A startup Avalanche Energy aqueceu plasma a 11 milhões de °C em um dispositivo de 13 cm, gastando menos de US$ 50 milhões — um feito que poucas empresas no mundo alcançaram. O reator SPARC, da Commonwealth Fusion Systems, está 75% concluído em Massachusetts, com os primeiros ímãs supercondutores instalados e a meta...

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A indústria de energia de fusão está saindo do campo da promessa científica e entrando na realidade da engenharia em um ritmo jamais visto. Só no primeiro semestre de 2026, uma startup aqueceu plasma à temperatura do núcleo do Sol em um dispositivo do tamanho de uma bola de futebol, o mais avançado tokamak privado do mundo ocidental atingiu 75% de conclusão, e parcerias multigovernamentais começaram a financiar a próxima geração de reatores. Esses marcos se apoiam sobre um fluxo recorde de capital privado que remodelou completamente o cenário competitivo.
Com sede em Seattle, a Avalanche Energy anunciou em junho de 2026 que seu compacto dispositivo "Jyn" mediu temperaturas iônicas aparentes acima de 1 keV — aproximadamente 11 milhões de °C — em um reator de apenas 13 cm de diâmetro . Essa temperatura é equivalente à do núcleo do Sol e ultrapassa o consagrado limiar de 10 milhões de graus considerado necessário para sustentar reações de fusão
.
Apenas um punhado de empresas no mundo cruzou essa marca. A Avalanche afirmou ter gasto menos de US$ 50 milhões em investimento de capital de risco para chegar lá, um requisito de capital extraordinariamente baixo para um setor dominado por projetos de tokamaks de bilhões de dólares .
O marco de temperatura consolida uma sequência de recordes de alta voltagem que a empresa já havia estabelecido. Em 2025, a Avalanche sustentou 300.000 volts em um espaço de 6,35 centímetros — um gradiente de campo elétrico médio de mais de 4,7 megavolts por metro . Em junho de 2026, também atingiu um recorde de 200 kV em fusão eletrostática e fechou uma rodada de investimento Série A de US$ 40 milhões liderada pela Lowercarbon Capital, com a participação da Founders Fund e Toyota Ventures
.
A abordagem da Avalanche é baseada em um esquema de confinamento magneto-eletrostático chamado Orbitron, detalhado em três artigos revisados por pares . A tecnologia mira reatores compactos que produzem de 5 quilowatts a algumas centenas, uma escala radicalmente diferente das máquinas do tamanho de estádios de futebol buscadas pela maioria dos concorrentes
. Uma nova instalação de P&D, apoiada por uma subvenção estadual de US$ 10 milhões do estado de Washington, deve iniciar suas operações em 2027
.
A Commonwealth Fusion Systems (CFS) está construindo o SPARC, um tokamak em Devens, Massachusetts, projetado para ser a primeira máquina de fusão comercialmente relevante do mundo a produzir energia líquida (Q>1). Em abril de 2026, a CFS informou que o SPARC está cerca de 75% concluído, com o salão do tokamak agora um intenso formigueiro de atividade de montagem .
Os principais marcos de construção do último ano incluem:
Brandon Sorbom, cofundador e diretor científico da CFS, afirmou que a empresa está "mirando o primeiro plasma em 2027 e, em seguida, obter um Q maior que um o mais rápido humanamente possível" . O projeto anteriormente visava o primeiro plasma em 2025 e depois em 2026; o cronograma atual reflete a complexidade de integrar uma classe totalmente nova de ímãs supercondutores de alto campo em um tokamak funcional
.
A CFS levantou US$ 863 milhões em sua rodada de financiamento mais recente (Série B2), que a empresa descreveu como a última captação antes de o SPARC tentar demonstrar a energia líquida . Artigos revisados por pares publicados no Journal of Plasma Physics preveem que o SPARC alcançará Q>1 com uma margem considerável
. Uma vez bem-sucedido, a CFS planeja construir o ARC, uma usina de fusão projetada para fornecer eletricidade à rede.
A Tokamak Energy, sediada no Reino Unido, garantiu em maio de 2026 um projeto de financiamento conjunto de US$ 52 milhões com o Departamento de Energia dos EUA (DOE) e o Departamento de Segurança Energética e Net Zero do Reino Unido (DESNZ) para atualizar seu tokamak esférico experimental ST40 .
