Segundo a reportagem, pesquisadores da Amazon executaram uma série de comandos no recém-lançado modelo Fable 5 da Anthropic e extraíram com sucesso informações que poderiam ser usadas para facilitar ataques cibernéticos — material que as barreiras de segurança do modelo foram explicitamente projetadas para manter fora de alcance . Não foi uma falha superficial; fontes caracterizaram a descoberta como um desvio de segurança genuíno que expunha capacidades potencialmente perigosas .
A decisão de Jassy de levar essas preocupações diretamente aos mais altos níveis do governo preparou o terreno para uma intervenção federal dramática. Como um investidor da Anthropic, a ação da Amazon foi vista por alguns como um ato responsável de red-teaming (teste de segurança ofensivo) e, por outros, como uma manobra complexa e talvez concorrencial de uma gigante da tecnologia que é ao mesmo tempo parceira e rival feroz da startup .
A conversa de Jassy não apenas provocou uma revisão; ela detonou uma ação relâmpago de controle de exportação. O governo Trump determinou que os modelos da Anthropic representavam um risco à segurança nacional suficiente para justificar restrições de exportação imediatas. Na noite de sexta-feira, 12 de junho, o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, enviou uma carta ao CEO da Anthropic, Dario Amodei, colocando formalmente o Fable 5 e o Mythos 5 sob limitações de exportação .
A diretriz era avassaladora. Ela suspendia todo o acesso aos modelos por qualquer cidadão estrangeiro, dentro ou fora dos Estados Unidos — uma definição que chegava a incluir os próprios funcionários estrangeiros da Anthropic . Isso colocou a empresa em uma posição impossível.
Como a Anthropic não conseguia distinguir, de forma confiável, usuários estrangeiros de domésticos em tempo real para cumprir a ordem legal, tomou uma decisão drástica. Para garantir total conformidade, desativou abruptamente tanto o Fable 5 quanto o Mythos 5 para todos os usuários no mundo todo, exatamente às 17h21, horário do leste dos EUA . Modelos que haviam sido lançados apenas 72 horas antes, em 9 de junho, ficaram indisponíveis para todos .
Ao banimento, seguiu-se uma feroz disputa pública sobre a gravidade da ameaça e a adequação da resposta do governo.
A Amazon não negou publicamente a reportagem do WSJ. Embora não tenha emitido uma declaração formal abordando diretamente as conversas de Jassy, sua posição, citada por fontes, era de que estava agindo com responsabilidade ao alertar as autoridades sobre uma vulnerabilidade genuína descoberta durante uma pesquisa interna de segurança . Essa postura apresentava a Amazon como uma pesquisadora de segurança de boa-fé, embora seu papel de grande investidora da Anthropic adicionasse uma camada de complexidade à percepção pública do caso.
A Anthropic contestou imediatamente tanto o conteúdo quanto a escala da ação do governo. Em uma declaração pública, a empresa confirmou a diretriz, mas a classificou como um "mal-entendido" . Admitiu ter revisado a técnica específica de jailbreak (quebra de barreiras de segurança), mas caracterizou as descobertas como extremamente pequenas. A Anthropic afirmou que o método apenas identificou "um pequeno número de vulnerabilidades menores e já conhecidas" e argumentou que outros modelos disponíveis publicamente, incluindo o GPT-5.5 da OpenAI, eram capazes de encontrar falhas semelhantes .
A empresa rebateu com força o precedente, declarando: "Discordamos que a descoberta de um potencial jailbreak pontual deva ser motivo para recolher um modelo comercial implementado para centenas de milhões de pessoas" .
A narrativa do governo, no entanto, era muito diferente. David Sacks, ex-Czar de IA e Criptomoedas da Casa Branca e agora co-presidente do Conselho de Assessores de Ciência e Tecnologia do Presidente, ofereceu um relato público detalhado que transferia a culpa diretamente para os executivos da Anthropic.
Sacks publicou que um "parceiro altamente confiável, tanto da Anthropic quanto do governo dos EUA" — amplamente tido como a Amazon — descobriu um jailbreak capaz de remover as barreiras de segurança do Fable 5 para expor todas as capacidades, mais perigosas, do modelo Mythos subjacente . Segundo Sacks, o governo então apresentou ao CEO da Anthropic, Dario Amodei, uma escolha clara: corrigir a vulnerabilidade ou retirar o modelo do ar .
Sacks afirmou que Amodei recusou ambas as opções. "O Governo pediu a Dario para corrigir o jailbreak ou retirar o modelo do ar. Dario recusou", declarou Sacks, acrescentando que o controle de exportação foi uma medida necessária, aplicada "com relutância" para gerenciar um risco que a empresa se negava a corrigir . Sacks também acusou a Anthropic de agir de má-fé, criticando a empresa por ter, anteriormente, promovido o Mythos como uma potencial super arma cibernética necessitando de regulação, apenas para minimizar as preocupações quando essas mesmas capacidades mostraram risco de vazamento .
Esse choque de relatos — uma empresa alegando ser vítima de uma reação exagerada do governo a um bug menor, contra um alto funcionário alegando uma recusa em corrigir um risco genuíno — define o confronto de política de IA mais significativo até hoje. A Casa Branca manteve que a proibição era uma medida temporária que poderia ser suspensa se a Anthropic corrigisse a falha de segurança .