O sorteio, no entanto, não deu trégua: os noruegueses caíram no Grupo I, amplamente apontado como um dos mais duros da competição . Pela frente, três adversários de estilos bem diferentes.
| Adversário | Perfil | Data da partida |
|---|---|---|
| Iraque | Estreante recente, equipe física e de contra-ataque | 16 de junho |
| Senegal | Seleção africana bem organizada, com força defensiva | 23 de junho |
| França | Bicampeã mundial, repleta de estrelas e candidata ao título | 26 de junho |
A abertura contra o Iraque em Foxborough é vista como o jogo-chave para a Noruega embalar. Depois, Senegal e França serão pedreiras que vão testar a capacidade do time de furar defesas mais compactas — justamente uma das dificuldades apontadas por analistas na campanha norueguesa.
Se depender das palavras do técnico Ståle Solbakken, a confiança no camisa 9 é total. Veterano remanescente da seleção norueguesa que disputou a Copa de 1998, Solbakken não economiza elogios ao descrever Haaland.
“Acredito que ele é o melhor finalizador do mundo. Está no pico da condição física. A performance dele nos treinos tem evoluído constantemente. Se dermos chances ao Erling, ele tende a achar o fundo das redes”, afirmou o treinador
.
Solbakken também exalta o jeito tranquilo do astro, classificando-o como um “superstar descomplicado”, que lida com a atenção avassaladora com uma naturalidade surpreendente . Dentro de campo, a Noruega joga num sistema direto e de alta intensidade (alternando entre 4-3-3 e um 4-1-4-1 dinâmico), pensado sob medida para explorar a movimentação de Haaland entre linhas e sua finalização cirúrgica
.
Mas o treinador não depende apenas de seu artilheiro. A estrutura da equipe começa em um meio-campo criativo que tem em Martin Ødegaard o grande regente. O capitão do Arsenal distribuiu sete assistências em cinco jogos das Eliminatórias e é o principal responsável por abastecer Haaland em zonas de perigo .
O ex-atacante norueguês Tore André Flo, que brilhou na Premier League, é um dos que fazem coro para a ideia de que essa Noruega vai muito além de sua dupla de astros.
“Esse time tem vários grandes talentos. Agora existem mais do que apenas dois jogadores capazes de influenciar decisivamente os resultados. Temos ameaças vindas de todo o time”, disse Flo
.
A defesa, por exemplo, é um setor que traz segurança rara para uma seleção acostumada a frustrações. Kristoffer Ajer (Brentford) forma uma dupla de zaga sólida ao lado de Torbjørn Heggem, com Julian Ryerson (Borussia Dortmund) e David Møller Wolfe (Wolves) como laterais .
No ataque, Solbakken conta com outras alternativas de peso. Alexander Sørloth, do Atlético de Madrid, e Jørgen Strand Larsen, do Crystal Palace, oferecem variações táticas e garantem que a Noruega não fique refém exclusivamente de Haaland para balançar as redes .
O apelido de “geração de ouro” não é exagero. Durante as Eliminatórias, a Noruega somou oito vitórias em oito jogos, marcando 37 gols — o melhor ataque de qualquer seleção europeia em toda a fase de classificação .
Haaland foi um trator: balançou as redes em todos os oito jogos das Eliminatórias, terminando com 16 gols na competição — o dobro do segundo colocado na artilharia europeia, e igualando o recorde de gols de um jogador europeu em um único ciclo classificatório para a Copa .
A goleada de 11 a 1 sobre a Moldávia, com cinco gols de Haaland, virou símbolo dessa fase avassaladora . Curiosamente, mesmo no intervalo daquela partida — com o placar em 5 a 0 —, Solbakken entrou no vestiário furioso com a atitude da equipe, um traço de sua personalidade exigente e detalhista que define o comando norueguês
.
Os dias de preparação nos Estados Unidos mesclam concentração intensa e momentos de descontração calculada. Na Carolina do Norte, onde a Noruega montou sua base em Greensboro, os jogadores participaram de treinos pesados e também de atividades para aliviar a pressão .
Haaland, que se tornou pai recentemente, aproveitou o tempo livre para praticar golfe com amigos de infância em Marbella, antes de viajar, e durante a estada nos EUA ocupou as horas vagas com videogames e leituras sobre paternidade .
O gesto de maior repercussão, no entanto, aconteceu em 12 de junho. Haaland e vários companheiros de seleção marcaram presença no Jogo 5 das Finais da Stanley Cup, a grande decisão da NHL, entre o Carolina Hurricanes e o Vegas Golden Knights, na Lenovo Center, em Raleigh, a poucos quilômetros do centro de treinamento norueguês .
Vestindo a camisa do Hurricanes com o número 9 às costas, Haaland acenou para os torcedores, sorriu quando sua imagem apareceu nos telões do ginásio e se deixou contagiar pela atmosfera da noite — o time da casa venceu e assumiu a liderança da série final . Foi um respiro simbólico antes de vestir a camisa da Noruega no palco que une seu destino ao do pai.
A Noruega não pisa uma Copa desde 1998. Naquele ano, Alf-Inge Haaland era o rosto de uma equipe que não sobreviveu às oitavas de final. Agora, o filho lidera uma geração que carrega 28 anos de saudade de um país que respira esportes de inverno, mas que há décadas sonha em voltar a ser protagonista no verão do futebol.
Ao entrar em campo no Gillette Stadium, Haaland não estará apenas estreando em Copas. Ele estará reescrevendo a história de sua família — e, se tudo der certo, a do futebol norueguês.
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