Todo o processamento roda no próprio dispositivo por meio de dois chips Qualcomm Snapdragon: um cuida do sistema operacional e da visão computacional, enquanto o outro se dedica aos gráficos e à sobreposição espacial das Lentes, nome que a Snap dá às suas experiências de RA . A empresa promete um campo de visão de 51 graus com latência de 7 milissegundos — especificação que coloca o aparelho na faixa de um monitor virtual grande para produtividade ou de uma tela gigante para streaming de conteúdo
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A bateria promete quatro horas de uso contínuo, e o estojo de recarga estende a autonomia total para cerca de 20 horas . As armações são feitas de polímero suíço TR90 — material que a Snap chama de "titânio plástico" —, o que mantém o peso competitivo. A versão com armação de 47 mm pesa 132 gramas, enquanto a de 52 mm sobe para 136 gramas
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A interação depende de rastreamento de mãos e comandos de voz, sem necessidade de controle externo. As lentes transparentes sobrepõem direções de navegação, notificações e aplicativos espaciais diretamente na visão do mundo real . Duas câmeras coloridas de alta resolução e um conjunto de sensores alimentam a IA embarcada com dados contextuais, que a Snap divulga como capaz de entender o que o usuário está olhando
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As pré-vendas começaram em 16 de junho, com um depósito reembolsável de US$ 200 no site SPECS.com. A previsão é que as entregas comecem no segundo semestre de 2026, inicialmente limitadas a Estados Unidos, Reino Unido e França .
Dois meses antes do lançamento, a Snap enfrentava uma trajetória bem diferente. Em 31 de março de 2026, a Irenic Capital Management — um fundo de hedge com cerca de US$ 2,5 bilhões sob gestão — tornou pública uma carta com o título "Snap Back to Reality: Save Snap Now" depois de acumular uma participação equivalente a aproximadamente 2,5% das ações Classe A da Snap .
A carta era direta. A Irenic argumentou que a Snap estava "cômica e absurdamente subvalorizada", com um valor de empresa ao redor de US$ 7,9 bilhões, e apresentou um plano chamado "6 Passos para 7 Vezes" — desenhado para empurrar as ações de cerca de US$ 4 para mais de US$ 26 cada . A primeira e mais contundente exigência era: cindir ou fechar totalmente a divisão de RA Specs.
A tese central — de que a Snap já havia gasto mais de US$ 3,5 bilhões na unidade e continuava queimando aproximadamente US$ 500 milhões por ano com ela — reposicionou a aposta em RA como um risco corporativo imediato, não uma visão de longo prazo . A carta citava explicitamente as reestruturações e cortes de força de trabalho da Uber, Meta e Block como modelos a seguir
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Dias depois, um segundo ativista, a Randian Capital, juntou-se à campanha de pressão, amplificando a demanda por uma cisão rápida dos Specs e reforçando a narrativa de que a divisão de hardware representava um "vácuo de governança" .
A resposta da Snap veio em 15 de abril de 2026, quando Spiegel anunciou uma reestruturação abrangente: aproximadamente 1.000 funcionários seriam demitidos, o que representava cerca de 16% dos 5.261 empregados globais da empresa . Mais de 300 vagas em aberto foram fechadas simultaneamente. A companhia projetou uma economia anualizada de mais de US$ 500 milhões a partir do segundo semestre de 2026, com custos de implementação estimados entre US$ 95 milhões e US$ 130 milhões no segundo trimestre
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O memorando interno de Spiegel descreveu um "momento crítico" e apontou a inteligência artificial como justificativa e mecanismo para enxugar a operação. A empresa disse esperar que agentes de IA gerassem mais de 65% do novo código e processassem mais de um milhão de consultas por mês .
Crucialmente, a equipe de hardware dos Specs foi amplamente protegida dos cortes. A redução de efetivo da Snap ficou em 16% — abaixo dos 21% que a Irenic havia recomendado — e os cargos eliminados se concentraram em áreas de produto e parcerias, não em engenharia . Ao preservar a divisão de RA enquanto implementava cortes dramáticos em outros setores, Spiegel sinalizou que as demissões não eram uma capitulação à campanha ativista, mas uma reorganização para financiar a aposta nos Specs com mais eficiência.
Quando Spiegel apresentou formalmente os Specs em 16 de junho, sua abordagem contradisse diretamente a tese do ativista. Ele disse à Reuters que os óculos são "parte integral da visão de longo prazo da empresa" e representam a aposta da Snap na computação para além do smartphone . Durante o lançamento, caracterizou o produto como "o começo de uma nova era na computação"
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O posicionamento oficial da Snap reconhece que o dispositivo ainda não se destina à adoção em massa. O público inicial é formado por desenvolvedores e early adopters, e Spiegel afirmou explicitamente que os Specs não são um substituto imediato para o smartphone . Essa estratégia de focar primeiro em desenvolvedores espelha o manual do Apple Vision Pro — lançar um dispositivo caro e capaz para semear o ecossistema e depois iterar em direção a preços mais acessíveis.
A reação inicial do mercado tem sido cética. As ações da SNAP enfrentaram pressão após o lançamento, com investidores de varejo e analistas questionando se um preço acima de US$ 2 mil pode gerar demanda de consumo significativa para um dispositivo que permanece de nicho e orientado a desenvolvedor .
Acima dos óculos inteligentes Ray-Ban da Meta: O modelo Ray-Ban Meta Geração 2 custa de US$ 379 a US$ 459 e oferece câmera, áudio em ouvido aberto e assistente de voz com IA — mas nenhum display de realidade aumentada. Já o modelo mais recente, Meta Ray-Ban Display, de US$ 799, adiciona uma pequena tela na lente e uma pulseira Neural Band para entrada por gestos, mas depende de um smartphone pareado e carece da ambição de computação espacial dos Specs .
Abaixo do Apple Vision Pro: O headset de realidade mista da Apple custa US$ 3.499, pesa cerca de 650 gramas, exige uma bateria externa que proporciona cerca de duas horas de uso e foi projetado principalmente para computação espacial em ambiente fixo, não para uso vestível ao longo do dia . A versão M5 lançada em 2025 foi vista por analistas como uma medida paliativa, não um compromisso com a linha de produto — não se espera uma sequência do Vision Pro antes de 2028
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As vantagens estruturais dos Specs incluem operação autônoma e sem amarras, design de lentes transparentes e perfil de peso que permite horas de uso. A principal vulnerabilidade é o preço: a US$ 2.195, compete com os Ray-Ban de US$ 379 que já venderam milhões de unidades e estabeleceram a categoria de óculos inteligentes no mercado de massa — sem contar com o valor da marca Apple e a integração de ecossistema que justificam parcialmente o preço premium do Vision Pro .
O desfecho depende de a estratégia de focar primeiro em desenvolvedores gerar desenvolvimento suficiente de apps e Lentes para tornar a plataforma atraente quando a produção escalar — ou de a pressão ativista por disciplina financeira, agora integrada à lógica de reestruturação, forçar um cronograma completamente diferente.