Por trás da linguagem diplomática do memorando, está uma das reestruturações societárias mais amplas da história recente do setor de tecnologia. Em maio de 2026, a Meta executou um plano em várias fases que afetou cerca de 20% de sua força de trabalho .
Toda essa reviravolta gerou uma profunda crise de moral dentro da empresa, mesmo com a Meta continuando a apresentar lucros trimestrais robustos. Os funcionários manifestaram preocupação com diversos fatores :
O atrito não se limitou à base da pirâmide. A chegada de Alexandr Wang, de 28 anos, como Diretor de IA (Chief AI Officer), gerou conflitos relatados com veteranos da Meta como Chris Cox e Andrew Bosworth. A Meta negou oficialmente esses atritos, mas a tensão revelou o choque cultural entre a liderança tradicional das redes sociais e as novas equipes de IA, com um estilo mais agressivo e típico de startups, trazidas para acelerar o progresso .
No centro financeiro dessa turbulência está um plano de gastos de escala sem precedentes. A Meta elevou sua projeção de investimentos (capex) para 2026 duas vezes: primeiro para uma faixa de US$ 115 a US$ 135 bilhões em janeiro e, depois, para US$ 125 a US$ 145 bilhões durante sua teleconferência de resultados do primeiro trimestre, em abril .
Esse valor representa um salto de aproximadamente 73% em relação aos US$ 72,2 bilhões gastos em 2025, quase o dobro de todo o capex da empresa no ano passado. Os gastos são impulsionados por expansões massivas de data centers, aumento nos preços de componentes e compromissos de infraestrutura, incluindo uma parceria multibilionária com a Amazon Web Services .
A reação do mercado foi rápida e negativa. Em 29 de abril de 2026, após a revisão da projeção de gastos, as ações da Meta caíram de 6% a 7% no after-market. Analistas e investidores expressaram uma crescente “preocupação com [a] onda de gastos em IA”, traçando comparações nada lisonjeiras com os bilhões perdidos na guinada da empresa rumo ao metaverso . O apetite financeiro é tão grande que o Financial Times noticiou que a administração da Meta está considerando uma oferta de direitos de subscrição — um aumento de capital — para ajudar a financiar essa expansão da IA
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Essas medidas drásticas são uma resposta direta a uma realidade competitiva extremamente difícil. A reestruturação da Meta foi desenhada explicitamente para diminuir a distância em relação aos líderes da IA de ponta, como OpenAI, Alphabet (Google/DeepMind) e Anthropic .
A posição da Meta enfraqueceu depois que a empresa investiu bilhões em um modelo fundamental de última geração, de codinome Avocado e oficialmente chamado de Muse Spark, apenas para adiar seu lançamento devido a problemas de desempenho. A empresa concluiu que o modelo não dominava de forma satisfatória seus testes internos de raciocínio, codificação e escrita .
Combinado com a controvérsia dos benchmarks do Llama 4, esses contratempos aumentaram a distância para os rivais que implementam sofisticados modelos de código fechado, como a série GPT da OpenAI e o Claude da Anthropic. Para uma empresa que construiu sua marca de IA na liderança do código aberto, o golpe em sua credibilidade foi especialmente danoso . Toda a reorganização — dos US$ 145 bilhões em infraestrutura à reformulação forçada do quadro de pessoal — é uma aposta de que a Meta conseguirá se reerguer em uma corrida na qual ficar ainda mais para trás simplesmente não é uma opção.