Esta não é uma novidade na retórica ocidental. Já em março de 2026, o mesmo grupo de países, juntamente com os Países Baixos e o Japão, havia condenado "nos termos mais fortes" os ataques iranianos a navios comerciais desarmados e a "de facto" interrupção da via marítima, mostrando disposição para apoiar iniciativas de segurança marítima .
Embora o texto final e completo do acordo não tenha sido divulgado oficialmente, seus principais pilares foram revelados por altos funcionários dos EUA e pela agência de notícias semi-oficial iraniana Mehr News . O memorando funciona como uma moldura para negociações futuras, sendo dividido em duas etapas.
O Estágio 1 é imediato e tem duração de 60 dias. Ele inclui:
O Estágio 2 será negociado ao longo desses 60 dias iniciais. A pauta prevê discussões abrangentes sobre o programa nuclear iraniano, incluindo limites aos níveis de enriquecimento de urânio, o status dos estoques, mecanismos de verificação e a estrutura para um acordo de caráter permanente . A mídia estatal iraniana divulgou que um rascunho de 14 pontos também prevê a liberação de US$ 24 bilhões em ativos congelados durante as negociações .
A construção do memorando não teria sido possível sem um mediador com trânsito livre entre dois inimigos históricos. Omã assumiu esse papel de forma discreta e eficaz, servindo como ponte diplomática entre Washington e Teerã durante todo o processo .
O Ministro das Relações Exteriores omanita, Badr Albusaidi, foi peça central na intermediação. Ele se reuniu pessoalmente com o vice-presidente americano JD Vance e liderou as sessões de vaivém entre o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, em rodadas que passaram por Mascate, Genebra e Roma . No final de fevereiro, Albusaidi já descrevia um "avanço significativo", declarando à CBS News que "um acordo de paz está ao nosso alcance" .
O Sultanato de Omã não é um mediador improvisado. Com uma longa tradição de política externa independente, o país cultiva relações igualmente sólidas com as monarquias do Golfo, com os clérigos xiitas do Irã e com Washington, o que o torna um interlocutor natural para crises regionais que exigem um canal de comunicação confiável e discreto .