O Que o Registro Oficial Revela: A situação fica ainda mais clara na prática. Até abril de 2026, o registro público de CASPs da ESMA continha apenas 184 entradas . Destas, apenas 14 detinham a autorização mais rara e crítica — a operação de uma plataforma de negociação
. Isso demonstra que, embora algumas empresas tenham conseguido licenças para serviços mais simples, administrar uma corretora de criptoativos em grande escala seguiu sendo um obstáculo altíssimo a ser superado.
A taxa de conversão não foi uniforme. O arcabouço regulatório pré-MiCA de cada Estado-membro influenciou fortemente quem sobreviveria à transição.
Este cenário desigual significa que, embora o número total de entidades licenciadas tenha caído vertiginosamente, as empresas sobreviventes são frequentemente players maiores e mais bem capitalizados, capazes de "passaportar" sua licença por todo o Espaço Econômico Europeu (EEE). O Relatório de Cripto na Europa de 2026 da Coincub aponta que, através do passaporte, essas poucas entidades ainda conseguem cobrir 86% da pegada geográfica do mercado pré-MiCA .
Uma autorização MiCA plena não serve apenas para uma empresa existir; ela define precisamente o que ela pode fazer. O regulamento estabelece uma lista de serviços de criptoativos que, uma vez autorizados, podem ser "passaportados" por todas as 30 nações do EEE.
Crucialmente, deter uma dessas licenças em um único Estado-membro da UE concede o direito de prestar aquele serviço por todo o EEE sob as regras de "passaporte", eliminando a necessidade de registros nacionais separados .
A pergunta sobre "duas empresas recentes" é complexa porque os anúncios são contínuos e a verificação depende da fonte. No entanto, as evidências fornecidas identificam algumas empresas que muito recentemente formalizaram seu status compatível com a MiCA:
Nexo: No início de junho de 2026, a plataforma declarou publicamente que havia estabelecido uma estrutura em conformidade com a MiCA sob supervisão regulatória alemã via BaFin — amplamente considerado um dos reguladores de cripto mais rigorosos da UE . A empresa anunciou uma transição tranquila de seus clientes existentes no EEE para esta nova estrutura a partir de 1º de julho.
Zerohash Europe: A subsidiária baseada em Amsterdã da Zerohash garantiu uma dupla aprovação de destaque. Após receber sua autorização MiCA da Autoridade Holandesa para os Mercados Financeiros (AFM) em outubro de 2025, tornou-se a primeira empresa a também garantir uma licença plena de Instituição de Moeda Eletrônica (EMI) do banco central holandês em maio de 2026, especificamente para serviços de corretagem de stablecoins . Esta estrutura de licença dupla representa o mais alto nível de integração regulatória sob o novo regime.
Outros grandes nomes que conseguiram a façanha em várias jurisdições da UE incluem Bitpanda (Alemanha), OKX e Crypto.com (Malta), Blockchain.com (Malta), SwissBorg (França), B2C2 (Luxemburgo), Coinbase (Irlanda) e Kraken (Irlanda) .
A ESMA foi inequívoca em seu comunicado de 17 de abril de 2026: após 1º de julho de 2026, não existe status intermediário. Uma empresa está autorizada sob a MiCA ou está violando a lei da UE e deve cessar imediatamente todos os serviços de criptoativos para clientes na UE .
Este penhasco regulatório foi projetado para limpar um emaranhado de mais de 3.000 registros nacionais, transformando-o em um sistema harmonizado e supervisionado. O resultado é um grupo menor e muito mais rigorosamente avaliado de Provedores de Serviços de Criptoativos licenciados — cerca de 200 na última contagem — que agora controlam o acesso regulado a um dos maiores mercados de ativos digitais do mundo.
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