O trabalho proibido que foi liberado: Já em Barcelona, a McLaren confirmou que usaria a segunda de suas quatro exceções permitidas no "Período Restrito Três" para realizar "trabalhos preventivos" nos dois carros. A equipe substituiu componentes-chave permitidos com o objetivo de "melhorar a robustez da instalação e integração da unidade de potência". A raiz do problema, portanto, não parece ser apenas o motor Mercedes em si, mas a forma como ele está montado no MCL40.
Punições à vista? A sequência de falhas já faz Lando Norris projetar um cenário nada bom para o restante do campeonato. O britânico admitiu que punições no grid por exceder o limite de componentes do motor são agora "prováveis". Para um piloto que defende seu título mundial, perder posições de largada é um golpe e tanto em uma temporada tão equilibrada e imprevisível como a de 2026.
A tensão não se limitou à McLaren. Na Alpine, Pierre Gasly relatou um comportamento estranho no carro, com a suspeita de um problema na suspensão logo na primeira sessão de treinos livres. Sem pestanejar, a equipe optou por uma medida drástica: trocar o chassi inteiro do carro #10 durante a noite de sexta-feira, usando sua segunda exceção de toque de recolher no ano.
A ação foi confirmada pela Alpine como uma mudança preventiva para garantir que Gasly tivesse condições de disputar o resto do fim de semana sem riscos. O toque de recolher na F1 impede que mecânicos e engenheiros trabalhem no carro durante a madrugada, mas cada equipe tem quatro "vidas" na temporada para contornar essa regra sem receber punições esportivas.
A novata equipe americana Cadillac, que faz sua estreia em 2026, também apareceu na documentação da FIA por ter pessoal no circuito durante o período restrito. Assim como McLaren e Alpine, a situação foi registrada como uma exceção permitida, sem aplicação imediata de penalidade. Para uma equipe que ainda está "amaciando" seu carro e operação, esses percalços são parte esperada da curva de aprendizado.
Todo esse cenário é fruto de um contexto maior. A F1 de 2026 passou por uma reinvenção radical: carros completamente novos, unidades de potência híbridas com muito mais potência elétrica e pneus diferentes. Tanto que as equipes pediram um teste extra, o "shakedown" fechado de Barcelona em janeiro, justamente para checar se toda essa tecnologia sequer funcionaria.
Na época, o temor de ver carros quebrando o tempo todo se mostrou exagerado. Mas agora, com a temporada a todo vapor, os problemas de "adaptação" estão cobrando seu preço, especialmente na integração dos motores Mercedes com o chassis da McLaren. Como Norris resumiu, é preciso "entender e corrigir" antes que a situação saia de vez do controle.