O otimismo se apoia em um avanço diplomático real, mas também é delicado. O acordo, batizado de Memorando de Islamabad, adia as questões mais espinhosas para conversas futuras e foi imediatamente desafiado por um ataque aéreo israelense em Beirute, que a Casa Branca condenou . Os mercados estão apostando no melhor cenário possível; a seguir, contamos a história completa por trás dos movimentos e dos riscos.
A escala dos movimentos desta segunda-feira refletiu o tamanho da distorção que a guerra havia causado nos preços de ativos no mundo todo. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do consumo global de petróleo, estava bloqueado e no centro do conflito. A perspectiva de sua rápida reabertura reconfigurou as expectativas da noite para o dia.
O acordo é formalmente conhecido como Memorando de Islamabad (ou Declaração de Islamabad), em reconhecimento ao papel central do Paquistão como principal mediador. Catar, Egito e Turquia também participaram das negociações .
É importante deixar claro: não se trata de um tratado de paz definitivo, mas sim de um memorando de entendimento (MoU, na sigla em inglês) provisório que abre espaço para conversas mais amplas. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, descreveu os principais pontos do acordo, que foram confirmados por autoridades americanas e iranianas :
O documento é descrito como uma estrutura de 14 pontos. Por ser um MoU preliminar, e não um tratado ratificado, as questões mais críticas — níveis de enriquecimento de urânio, mecanismos de alívio de sanções e decisão final sobre o material enriquecido — seguem sem solução .
A euforia desta segunda-feira já embute um caminho suave rumo à paz, mas a situação diplomática é instável. Diversas ameaças imediatas pairam sobre o acordo.
Os mercados estão comemorando a remoção da maior interrupção de oferta global de energia desde o início da guerra. Se o Estreito de Ormuz for reaberto como prometido, os preços do petróleo podem cair ainda mais, as pressões inflacionárias se aliviariam e os bancos centrais ganhariam mais margem de manobra.
No entanto, o alicerce é um memorando provisório — não um tratado abrangente — e duas das questões mais críticas, o programa nuclear iraniano e o papel do não-signatário Israel, permanecem sem resposta. A alta é real, mas a fragilidade por baixo dela também.