O tombo refletiu o desmonte de um prêmio de risco geopolítico que se acumulara por quase quatro meses de hostilidades. Durante o conflito, o barril de petróleo chegou a ser negociado a cerca de US$ 120 . A reabertura de Ormuz, se concretizada, eliminaria o maior gargalo de oferta que pressionava os preços da gasolina, do diesel e do combustível de aviação em todo o mundo
.
O won foi um dos maiores beneficiários da guinada ao risco. Na segunda-feira (15), abriu a 1.511,4 por dólar e se fortaleceu durante o dia, tocando 1.504 wons — nível mais forte desde 1º de junho . Fechou o pregão local a 1.511,1 por dólar, uma queda de 8,7 wons em relação ao fechamento anterior
. O índice KOSPI disparou 5,2%
. Analistas apontaram a redução da aversão ao risco com a queda do petróleo, mas alertaram que uma queda rápida para a faixa de 1.400 wons era improvável, diante das incertezas sobre a saída de capital estrangeiro e das próximas decisões de juros nos EUA e no Japão
.
Na terça-feira, o won se valorizou levemente para 1.507,5 por dólar, no terceiro pregão consecutivo de ganhos, mas o movimento foi bem mais contido, à medida que as moedas asiáticas devolviam parte dos ganhos da véspera .
A rupia indiana ganhou terreno junto com as demais moedas asiáticas na segunda-feira, com o enfraquecimento do dólar . Fechou a terça-feira a 94,56 por dólar
. Na quarta-feira (17), abriu em alta de 11 paise, a 94,45, ajudada por uma nova queda do petróleo — o Brent já havia furado a barreira dos US$ 80 — e por um índice DXY mais fraco, rondando os 99,50
. Analistas do Finrex observaram que, embora a baixa do petróleo desse suporte, o enfraquecimento geral das moedas asiáticas antes da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) nos dias 16 e 17 poderia limitar ganhos adicionais
.
O peso filipino se fortaleceu em 87 centavos na segunda-feira, fechando a P60,48 por dólar, seu fechamento mais forte desde 7 de maio . As ações filipinas dispararam quase 7%, já que o acordo de paz reduziu drasticamente o risco do preço do petróleo para o país, um importador líquido de energia
. O peso continuou a se fortalecer na terça-feira, encerrando a P60,32 — máxima de quase dois meses, o melhor fechamento desde 22 de abril
.
Porém, a Reuters relatou na terça-feira que a maioria das moedas emergentes asiáticas cedeu terreno, já que a falta de detalhes concretos do cessar-fogo arrefeceu o otimismo. Ainda na terça-feira, segundo um relatório, o peso encerrou uma sequência de seis pregões de alta, recuando para 60,458 por dólar . Esses dados conflitantes de diferentes fontes ressaltam a natureza instável e ditada por manchetes do pregão de terça-feira.
O dólar americano atingiu a mínima em 10 dias na segunda-feira, com o marco de paz levando investidores a saírem de ativos de refúgio e migrarem para moedas de maior risco . A queda do dólar foi generalizada: o iene se fortaleceu para 159,7 por dólar, o euro subiu para US$ 1,1616 e a rupia indonésia saltou mais de 1%, para 17.680 por dólar, nível mais forte desde 22 de maio
. Os futuros do S&P 500 subiram 0,8% no início do pregão asiático
. A rotação para ativos de risco foi descrita por analistas como "positiva para moedas de risco, negativa para o dólar americano"
.
É importante entender que o won sul-coreano já estava sob forte pressão muito antes do anúncio do acordo de paz. A moeda havia despencado para seu nível mais fraco desde 2009 , sendo negociada acima de 1.560 wons por dólar no intradiário
, pressionada pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela especulação de que o Fed poderia subir ainda mais os juros
.
Em resposta, as autoridades sul-coreanas anunciaram uma série de medidas agressivas na semana anterior a 14 de junho:
Essas medidas foram passos defensivos e proativos, tomados antes do anúncio do acordo de paz. Nenhuma nova medida regulatória sul-coreana disparada especificamente pelo acordo em si foi reportada até terça-feira, 16 de junho.
Apesar dos movimentos dramáticos de mercado, várias incertezas cruciais persistiram, limitando o rali e podendo continuar a pesar sobre os preços dos ativos :
O acordo ainda não foi assinado. Uma cerimônia formal de assinatura está marcada para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça, e o marco continua não sendo vinculante até lá . Os mercados estão, na prática, precificando um acordo que ainda não existe legalmente.
Nenhum termo detalhado foi divulgado. Os investidores seguem cautelosos porque o anúncio foi pobre em detalhes — nenhum texto do acordo foi publicado, deixando perguntas sobre mecanismos de fiscalização, dispositivos de monitoramento e o escopo dos compromissos de ambos os lados .
A fala de Trump versus as declarações iranianas. O presidente Trump descreveu o acordo como "completo" e disse ter ordenado o fim do bloqueio naval americano , mas as autoridades iranianas não confirmaram o mesmo grau de finalização
. Essa assimetria nas declarações públicas cria ambiguidade sobre se ambas as partes estão realmente alinhadas.
O cronograma do fluxo de petróleo não está claro. Embora o Estreito de Ormuz deva ser reaberto e operar sem pedágio, não se sabe com que rapidez o transporte marítimo pode ser retomado em plena capacidade. O trânsito no Estreito esteve efetivamente obstruído por quase quatro meses . Mesmo uma reabertura em fases afetaria o ritmo de normalização dos preços do petróleo e o alívio das pressões inflacionárias.
O risco mais amplo no Oriente Médio permanece. O conflito durou quase quatro meses e tensões subjacentes — incluindo o status não resolvido do programa nuclear do Irã — podem ressurgir . Alguns analistas alertam que a durabilidade do rali de tomada de risco não deve ser dada como certa
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O MUFG Research observou que, em um cenário de reabertura sustentada, a relação risco-retorno para moedas como o won sul-coreano "se sair melhor daqui para frente é bastante alta", prevendo que o USD/KRW se mova em direção ao patamar de 1.400 ao longo do tempo . Mas essa previsão depende de o acordo se sustentar — e até terça-feira, os mercados ainda aguardavam por provas concretas.
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