A restrição era tão ampla que atingia até mesmo funcionários estrangeiros da própria Anthropic que trabalham com visto nos EUA . Sem conseguir aplicar um bloqueio seletivo de forma instantânea, a empresa tomou uma decisão drástica: derrubou o acesso para todo mundo, inclusive usuários americanos, desabilitando os modelos globalmente
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Os dois modelos representam a ponta de lança da Anthropic. O Fable 5 é a versão voltada para o público geral e havia sido lançada havia apenas três dias quando a ordem de restrição chegou . Ela é descrita como uma ferramenta para trabalhos de conhecimento pesados
. Já o Mythos 5 é um modelo ainda mais avançado, cujo acesso já era restrito a um grupo seleto de organizações por preocupações com cibersegurança
. A ordem do governo tratou ambos como uma ameaça única sob a ótica do controle de exportação.
Diante do bloqueio, a Anthropic agiu rápido. Sua equipe de funcionários técnicos seniores viajou para a capital e, segundo fontes familiarizadas com o assunto, já participou de reuniões virtuais com representantes da Casa Branca desde que a ordem foi emitida . O grande encontro presencial está marcado para esta segunda-feira, 15 de junho, com autoridades do Departamento de Comércio
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O objetivo da Anthropic é claro: "resolver o conflito e restaurar o acesso aos seus sistemas mais avançados" . Os canais de comunicação incluem tanto a Casa Branca quanto o Departamento de Comércio, indicando uma negociação de alto nível entre a iniciativa privada e o poder executivo americano
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A medida do governo não passou sem reações fortes do mercado e da comunidade de segurança digital. A justificativa de "segurança nacional" foi recebida com ceticismo por especialistas. A revista Reason, por exemplo, classificou a ação como uma medida que "matou efetivamente o acesso público ao mais recente modelo de inteligência artificial da Anthropic" .
Mais do que críticas de mídia, um coro de pesos pesados da cibersegurança se levantou contra o veto. Líderes de segurança da informação (CISOs), pesquisadores e executivos de empresas como Adobe, Zoom e Sophos fizeram um apelo conjunto à administração Trump. O argumento central é de que a restrição "prejudica os defensores cibernéticos e beneficia agentes mal-intencionados". Segundo eles, cortar o acesso ao primeiro modelo público da classe Mythos (uma referência à sua potência) pode enfraquecer severamente as defesas justamente quando o mundo se prepara para um novo dilúvio de ameaças digitais .
As cartas estão na mesa, mas um desfecho ainda está longe. As conversas são descritas como intensas, mas até a noite de domingo, nenhum acordo havia sido alcançado, e os modelos permanecem fora do ar . A Anthropic discorda abertamente da abordagem do governo
, enquanto tenta provar que a inovação em IA e a segurança nacional podem — e devem — caminhar juntas.
O caso é visto como o embate mais significativo entre uma empresa de IA e o governo americano até agora, e seu desfecho pode ditar as regras de como tecnologias de fronteira serão controladas nos próximos anos.