Viktor Orbán serviu aproximadamente 20 anos em cinco mandatos, incluindo quatro consecutivos de 2010 a 2026. Pela nova regra, ele está automaticamente desqualificado. O próprio Péter Magyar também é afetado: a emenda limita seu próprio potencial mandato a no máximo oito anos .
A medida foi apresentada ao parlamento em 20 de maio de 2026, pouco mais de um mês após o Partido Tisza, de Magyar, conquistar uma maioria de mais de dois terços nas eleições de abril . Magyar fez campanha de forma consistente pelo limite de mandatos, classificando a permanência ilimitada no poder como um caminho direto para a concentração de poder e a erosão dos freios democráticos
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Além do limite de mandatos, a 16ª emenda extingue a base legal do Escritório de Proteção à Soberania (Szuverenitásvédelmi Hivatal, ou SPO). O órgão foi criado pela Lei de Proteção à Soberania de 2023 e recebeu amplos poderes para investigar indivíduos e organizações considerados a serviço de interesses estrangeiros .
Nas palavras do projeto de lei patrocinado pelo Tisza que acompanhou a emenda, “O Escritório de Proteção à Soberania não desempenha nenhuma função pública real, e sua criação atendeu puramente a intenções e interesses políticos” . Críticos, incluindo a Human Rights Watch, há muito descreviam o órgão como uma ferramenta para estigmatizar jornalistas, grupos da sociedade civil e figuras da oposição que recebiam financiamento estrangeiro
. A Comissão Europeia havia encaminhado a Hungria ao Tribunal de Justiça da União Europeia em 2024, argumentando que a Lei de Proteção à Soberania violava a legislação da UE sobre direitos fundamentais e proteção de dados
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O primeiro-ministro eleito Magyar sinalizou suas intenções no início de maio de 2026, prometendo acabar com o órgão “sem demora” e descrevendo-o como “um porrete político”, estimando que a extinção economizaria 6 bilhões de florins (€ 27 milhões) por ano do orçamento central .
O pacote de emendas também introduz um mecanismo para trazer fundações de interesse público para a propriedade e gestão estatal. Esses trusts, estabelecidos durante os anos Orbán, detinham bilhões de dólares em ativos e operavam como extensões da influência política fora do controle governamental ordinário . Ao alterar o Artigo 38 da Lei Fundamental sobre bens públicos, a 16ª emenda permite que o governo dissolva essas estruturas e recupere recursos para o orçamento do Estado
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Viktor Orbán reagiu com desdém. Em entrevista ao portal húngaro Index, classificou a decisão como “ridícula” e “engraçada porque não funciona”. Argumentou que “no fim das contas, é o povo quem decide”, sugerindo que os eleitores acabariam por anular a mudança constitucional se quisessem seu retorno . Seu partido Fidesz se opôs à emenda no parlamento, mas, com a votação final de 135 a 50 e 6 abstenções, os opositores não tinham os números para bloqueá-la
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A 16ª emenda agora faz parte da constituição húngara, mas sua durabilidade não é absoluta.
Uma reversão exigiria outra emenda constitucional. Como o limite de mandato está embutido na Lei Fundamental, uma futura maioria parlamentar poderia, em tese, removê-lo ou modificá-lo — mas apenas com outra votação de dois terços, o que requer uma coalizão de supermaioria ou um partido dominante único que comande a mesma aritmética parlamentar que o Tisza usou para aprovar a emenda original .
Desafios no Tribunal Constitucional são possíveis. Alguns analistas jurídicos observaram que nomeados da era Orbán para instituições, incluindo antigos indicados ao Tribunal Constitucional, mantêm legitimidade para contestar as reformas de Magyar. O próprio Tribunal foi privado de poderes substantivos de revisão sobre emendas constitucionais em 2013, mas grupos de oposição ainda poderiam tentar contestações processuais . Até meados de junho de 2026, nenhum desafio formal havia sido protocolado.
As instituições da UE estão observando. O caso de infração pendente da Comissão Europeia contra a Lei de Proteção à Soberania agora está efetivamente sem objeto, já que a base legal do órgão foi revogada. Não há desafios reportados em nível da UE à 16ª emenda em si, embora o processo mais amplo de restauração do Estado de Direito permaneça sob escrutínio da UE .
O risco político não pode ser descartado. A sobrevivência da emenda a longo prazo depende de resultados eleitorais sustentados que impeçam uma coalizão liderada pelo Fidesz de recuperar uma maioria constitucional. Se isso acontecesse, nada na constituição impede que um novo governo desfaça as disposições de limite de mandato — um ponto que o próprio Orbán pareceu insinuar ao chamar a emenda de “engraçada porque não funciona” .
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