A equipe identificou dois mecanismos principais, e potencialmente simultâneos, para explicar a cintilação errática em raios-X .
A explicação preferida é que muitos desses remanescentes de supernova abrigam um sobrevivente. A maioria das estrelas massivas existe em sistemas binários, ou seja, giram em torno de um centro de massa comum. Quando a estrela mais massiva explode como supernova, ela pode deixar para trás um buraco negro ou uma estrela de nêutrons. Se a estrela companheira sobreviver ao cataclismo, ela pode acabar presa em uma órbita apertada ao redor do novo objeto compacto. A gravidade intensa do buraco negro ou da estrela de nêutrons então começa a puxar e sugar material da superfície da companheira. Esse processo, conhecido como acreção, aquece o gás que está caindo a milhões de graus, produzindo poderosas e variáveis emissões de raios-X que dependem totalmente da taxa de acreção .
Um cenário alternativo inverte a origem do material. Em vez de roubar gás de uma companheira, o objeto compacto central pode estar "reciclando" seus próprios detritos. O astrônomo Roy Kilgard, coautor do estudo, descreveu a possibilidade como os destroços da explosão caindo de volta sobre o exato objeto que a supernova criou . Essa "acreção por recaptura" também poderia produzir os aumentos e diminuições de brilho observados, à medida que o material recapturado pelo buraco negro ou estrela de nêutrons é aquecido a temperaturas que emitem raios-X.
Pelo menos um remanescente na amostra, o SN 1957D, tem uma explicação mais simples. Observado pela primeira vez há quase 70 anos, o aumento de seu brilho em raios-X é provavelmente causado pelo material ejetado em alta velocidade colidindo com o material interestelar ao redor, convertendo energia cinética em calor .
Esse fenômeno de variabilidade de longo prazo em remanescentes pode não ser exclusivo da M83. Observações iniciais de acompanhamento da Galáxia do Redemoinho (M51) revelaram uma população semelhante de remanescentes variáveis, sugerindo que esse comportamento pode ser uma característica comum, e anteriormente negligenciada, de galáxias com intensa formação estelar .
Em uma investigação separada, uma equipe diferente de astrônomos apontou tanto o Chandra quanto o satélite XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA), para o centro turbulento de nossa própria galáxia. O alvo deles era Sagitário C (Sgr C), uma densa região de formação estelar localizada a apenas 26.000 anos-luz da Terra — cosmicamente falando, bem ao lado do buraco negro supermassivo Sagitário A* .
Dentro de Sgr C, eles identificaram uma "bolha" distinta de emissão de raios-X, aninhada dentro de uma bolha maior de hidrogênio ionizado que circunda uma estrela jovem e massiva . Se confirmada como um remanescente de supernova, ela seria um dos objetos desse tipo mais próximos já encontrados do buraco negro central da Via Láctea
. Os dados indicam que o material estelar ejetado está se expandindo a uma velocidade de cerca de 3,2 milhões de quilômetros por hora (aproximadamente 2 milhões de milhas por hora) e que a explosão original ocorreu há apenas 1.700 anos
.
A descoberta foi possível graças à combinação da visão de raios-X de alta resolução do Chandra e do XMM-Newton com dados complementares de rádio do conjunto de telescópios MeerKAT, na África do Sul, e dados ópticos do levantamento Pan-STARRS . O achado oferece uma rara oportunidade de estudar o ciclo de vida das estrelas no ambiente mais extremo da galáxia.