O projeto não bane os mercados de previsão em si, mas cria uma proibição específica de insider trading atrelada a eventos políticos e decisões de políticas públicas. Em 30 de abril de 2026, Budzinski enviou uma carta ao Presidente da Câmara, Mike Johnson, cobrando uma votação em plenário, mas até 19 de maio de 2026 a Casa ainda não havia deliberado sobre nenhuma proibição do tipo .
Um dia após o anúncio do PREDICT Act, um grupo bipartidário de senadores apresentou o Public Integrity in Financial Prediction Markets Act of 2026. Patrocinado pelos senadores John Curtis (R-UT), Elissa Slotkin (D-MI), Todd Young (R-IN) e Adam Schiff (D-CA), o projeto amplia as restrições de insider trading a todos os funcionários federais eleitos e servidores públicos, além de impor uma exigência de divulgação das apostas feitas nesses mercados .
Os agentes cobertos incluem o Presidente, o Vice-Presidente, membros do Congresso, assessores parlamentares e indicados políticos . O texto prevê multas de até o dobro dos lucros auferidos com operações proibidas
.
A proposta legislativa mais agressiva é o Stop Trading On Predictions and Corrupt Bets Act of 2026 (STOP Corrupt Bets Act), apresentada em 26 de março de 2026 pelo senador Jeff Merkley (D-OR) e pela deputada Jamie Raskin (D-MD). Os números de tramitação são S. 4226 no Senado e H.R. 8123 na Câmara .
O projeto alteraria a Lei de Bolsas de Mercadorias (Commodity Exchange Act) para vedar de forma expressa certos contratos de eventos, especificamente aqueles ligados a eleições políticas, esportes, ações governamentais e operações militares . Entre os copatrocinadores estão as senadoras Elizabeth Warren (D-MA), Richard Blumenthal (D-CT), Chris Van Hollen (D-MD) e Sheldon Whitehouse (D-RI)
. Isso representa uma escalada significativa: sai-se de salvaguardas contra insider trading para uma proibição estrutural das principais categorias de contratos dos mercados de previsão.
Em 15 de junho de 2026, a Bitbank — uma das maiores exchanges de criptomoedas registradas no Japão — emitiu um comunicado oficial alertando que usuários que transacionassem com plataformas de mercado de previsão, citando nominalmente a Polymarket, teriam suas contas suspensas imediatamente .
O congelamento é abrangente: as contas afetadas perdem o acesso ao login, aos depósitos e saques de criptoativos e ienes japoneses, e a todas as funções de negociação . A exchange deixou claro que não se responsabiliza por quaisquer perdas decorrentes dessas medidas
.
A Bitbank embasou sua ação na histórica proibição de jogos de azar no Japão. O Artigo 185 do Código Penal japonês classifica como contravenção penal apostar itens de valor em resultados incertos do mundo real com fins de ganho financeiro, sujeitando o infrator a multas de até ¥500.000 (cerca de R$ 17 mil na cotação atual) . A exchange enfatizou que isso se aplica mesmo quando os serviços de mercado de previsão são operados por entidades estrangeiras
.
Vale lembrar que a Agência Nacional de Polícia do Japão já declarou que residentes que acessam e participam de jogos de azar online no exterior — mesmo quando a plataforma opera legalmente em seu país de origem — continuam cometendo um ato criminoso . Os mercados de previsão não foram autorizados sob a Lei de Instrumentos Financeiros e Câmbio do Japão, e a Agência de Serviços Financeiros (FSA) jamais emitiu uma diretriz que abra um caminho legal para eles
.
Ironicamente, a Polymarket já bloqueia usuários baseados no Japão e, em maio de 2026, estava supostamente buscando aprovação para operar no país — um processo que agora parece dramaticamente mais complicado .
Em abril de 2026, a Assembleia Geral do Kentucky aprovou um imposto seletivo de 14,25% sobre as taxas de transação cobradas pelas operadoras de mercados de previsão — o primeiro tributo do gênero nos Estados Unidos .
Em 12 de junho de 2026, um grupo intitulado Coalizão por Mercados Justos — composto por Kalshi, Crypto.com e Polymarket — moveu uma ação na justiça estadual do Kentucky contestando a cobrança . A petição argumenta que o imposto é discriminatório, inconstitucional e conflita com a legislação federal
. O argumento central é que a alíquota é superior àquela aplicada à "indústria estabelecida favorecida" do estado
.
O caso ainda está pendente e testará uma questão jurídica inédita: se os estados podem isolar os operadores de mercados de previsão com impostos seletivos que potencialmente violam a regulação federal de commodities.
As três frentes compartilham um fio condutor: os mercados de previsão deixaram de ser ignorados como uma zona cinzenta regulatória. Em Washington, o leque de projetos — desde regras pontuais contra insider trading até proibições quase totais — mostra que os legisladores ainda estão definindo onde traçar a linha. No Japão, a linha já foi traçada, e a fiscalização começou. No Kentucky, a briga é sobre dinheiro e jurisdição, não apenas sobre legalidade.
Para as plataformas, o desafio é agora existencial. Elas precisam navegar simultaneamente por múltiplos regimes regulatórios conflitantes, cada um com o poder de redefinir onde, como e até mesmo se os mercados de previsão podem operar.
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