Antes mesmo da audiência judicial, a violência já havia irrompido. Na noite de terça-feira, homens encapuzados incendiaram casas que acreditavam abrigar imigrantes, atearam fogo em um ônibus e atacaram policiais com pedras e outros objetos . Os tumultos continuaram por uma segunda noite, na quarta-feira. Quando a violência diminuiu, doze policiais estavam feridos e 16 prisões haviam sido feitas em uma única noite
. Em 13 de junho, o total de prisões subiu para 23, com 17 pessoas indiciadas, incluindo um jovem de 18 anos acusado de participar do tumulto
. A própria família de Ogilvie condenou publicamente a violência racista, destacando a valiosa contribuição dos migrantes para o Reino Unido
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Em meio à crise, o CCDH publicou uma pesquisa que quantificava o papel de Elon Musk na disseminação de conteúdo inflamatório. Um relatório chave, intitulado "The Owner Amplifier" (O Dono como Amplificador), analisou uma amostra de 92 postagens de três contas proeminentes no X: Elon Musk, o ativista de extrema-direita Tommy Robinson e o líder do partido Restore Britain, Rupert Lowe .
A análise revelou que essas três contas geraram impressionantes 115,4 milhões de visualizações totais. As postagens do próprio Elon Musk foram responsáveis por 55% desse número, acumulando mais de 64 milhões de visualizações . Em vez de limitar a propagação de material nocivo, a conta de Musk — a mais seguida da plataforma, com mais de 240 milhões de seguidores — amplificou ativamente narrativas anti-imigrantes, expandindo seu alcance para milhões de usuários
. Musk chegou a compartilhar uma postagem de Tommy Robinson que anunciava locais de protesto, além de outra do Restore Britain que declarava: "Não faça paz com o mal. Destrua-o"
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Além das visualizações brutas, o CCDH identificou uma "explosão de apelos à violência" nas respostas a essas postagens. A análise da organização descobriu 3.930 comentários contendo apelos explícitos à violência, incluindo pedidos por linchamentos e outros crimes contra imigrantes. Desses, 240 foram respostas diretas às postagens de Musk . Esse dado faz parte de um padrão mais amplo já identificado pelo CCDH, que havia constatado anteriormente que o X não tomava nenhuma ação em 97% das postagens com apelos à violência contra migrantes ou muçulmanos que eram denunciadas à plataforma
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Outra pesquisa, da Coalition for a Safer Online Hate (CSOH), constatou que um conjunto mais amplo de conteúdo anti-imigrante no X acumulou 1,51 bilhão de visualizações e 1,53 bilhão de engajamentos totais, incluindo 11,5 milhões de curtidas e 3,17 milhões de republicações .
Conforme as críticas aumentavam, Musk respondeu de forma desafiadora. Ele rechaçou a repercussão como uma reação exagerada, afirmando que seus detratores estavam apenas procurando "qualquer justificativa para a censura" . Em uma atitude que já lhe é característica, suas postagens e as das figuras que ele amplificou permaneceram no ar, mesmo enquanto o órgão regulador de comunicações do Reino Unido, o Ofcom, advertia as plataformas de mídia social sobre suas obrigações legais.
O órgão regulador de mídia britânico, Ofcom, reagiu rapidamente à crise. Em 10 de junho, publicou uma carta aberta lembrando as plataformas de mídia social de suas obrigações legais sob a Lei de Segurança Online de 2023 (Online Safety Act), que exige que elas "avaliem e mitiguem os riscos de atividades ilegais", incluindo conteúdos que "incitem o ódio ou provoquem violência" . A Secretária de Tecnologia, Liz Kendall, também anunciou ter solicitado ao Ofcom que "discutisse urgentemente" com o X e outras plataformas como elas cumpririam a lei
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No entanto, o governo britânico se viu de mãos atadas para impor sanções imediatas. Com a legislação existente, uma ação formal de fiscalização contra o X levaria, segundo projeções, pelo menos dois meses . Em resposta, o governo se moveu para alterar a Lei de Segurança Online, a fim de dar ao Ofcom poderes mais fortes, de caráter emergencial, para ordenar a remoção rápida de conteúdo incendiário "em tempos de crise". A Secretária de Tecnologia, Liz Kendall, afirmou que as novas regras forçariam as plataformas a "agirem mais rápido para remover conteúdo ilegal que circula durante crises", embora as mudanças não devessem entrar em vigor antes de meados de julho
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O capítulo final dessa saga aconteceu com um timing chocante. Em 12 de junho de 2026, a empresa aeroespacial de Elon Musk, a SpaceX, estreou na Nasdaq, a bolsa de valores americana, sob o código SPCX, na maior oferta pública inicial (IPO) da história. O IPO levantou US$ 75 bilhões com a venda de 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada, dando à SpaceX um valor de mercado de aproximadamente US$ 1,77 trilhão . As ações subiram quase 19% no primeiro dia, fechando a cerca de US$ 161, elevando o valor da empresa para cerca de US$ 2,1 trilhões
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Como maior acionista da companhia, com uma participação de cerca de 40%, a fortuna de Musk, no papel, disparou. A revista Forbes estimou sua fortuna total em aproximadamente US$ 1,1 trilhão, tornando-o a primeira pessoa na história a possuir um patrimônio líquido acima de um trilhão de dólares . O marco financeiro astronômico contrastou fortemente com as cenas da Irlanda do Norte e os relatórios do CCDH sobre a retórica violenta que se espalhava em uma plataforma de sua propriedade, uma justaposição que atraiu intenso escrutínio internacional
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