O upgrade, que vai de 2026 a 2028, visa alcançar condições de fusão adequadas para operação prolongada em uma futura planta piloto. Mudanças cruciais incluem o refaceamento da coluna central para maior desempenho, a substituição de pastilhas de grafite que revestem a face do plasma por componentes revestidos de molibdênio e a aplicação de um revestimento de lítio nas paredes internas do ST40 . A Tokamak Energy chama o programa de LEAPS (Evaporações de Lítio para Avançar os PFCs no ST40).
Antes do upgrade, o ST40 encerrou 2025 com uma série de resultados recordes: sua maior corrente de plasma, maior energia armazenada e maior produto triplo de fusão — uma métrica composta que mede temperatura, densidade e tempo de confinamento .
Olhando mais adiante, a Tokamak Energy avança nos planos para o ST80-HTS, um tokamak esférico de alto campo com ímãs supercondutores de alta temperatura, a ser construído no Campus Culham da Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido. A empresa anteriormente visava a conclusão em 2026, mas planos mais recentes apontam para um cronograma de desenvolvimento mais longo, com a máquina destinada a informar o projeto de uma planta piloto de fusão chamada ST-E1, que poderá entregar até 200 MWe de eletricidade à rede no início da década de 2030 .
O maior tokamak em operação do mundo, o JT-60SA em Naka, no Japão, reiniciou o comissionamento integrado em maio de 2026 após um grande upgrade. Equipes europeias e japonesas instalaram novas bobinas em forma de anel com cerca de 8 metros de diâmetro, enroladas dentro do próprio vaso, para controlar a posição do plasma em alta velocidade . A máquina agora se prepara para uma nova rodada de experimentos visando condições de plasma mais quentes, mais longas e mais exigentes.
Na China, o Tokamak Supercondutor Avançado Experimental (EAST) manteve a estabilidade do plasma em densidades extremas antes consideradas impossíveis, e pesquisadores já demonstraram que o aprendizado por reforço profundo pode ajudar a estabilizar o plasma em tokamaks — uma capacidade agora sendo estendida a outras máquinas .
A pesquisa não localizou um artigo específico do Financial Times contendo um valor de mercado de US$ 73 bilhões. O FT, de fato, noticiou a constatação da Fusion Industry Association de que as empresas de fusão levantaram US$ 2,6 bilhões nos 12 meses até julho de 2025 , mas nenhum relatório de mercado de US$ 73 bilhões foi encontrado nas fontes disponíveis.
O que está bem documentado é a disparada do capital privado:
Um Roteiro de Ciência e Tecnologia de Fusão do DOE (Departamento de Energia dos EUA) não foi encontrado nas fontes disponíveis. O DOE está visivelmente ativo no ecossistema de fusão — sua validação independente do ímã TF da CFS e seu cofinanciamento do upgrade do ST40 da Tokamak Energy são exemplos concretos — mas nenhum documento independente e publicamente divulgado de roteiro apareceu nos resultados da busca.
O setor de fusão em 2026 tem três características principais: diversificação (designs de reatores de mesa, esféricos e tokamaks de alto campo estão avançando em paralelo), redução de risco (ímãs validados pelo DOE e programas de upgrade multigovernamentais sinalizam uma crescente confiança institucional) e aceleração (€13 bilhões em capital privado e hardware real preenchendo os salões dos tokamaks). A questão que resta não é se a fusão pode atingir a energia líquida, mas qual design, em que escala e no cronograma de quem chegará lá primeiro.
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A startup Avalanche Energy aqueceu plasma a 11 milhões de °C em um dispositivo de 13 cm, gastando menos de US$ 50 milhões — um feito que poucas empresas no mundo alcançaram.
A startup Avalanche Energy aqueceu plasma a 11 milhões de °C em um dispositivo de 13 cm, gastando menos de US$ 50 milhões — um feito que poucas empresas no mundo alcançaram. O reator SPARC, da Commonwealth Fusion Systems, está 75% concluído em Massachusetts, com os primeiros ímãs supercondutores instalados e a meta de obter energia líquida (Q 1) em 2027.
O investimento privado global em fusão atingiu €13 bilhões, e a Tokamak Energy garantiu US$ 52 milhões em parceria com os governos dos EUA e Reino Unido para turbinar seu reator ST40.