O movimento ocorre em um momento decisivo para a política americana. O governo Trump havia flexibilizado as restrições ao petróleo russo durante a crise com o Irã para conter a disparada dos preços globais, emitindo isenções temporárias por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro. A autorização mais recente, a Licença Geral 134C, emitida em 17 de abril de 2026, permitiu a entrega e venda de petróleo bruto russo carregado em navios, mas estava programada para expirar justamente em 17 de junho .
Trump explicitamente condicionou a volta das sanções a essa expiração e ao novo panorama energético. "Em breve poderemos fazer isso, porque o petróleo agora está fluindo", declarou Trump a jornalistas na cúpula, referindo-se à reabertura do Estreito de Ormuz sob o acordo preliminar com o Irã . A fala representa uma guinada radical em relação às medidas emergenciais adotadas em março de 2026, quando os EUA suspenderam temporariamente as restrições ao petróleo russo em alto-mar para evitar um choque de preços durante o impasse com o Irã
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O acordo preliminar de cessar-fogo entre EUA e Irã serviu como pano de fundo crucial para toda a cúpula. O conflito, que fechou o Estreito de Ormuz — um ponto de estrangulamento por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo bruto comercializado no mundo — forçou o governo Trump à posição desconfortável de conceder alívio temporário de sanções tanto ao Irã quanto à Rússia para administrar os preços da energia . Quando os líderes se reuniram em Évian-les-Bains, um memorando de entendimento provisório já havia interrompido as hostilidades e, segundo relatos, incluía o compromisso iraniano de reabrir o estreito em um prazo de 30 dias
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Trump usou o acordo como justificativa para uma nova ofensiva de sanções contra Moscou. Com a retomada do fluxo de petróleo pelo estreito, argumentou, o panorama de oferta global havia melhorado o suficiente para absorver a retirada dos barris russos do mercado . Os aliados europeus, no entanto, pressionaram Trump sobre os riscos do pacto com Teerã durante as conversas bilaterais, levantando preocupações sobre os termos, a estabilidade regional e os mecanismos de verificação
. O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu o acordo como um passo positivo, mas cobrou mais clareza sobre seus detalhes
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Um dos avanços mais significativos nos bastidores foi o esforço bem-sucedido dos aliados europeus para recolocar a guerra na Ucrânia no centro das atenções de Trump. A crise com o Irã havia consumido a banda diplomática americana por meses, deixando o conflito no Leste Europeu em segundo plano. Durante a cúpula, as nações do G7 trabalharam deliberadamente para trazer a Ucrânia de volta ao topo da lista de prioridades do presidente americano .
Zelenskyy participou presencialmente a convite da França, país anfitrião, e integrou uma sessão de trabalho de 75 minutos com os líderes do G7 . Ele também teve uma reunião bilateral com Trump — o segundo encontro em poucos dias, após uma ligação telefônica no domingo
. Zelenskyy classificou o encontro como "muito bom" e agradeceu aos líderes pelas "ideias fortes sobre como forçar a Rússia a aceitar a paz", destacando que os EUA estavam dispostos a apoiar a Ucrânia em múltiplas frentes
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Trump, por sua vez, pediu publicamente que a Rússia "faça um acordo" para encerrar a guerra e disse que faria o possível para ajudar . A declaração veio horas depois de o Kremlin ter rejeitado uma proposta de encontro multilateral durante a cúpula
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Zelenskyy relatou posteriormente que os líderes do G7 compartilhavam uma visão comum: a de que a Rússia não está vencendo a guerra, e que sanções adicionais são necessárias para forçar Moscou à mesa de negociação . A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, reforçaram essa mensagem ao dizerem a Zelenskyy que "a maré está virando para a Ucrânia"
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Além da retórica das sanções, o G7 assumiu compromissos concretos de apoio militar. Os líderes concordaram em fornecer equipamentos adicionais de defesa aérea como parte do novo pacote de pressão . Zelenskyy havia solicitado especificamente "mísseis adicionais de defesa aérea, junto com as licenças necessárias para sua produção", além de um pacote de assistência para o inverno e uma intensificação da pressão sobre a Rússia
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A cúpula também aconteceu um dia após a Ucrânia abrir o primeiro bloco de negociações formais para ingressar na União Europeia, acrescentando uma dimensão estratégica de longo prazo às conversas. Zelenskyy pressionou por uma adesão acelerada durante as reuniões bilaterais com von der Leyen e Costa .
Apesar da mensagem unificada, o acordo do G7 para aumentar a pressão das sanções permanece no campo do compromisso político, e não de um plano operacional completo. Diplomatas e autoridades descreveram o pacto como "amplo" e carente de especificidades . A questão de como e quando exatamente as novas sanções ao gás e petróleo serão implementadas — e se o teto de preço do G7 para o petróleo russo, hoje em US$ 60 por barril, será reduzido — ficou sem resposta nesta cúpula
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A Comissão Europeia já havia buscado a opinião dos parceiros do G7 sobre o destino do teto de preços antes de propor seu próximo pacote de sanções, com Finlândia e Suécia pressionando por uma proibição total dos serviços marítimos para o petróleo russo . Essas discussões detalhadas agora serão travadas nas semanas seguintes à cúpula, com o foco imediato recaindo sobre se os EUA cumprirão a promessa de Trump e deixarão suas isenções expirarem conforme o programado.
Com a Licença Geral 134C expirando em 17 de junho e sem qualquer indicação do Departamento do Tesouro de uma nova prorrogação, a trajetória aponta para um rápido endurecimento do regime de sanções — desde que o frágil cessar-fogo com o Irã se sustente e o Estreito de Ormuz permaneça aberto ao tráfego comercial.
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