Se o Uruguai enfrentou um problema operacional, uma nação africana inteira foi praticamente riscada do mapa da Copa. Os Estados Unidos mantêm uma proibição de viagens que afeta 39 países, com suspensão total de vistos para 19 deles. Costa do Marfim, Senegal, Irã e Haiti — todos participantes do torneio — estão sob essas sanções .
O caso mais extremo é o costa-marfinense. O presidente do Comitê Nacional de Apoiadores dos Elefantes (CNSE), Julien Kouadio Adonis, confirmou que todos os torcedores organizados do país foram universalmente proibidos de obter vistos americanos. "Os torcedores cancelaram a viagem porque o governo dos EUA não quer ver torcedores de certos países, incluindo a Costa do Marfim, em seu solo", declarou Adonis. A medida não afeta apenas um grupo isolado, pois o comitê opera sob a chancela do Ministério do Esporte do país .
O veto se estende a outras nações africanas. Delegações de torcedores de Senegal também tiveram seus vistos negados em massa, em um processo descrito como "rejeições sistêmicas" por declarações obtidas pela AFP .
A polêmica ganhou contornos ainda mais dramáticos com o caso de Omar Abdulkadir Artan. Aos 34 anos, o árbitro estava pronto para fazer história como o primeiro somali a apitar uma partida de Copa do Mundo. Ele desembarcou no Aeroporto Internacional de Miami em 6 de junho portando passaporte diplomático e visto americano válido .
Mas, em vez do campo, Artan encontrou uma sala de detenção. Agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) o consideraram "inadmissível por preocupações de verificação" e o mantiveram detido durante a noite antes de deportá-lo . Dias depois, um porta-voz do governo americano foi mais específico: a entrada foi negada devido a "ligações com suspeitos de integrar organizações terroristas"
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A FIFA se eximiu de responsabilidade, afirmando oficialmente que "não participa dos procedimentos de imigração do país-sede" e que Artan não atuará no torneio. A entidade garantiu, porém, que o árbitro receberá integralmente a taxa prevista para sua participação na Copa . Ao retornar a Mogadíscio, Artan foi recebido como herói nacional
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Os incidentes individuais refletem um problema estrutural com consequências financeiras palpáveis. A política migratória restritiva dos EUA está contribuindo para arquibancadas vazias e um retorno econômico muito abaixo do esperado para as cidades-sede.
O que emerge nos primeiros dias do torneio é um conflito de proporções entre um ideal esportivo e a dura realidade política. O país que deveria ser o palco da maior festa do futebol impõe barreiras que impedem nações inteiras de torcerem por seus times e até mesmo um árbitro pré-aprovado de exercer sua função.
A Copa de 2026, que prometia ser um espetáculo de união e recordes, se vê ofuscada por um placar adverso fora das quatro linhas. A pergunta que paira no ar é se haverá prorrogação para reverter esse prejuízo ou se o legado do torneio já está comprometido por decisões que vão muito além do gramado.
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