Esse avanço foi o gatilho para uma reação em cadeia nos mercados na segunda-feira, 15 de junho.
O impacto mais imediato foi sobre o petróleo. Com a expectativa de retomada dos embarques no Golfo Pérsico — rota vital que escoa cerca de um quinto do petróleo mundial —, o barril de Brent desabou cerca de 4,5%, chegando a US$ 83,05–US$ 83,40, o menor patamar desde o início de março . Já o WTI caiu cerca de 4,7%, para a faixa de US$ 80,89
.
A descompressão geopolítica derreteu a demanda por ativos considerados portos-seguros, como o dólar americano, que caiu para mínimas de 5 de junho . Isso abriu espaço para o fortalecimento de diversas moedas asiáticas:
O rali não se limitou ao câmbio:
Apesar da euforia, analistas e companhias marítimas ponderam que a normalização completa dos fluxos globais de energia pode levar meses. Questões como acúmulos logísticos, a necessidade de liberação de seguros contra riscos de guerra e preocupações sobre a presença de minas navais iranianas na hidrovia permanecem como pontos de atenção . Tanto que, na terça-feira, 16 de junho, o petróleo ensaiou leve recuperação, com o Brent a US$ 83,42, diante de questionamentos sobre o detalhamento do pré-acordo
.
Em resumo, o Memorando de Islamabad funcionou como uma faísca para um movimento clássico de risk-on global, puxando moedas de países emergentes asiáticos para máximas de semanas e derrubando o dólar e o petróleo. Mas, como em toda negociação complexa, o diabo — e a sustentação do rali — ainda moram nos detalhes técnicos e políticos que virão.
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