Um estudo de 14 anos com o Observatório de Raios X Chandra, da NASA, descobriu que cerca de metade dos 22 remanescentes de supernova na galáxia M83 (a 15 milhões de anos luz) estão variando dramaticamente seu brilho e... O comportamento 'morto vivo' é mais bem explicado por estrelas companheiras sobreviventes, que a...

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Por décadas, os livros-texto de astronomia ensinaram que os restos de estrelas que explodiram — os chamados remanescentes de supernova — se resfriam de forma lenta e previsível ao longo de milhares de anos. Mas uma meticulosa e recente análise de 14 anos de dados de arquivo do Observatório de Raios-X Chandra, da NASA, revelou uma realidade muito mais caótica. Na galáxia espiral próxima Messier 83 (M83), uma população de remanescentes de supernova está se recusando a desaparecer silenciosamente, em vez disso, eles estão piscando dramaticamente em luz de raios-X ao longo de intervalos de poucos anos.
Para estabelecer uma base de como os remanescentes de supernova evoluem, astrônomos direcionaram o Chandra para a M83, uma espetacular galáxia espiral localizada a cerca de 15 milhões de anos-luz de distância, em observações que se estenderam de 2000 a 2014 . A equipe rastreou 22 fontes de raios-X previamente identificadas como remanescentes de supernova e fez uma descoberta surpreendente: aproximadamente metade delas mostrou mudanças significativas e inesperadas em seu brilho em raios-X
.
"Sabemos que fontes individuais de raios-X podem mudar dramaticamente, mas descobrir que tantos remanescentes de supernova estão fazendo isso realmente nos surpreendeu", disse Andrea Prestwich, astrônoma da Universidade Católica da América e coautora do estudo publicado no The Astrophysical Journal .
Essa alta proporção — cerca de 11 de 22 — é o que torna a descoberta tão perturbadora. Não se trata de um único objeto excêntrico quebrando as regras, mas de um comportamento generalizado que força um reexame do modelo evolutivo padrão para restos estelares .
A equipe identificou dois mecanismos principais, e potencialmente simultâneos, para explicar a cintilação errática em raios-X .
A explicação preferida é que muitos desses remanescentes de supernova abrigam um sobrevivente. A maioria das estrelas massivas existe em sistemas binários, ou seja, giram em torno de um centro de massa comum. Quando a estrela mais massiva explode como supernova, ela pode deixar para trás um buraco negro ou uma estrela de nêutrons. Se a estrela companheira sobreviver ao cataclismo, ela pode acabar presa em uma órbita apertada ao redor do novo objeto compacto. A gravidade intensa do buraco negro ou da estrela de nêutrons então começa a puxar e sugar material da superfície da companheira. Esse processo, conhecido como acreção, aquece o gás que está caindo a milhões de graus, produzindo poderosas e variáveis emissões de raios-X que dependem totalmente da taxa de acreção .
Um cenário alternativo inverte a origem do material. Em vez de roubar gás de uma companheira, o objeto compacto central pode estar "reciclando" seus próprios detritos. O astrônomo Roy Kilgard, coautor do estudo, descreveu a possibilidade como os destroços da explosão caindo de volta sobre o exato objeto que a supernova criou . Essa "acreção por recaptura" também poderia produzir os aumentos e diminuições de brilho observados, à medida que o material recapturado pelo buraco negro ou estrela de nêutrons é aquecido a temperaturas que emitem raios-X.
Pelo menos um remanescente na amostra, o SN 1957D, tem uma explicação mais simples. Observado pela primeira vez há quase 70 anos, o aumento de seu brilho em raios-X é provavelmente causado pelo material ejetado em alta velocidade colidindo com o material interestelar ao redor, convertendo energia cinética em calor .
Esse fenômeno de variabilidade de longo prazo em remanescentes pode não ser exclusivo da M83. Observações iniciais de acompanhamento da Galáxia do Redemoinho (M51) revelaram uma população semelhante de remanescentes variáveis, sugerindo que esse comportamento pode ser uma característica comum, e anteriormente negligenciada, de galáxias com intensa formação estelar .
Em uma investigação separada, uma equipe diferente de astrônomos apontou tanto o Chandra quanto o satélite XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA), para o centro turbulento de nossa própria galáxia. O alvo deles era Sagitário C (Sgr C), uma densa região de formação estelar localizada a apenas 26.000 anos-luz da Terra — cosmicamente falando, bem ao lado do buraco negro supermassivo Sagitário A* .
Dentro de Sgr C, eles identificaram uma "bolha" distinta de emissão de raios-X, aninhada dentro de uma bolha maior de hidrogênio ionizado que circunda uma estrela jovem e massiva . Se confirmada como um remanescente de supernova, ela seria um dos objetos desse tipo mais próximos já encontrados do buraco negro central da Via Láctea
. Os dados indicam que o material estelar ejetado está se expandindo a uma velocidade de cerca de 3,2 milhões de quilômetros por hora (aproximadamente 2 milhões de milhas por hora) e que a explosão original ocorreu há apenas 1.700 anos
.
A descoberta foi possível graças à combinação da visão de raios-X de alta resolução do Chandra e do XMM-Newton com dados complementares de rádio do conjunto de telescópios MeerKAT, na África do Sul, e dados ópticos do levantamento Pan-STARRS . O achado oferece uma rara oportunidade de estudar o ciclo de vida das estrelas no ambiente mais extremo da galáxia.
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Um estudo de 14 anos com o Observatório de Raios X Chandra, da NASA, descobriu que cerca de metade dos 22 remanescentes de supernova na galáxia M83 (a 15 milhões de anos luz) estão variando dramaticamente seu brilho e...
Um estudo de 14 anos com o Observatório de Raios X Chandra, da NASA, descobriu que cerca de metade dos 22 remanescentes de supernova na galáxia M83 (a 15 milhões de anos luz) estão variando dramaticamente seu brilho e... O comportamento 'morto vivo' é mais bem explicado por estrelas companheiras sobreviventes, que alimentam buracos negros ou estrelas de nêutrons deixados pelas explosões, ou pela 'reciclagem cósmica', em que os objetos...
Em uma descoberta separada, Chandra e o satélite XMM Newton, da ESA, detectaram uma onda de choque de 1.700 anos, expandindo se a 3,2 milhões de km/h, perto do buraco negro central da Via Láctea, sendo potencialmente...
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