoso de Israel" — além de exigir a retirada de Israel do Líbano como condição para qualquer acordo duradouro
.
Qaani, que raramente aparece em público, emergiu para enquadrar o acordo não como uma concessão diplomática, mas como prova de que os EUA foram forçados a sentar à mesa .
O establishment linha-dura iraniano está, em público, tratando o acordo não como uma rendição, mas como evidência de que Teerã "superou" Washington — que os EUA estavam militar e economicamente exaustos e tiveram que recuar . Ao mesmo tempo, os alertas de Ghalibaf e Qaani refletem um profundo ceticismo dentro da IRGC de que Washington realmente cumprirá suas promessas, especialmente em relação ao alívio de sanções e ao fundo de reconstrução
.
A conclusão: o MoU dá ao Irã um alívio econômico imediato e significativo (licenças de petróleo, ativos congelados e um compromisso de US$ 300 bilhões para reconstrução) em troca de um cessar-fogo e da promessa de negociar seu programa nuclear depois. Mas o principal negociador iraniano — falando como ex-comandante da Guarda Revolucionária — já deixou claro: qualquer falha dos EUA em cumprir o prometido anula o acordo, e o "dedo continua no gatilho".
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