Junho de 2026: NOC assina acordo com espanhola Repsol (40%, operadora), turca TPAO (40%) e húngara MOL (20%) para explorar uma área maior que 10.300 km² no pré sal do Mediterrâneo [5]. O acordo faz parte do novo marco fiscal líbio (EPSA V), que reduziu a fatia do governo e tornou o retorno financeiro muito mais atra...

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Depois de uma pausa de quase duas décadas em grandes licitações internacionais, a Líbia voltou ao mapa global da exploração de petróleo e gás. Em junho de 2026, a Corporação Nacional de Petróleo da Líbia (NOC, na sigla em inglês) oficializou um contrato de partilha de produção (PSA) com um consórcio formado pela espanhola Repsol, a estatal turca TPAO e a húngara MOL Group para o bloco marítimo O7, uma área de águas ultraprofundas no Mar Mediterrâneo . Esse é o primeiro grande investimento no setor ligado à rodada de licitações de 2025, uma iniciativa desenhada para reverter anos de subinvestimento em meio a um cenário político fragmentado
.
O bloco O7, localizado a aproximadamente 140 quilômetros a noroeste de Benghazi, cobre uma vasta área de 10.300 quilômetros quadrados em lâminas d'água que superam os 1.500 metros de profundidade . O acordo de partilha de produção estabelece uma divisão clara de responsabilidades e participações:
Essa parceria tripla foi a vencedora de um processo de licitação conjunta realizado no início do ano. Com o contrato assinado, o grupo está autorizado a realizar a aquisição de dados sísmicos e perfurar poços exploratórios. Os valores de compromisso mínimo de investimento não foram divulgados publicamente pelas empresas ou pela NOC . Por se tratar de um bloco em águas profundas, a campanha exploratória será tecnicamente exigente e de alto custo, um ponto que investidores e analistas do setor devem monitorar de perto.
A assinatura do PSA do bloco O7 não é um evento isolado. Ela é fruto da primeira rodada de licitações upstream da Líbia desde 2007, lançada formalmente em março de 2025 e concluída em 11 de fevereiro de 2026, quando a NOC anunciou os vencedores . O desenho da rodada foi feito sob medida para revitalizar o setor de hidrocarbonetos do país, que havia sido deixado de lado pelas grandes petroleiras internacionais (IOCs) após a revolução de 2011 e a consequente divisão política entre as administrações rivais em Trípoli e no leste do país
.
No fim das contas, de uma oferta inicial que chegou a 22 áreas (posteriormente ajustada para 20 blocos), apenas cinco foram concedidas . Apenas um grupo seleto de empresas apresentou ofertas vinculantes. Os vencedores foram:
O número limitado de premiações — com apenas cinco dos blocos concedidos — ficou aquém de algumas expectativas iniciais, mas marcou o retorno da gigante americana Chevron à Líbia após 15 anos, além da estreia de novos entrantes como a Aiteo e a MOL Group .
Um dos principais motivos para a debandada das petroleiras internacionais foi o ultrapassado marco fiscal do país, conhecido como EPSA IV (Acordo de Partilha de Produção e Exploração IV). Sob esse modelo, o estado líbio ficava com uma fatia estimada entre 70% e 90% de toda a produção, deixando para as empresas retornos financeiros irrisórios — em um cenário hipotético de US$ 100 milhões em petróleo-lucro, a contratante embolsava míseros US$ 5 a 15 milhões, enquanto arcava com todo o risco da exploração . Análises acadêmicas também apontaram falhas sistêmicas que desestimulavam o investimento de capital
.
Para resolver esse problema estrutural, a Líbia introduziu um modelo modernizado, apelidado de EPSA V ou novo marco de PSA. As principais melhorias destacadas por analistas do setor incluem:
Embora os termos completos do EPSA V não tenham sido detalhados publicamente, as apresentações iniciais ao mercado e as análises setoriais sugerem que as novas condições colocam a Líbia em uma posição muito mais competitiva no mapa global de investimentos em novas fronteiras .
A NOC e o primeiro-ministro líbio reconhecido internacionalmente, Abdulhamid Dbeibah, apresentaram essa nova rodada como peça central para uma ambiciosa meta de longo prazo: adicionar 850 mil barris por dia à produção nos próximos 25 anos, mirando uma produção total de 2 milhões de barris por dia até o fim desta década . O bloco O7 é uma parte dessa visão, embora qualquer descoberta comercial de óleo ou gás ainda seja um projeto de múltiplos anos, dependente de fases de exploração, avaliação e desenvolvimento bem-sucedidas
.
