A FIFA confirmou sua exclusão da lista de árbitros do torneio no dia seguinte, declarando: "A FIFA não está envolvida nas decisões de imigração do país-sede" . A entidade acrescentou que as autoridades locais deixaram claro que a situação de Artan não mudaria
.
O governo Trump ofereceu duas explicações públicas, uma vaga e outra direta. Andrew Giuliani, diretor-executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa, disse que qualquer pessoa "que se comunique com agentes contrários aos valores dos Estados Unidos da América" seria barrada, mas se recusou a dar detalhes .
Horas depois, uma fonte anônima do governo disse à Associated Press que a negativa foi baseada em "associação com suspeitos de integrar organizações terroristas" . O comunicado do próprio CBP citou "informações desabonadoras" descobertas durante a inspeção
. Nenhum grupo específico, prova ou relatório de inteligência foi citado publicamente.
O próprio Artan afirmou ter dito aos agentes de fronteira que não sabia nada sobre o grupo militante somali Al-Shabab .
De volta a Mogadíscio, Artan foi recebido como herói por centenas de apoiadores com bandeiras, uma recepção que contrastou fortemente com o silêncio da sala de detenção em Miami .
"O que aconteceu foi a vontade de Deus e eu aceitei", disse Artan aos jornalistas, descrevendo a experiência como "destino". Ele imediatamente traçou uma nova meta: apitar a Copa do Mundo de 2030 .
A Federação Somali de Futebol condenou a decisão americana, e o Ministério das Relações Exteriores da Somália convocou o embaixador americano para exigir uma explicação oficial .
A FIFA enfrentou pressão imediata para agir. A entidade máxima removeu Artan da lista oficial de árbitros, mas se comprometeu a pagar a ele o cachê integral do torneio — o pacote completo de remuneração que ele receberia se tivesse apitado — como um gesto de boa vontade .
A FIFA não divulgou o valor exato em dólar, mas os cachês dos árbitros em Copas do Mundo costumam chegar a dezenas de milhares de dólares por uma participação completa no torneio. A decisão foi confirmada por diversos veículos citando fontes da própria FIFA e da ESPN .
Até meados de junho de 2026, Artan não recebeu nenhuma nomeação alternativa para outro grande torneio. Seu foco declarado é se classificar para a Copa de 2030, e nenhuma escala provisória foi anunciada .
O caso deixa aberta uma pergunta significativa: uma única decisão de segurança americana — tomada sem provas públicas — pode atrapalhar permanentemente a carreira de um árbitro internacional no mais alto nível do esporte?
O caso de Artan não aconteceu isoladamente. Ele fez parte de um descompasso maior entre a política de imigração dos EUA e a expectativa da FIFA de que os países-sede facilitem o acesso de todos os credenciados.
O caso paralelo mais significativo envolveu o Irã. Embora todos os 26 jogadores iranianos tenham recebido vistos, ao menos 14 membros essenciais da equipe de apoio — incluindo dirigentes, pessoal administrativo e médico — foram barrados .
A federação de futebol do Irã acusou os EUA de "comportamento vingativo" e "tratamento discriminatório" . O técnico Amir Ghalenoei disse estar "decepcionado com esse tipo de atitude" e enfatizou que "isso certamente nunca havia acontecido antes"
. A seleção foi forçada a montar sua base em Tijuana, no México, e cruzar a fronteira para jogar na Califórnia e em Seattle
.
Quatro integrantes da comissão iraniana venceram recursos pelos vistos posteriormente, mas outros 11 seguiam impedidos de pisar em solo americano até meados de junho de 2026 .
Uma ordem executiva mais ampla do governo Trump afetou cidadãos de 39 países, incluindo participantes da Copa como Haiti, Irã, Costa do Marfim e Senegal. A política impediu que a maioria dos torcedores comuns dessas nações conseguisse vistos para assistir às partidas nos EUA, embora houvesse exceções para atletas, técnicos e equipe essencial .
Há uma distinção crítica entre os dois casos principais. A negativa de Artan foi baseada em uma triagem de segurança individualizada — uma alegação de associação pessoal com suspeitos de terrorismo. Já a disputa com o Irã foi uma negativa em massa de vistos para membros da delegação que não eram jogadores, sem que houvesse alegações individualizadas de segurança.
Ambos os casos, no entanto, expuseram a mesma tensão central: um país-sede exercendo uma fiscalização imigratória agressiva em um torneio no qual a FIFA espera acesso livre de atritos para todos os participantes credenciados.