A lacuna entre uma declaração formal de fechamento e a continuidade de trânsitos limitados reflete a realidade confusa de uma rota marítima onde a postura militar e os cálculos de risco comercial colidem. Os armadores estão tomando decisões navio por navio, muitas vezes navegando por janelas estreitas de relativa segurança, sem nenhuma coordenação central .
Em 12 de junho de 2026, a Bloomberg informou que EUA e Irã "se aproximaram de um acordo de paz interino destinado a reabrir o Estreito de Ormuz", embora mensagens conflitantes de ambos os lados tenham gerado incerteza persistente . O acordo seria supostamente assinado em Genebra, à margem da cúpula do G7, com termos que incluem uma extensão do cessar-fogo por 60 dias, a reabertura do estreito, uma estrutura para negociações nucleares e o compromisso dos EUA de suspender as sanções ao petróleo e encerrar o bloqueio naval
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O presidente Trump já havia sinalizado em 23 de maio que um acordo estava "praticamente negociado" e incluía especificamente a reabertura do estreito . Mais tarde, Trump disse que o estreito seria reaberto "imediatamente após a assinatura do memorando de entendimento"
. A agência de notícias estatal iraniana Mehr News divulgou uma minuta de memorando que compromete o Irã a reabrir o estreito em até 30 dias, em troca do alívio das sanções e do fim do bloqueio americano
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Mas o caminho até a assinatura tem sido tudo, menos tranquilo:
Essas repetidas reviravoltas diplomáticas explicam por que analistas sérios permanecem cautelosos, mesmo com a onda de otimismo sobre um acordo iminente ganhando as manchetes.
O CEO da Frontline, Lars Barstad, ofereceu a perspectiva mais concreta do setor em uma entrevista à CNBC em 11 de junho. Ele disse que o tráfego marítimo comercial por Ormuz deve aumentar rapidamente se os EUA e o Irã estabelecerem um acordo de segurança estável — mas alertou que o tráfego não retornará aos níveis pré-guerra de 130 a 140 trânsitos diários tão cedo .
Barstad revelou que cinco petroleiros da Frontline permanecem retidos no Golfo Pérsico . A empresa reportou seu trimestre mais forte em duas décadas, com taxas equivalentes de afretamento por tempo (TCE) no segundo trimestre de US$ 181.700 por dia para VLCCs e US$ 131.300 para Suezmax — impulsionadas diretamente pela interrupção da crise
. Cerca de 10% dos superpetroleiros (VLCCs) do mundo estão atualmente parados no Golfo, aguardando passagem
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A Frontline não está sozinha. Analistas do setor estimam que 55 grandes petroleiros estão vazios perto do Golfo Pérsico, representando 110 milhões de barris de capacidade, todos esperando a reabertura do estreito . Quando esse momento chegar, o aumento da produção será significativo — mas as taxas de frete, que permanecem elevadas muito acima das normas pré-crise, não vão se normalizar da noite para o dia. Especialistas do setor veem pouca chance de os valores de frete retornarem aos níveis anteriores à guerra em breve, mesmo que o progresso diplomático se concretize
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O Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse a repórteres em 9 de junho que o tráfego marítimo no estreito está "aumentando significativamente" e "continuará a subir" . O comentário imediatamente derrubou os preços do petróleo em quase 4% — o cru americano fechou a US$ 88,20 o barril e o Brent caiu 2,97%, para US$ 91,45
. Mas os dados reais de tráfego permanecem muito abaixo do que "aumentando significativamente" poderia sugerir: o estreito ainda vê apenas um filete de navios em comparação com os fluxos pré-guerra
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Analistas do JPMorgan observaram em um relatório de 4 de junho que mais petróleo pode estar fluindo por Ormuz do que é publicamente reconhecido, sugerindo que parte da discrepância pode refletir navios operando com transponders desligados ou usando rotas que evitam rastreamento . A Marinha dos EUA está se comunicando ativamente com operadores comerciais para facilitar as saídas, embora as autoridades enfatizem que não há coordenação central ou sistema de escolta
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O petróleo Brent disparou para acima de US$ 126 o barril no pico da crise , mas caiu acentuadamente com o otimismo em torno do acordo. Os comentários de Wright em 9 de junho aceleraram essa queda. Mas o sinal mais revelador veio dos mercados de previsão.
Na Kalshi, o contrato para normalização do estreito "Antes de 1º de agosto de 2026" viu sua probabilidade implícita saltar 18 pontos percentuais, para 39%, apenas na sessão de 11 de junho, com alto volume de mais de 209.000 contratos negociados . O movimento puxou a linha do tempo de consenso para uma reabertura total de 2027 firmemente para o segundo semestre de 2026
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O mercado está precificando uma probabilidade substancial — mas longe de ser certa — de resolução em curto prazo. O valor de 39% na Kalshi sugere que os traders veem uma chance genuína de reabertura até agosto, mas não uma visão consensual de que seja iminente.
Quando o estreito reabrir, as implicações vão muito além dos preços do petróleo. A Frontline estima que os 55 petroleiros vazios perto do Golfo representam 110 milhões de barris de capacidade de entrega imediata . Um acordo diplomático desencadearia um rápido aumento nos trânsitos — mas analistas do setor alertam que o acordo até agora se mostrou ilusório, e os riscos de outro colapso permanecem altos
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Resumo final: O Estreito de Ormuz ainda está efetivamente fechado após 100 dias de crise, mas os primeiros sinais de degelo são inequívocos. CEOs de petroleiros, autoridades dos EUA e mercados de previsão apontam para uma rápida normalização do tráfego marítimo e preços do petróleo mais baixos se um acordo EUA-Irã for finalizado. O principal risco — e ele é significativo — é que as negociações são voláteis, sujeitas a pressões internas conflitantes de ambos os lados, e podem colapsar novamente tão rapidamente quanto avançaram.