Para a húngara MOL Group, a fatia no bloco O7 representa sua estreia no setor upstream da Líbia. A empresa destacou publicamente a importância estratégica do projeto para fortalecer a segurança energética da Europa Central e Oriental, uma forma de diversificar as fontes de suprimento para além dos gasodutos russos, mirando agora a bacia do Mediterrâneo . Já a Repsol, que já é uma grande operadora no país por meio do campo gigante de Sharara (300 mil barris/dia), expande seu portfólio marítimo. Por sua vez, a TPAO aprofunda a já relevante presença energética regional da Turquia
.
Apesar de todo o otimismo com a assinatura do PSA e as novas regras fiscais, o cenário político de fundo na Líbia segue extremamente frágil. O país ainda é governado por administrações rivais, e a agência Reuters descreveu a própria rodada de licitações como acontecendo "em meio a uma fragmentação política contínua" . O presidente da NOC, Massoud Suleman, anunciou as assinaturas dos PSAs, mas a capacidade da corporação de manter sua independência institucional e, consequentemente, garantir a inviolabilidade dos contratos de longo prazo, é uma pergunta sem resposta para os investidores
. A última década já mostrou que a instabilidade política e a atividade de milícias podem paralisar rapidamente até mesmo campos já em operação, quanto mais novos projetos de exploração
.
Nesse contexto, o acordo do bloco O7 é uma aposta calculada da Repsol, da TPAO e da MOL Group de que o potencial de recursos da Líbia — combinado com um regime fiscal mais atraente — agora compensa os persistentes e elevados riscos de governança. O contrato conseguiu, de fato, reabrir o caminho para o pré-sal líbio. Mas a verdadeira medida do seu sucesso só será conhecida quando as brocas finalmente tocarem o fundo do mar.
https://www.origo.hu/gazdasag/2026/06/olaj-es-gazipar-mol-libia
https://www.reuters.com/business/energy/libya-awards-new-oil-gas-blocks-chevron-eni-others-first-licensing-round-since-2026-02-11
https://drillingcontractor.org/mol-repsol-tpao-sign-psa-for-libyas-o7-block-78581
https://www.spglobal.com/energy/en/news-research/latest-news/crude-oil/021126-chevron-makes-long-awaited-libya-return-repsol-and-eni-also-win-blocks
https://www.zonebourse.com/actualite-bourse/mol-group-s-implante-en-libye-via-une-coentreprise-avec-repsol-et-turkiye-petrolleri-a-o-ce7e5ddfd08df02d
https://worldoil.com/news/2026/2/11/mol-group-enters-libya-offshore-in-joint-venture-with-repsol-and-tpao
https://clashreport.com/world/articles/after-17-years-libya-grants-oil-licence-to-foreign-companies-93pgi10pgr
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/opec.12000
https://www.worldoil.com/news/2025/12/23/libya-s-2025-bid-round-and-fiscal-reforms-revive-upstream-investment-interest
https://www.max-security.com/resources/intel-reports/libya-oil-bidding-round-risks-2025
https://oxfordbusinessgroup.com/articles-interviews/national-oil-corporation-advances-investment-framework-to-fortify-industry-stability
https://libyasummit.com/news/comprehensive-guide-libyas-2025-licensing-round
https://eltumipartners.com/2025/03/libya-announces-first-international-licensing-round-in-15-years-epsa
https://www.linkedin.com/posts/discovery-alert-australia_libya-is-launching-its-most-significant-petroleum-activity-7409346266771447808-Mi0k
https://www.linkedin.com/posts/murat-alatas-36073384_libyas-oil-licensing-round-investment-challenges-activity-7430896406984499200-hrgJ
https://www.reuters.com/business/energy/libya-awards-new-oil-gas-blocks-chevron-eni-others-first-licensing-round-since-2026-02-11
https://oilprice.com/Energy/Energy-General/Libyas-Oil-Licensing-Round-Fails-to-Deliver-Promised-Comeback.html
https://www.linkedin.com/posts/hesham-alkhateeb_the-results-of-libyas-2025-bid-round-five-activity-7427402916983918592-SLQx
https://www.linkedin.com/posts/expertise-consultancy-libya_libya-oilandgas-upstream-activity-7431645329940324353-R2YU
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Junho de 2026: NOC assina acordo com espanhola Repsol (40%, operadora), turca TPAO (40%) e húngara MOL (20%) para explorar uma área maior que 10.300 km² no pré sal do Mediterrâneo [5].
Junho de 2026: NOC assina acordo com espanhola Repsol (40%, operadora), turca TPAO (40%) e húngara MOL (20%) para explorar uma área maior que 10.300 km² no pré sal do Mediterrâneo [5]. O acordo faz parte do novo marco fiscal líbio (EPSA V), que reduziu a fatia do governo e tornou o retorno financeiro muito mais atraente para as multinacionais [16][26].
A rodada de licenciamentos de 2025 concedeu 5 de 22 blocos a players como Chevron, Eni e QatarEnergy, sinalizando um interesse renovado, porém cauteloso, no potencial energético do país [30].
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