A controvérsia atingiu o ápice logo na abertura, no jogo entre México e África do Sul, realizado no icônico Estádio Azteca, na Cidade do México. A temperatura era de amenos 23°C — uma noite fresca de junho, nada que sugerisse risco de desidratação .
A situação beirou o irônico quando o narrador Ian Darke, da Fox Sports, anunciou: "Esta pausa para hidratação é um oferecimento de Powerade". Críticos imediatamente apontaram a hipocrisia de parar uma partida com clima agradável, usando a saúde dos atletas como justificativa .
A insatisfação dentro do mundo do futebol foi imediata e vocal. O técnico da seleção dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, foi um dos líderes das críticas. Ele foi direto: "Não gosto disso. Só aprovo quando as condições são extremas. Quando o clima está bom, é desnecessário" .
Pochettino foi além, alertando que a mudança descaracteriza o esporte: "O futebol que conhecemos vai deixar de existir para se tornar outro esporte" . Apesar das críticas, o treinador argentino foi pragmático e usou as pausas como "tempos técnicos" do basquete, chegando a usar um laptop em um amistoso contra Senegal para revisar lances táticos com seus jogadores, uma cena que viralizou e escancarou o novo fluxo quebrado do jogo
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Outros treinadores também se manifestaram. A lenda do futebol feminino, Carli Lloyd, duas vezes campeã do mundo pela seleção americana, foi contundente ao afirmar que as pausas priorizavam a receita comercial em detrimento da integridade do jogo e da segurança real das jogadoras . Nas redes sociais, foi a voz de milhões de fãs que viram a tradição das partidas sem interrupções ser destruída
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O tratamento dado pelas emissoras às novas pausas se tornou um capítulo à parte e expôs o cerne do problema. A forma como os direitos de transmissão foram explorados revelou uma divisão clara:
A diferença de postura fortaleceu a suspeita central dos críticos: a FIFA não criou a pausa para proteger os jogadores, mas sim para criar um novo e valiosíssimo inventário de anúncios no meio da partida, que emissoras como a Fox monetizam de forma agressiva .
O contexto financeiro joga uma luz ainda mais dura sobre a decisão. A Fox pagou cerca de US$ 1,5 bilhão pelos direitos de transmissão em inglês da Copa de 2026 nos Estados Unidos. Em um torneio desse porte, cada segundo comercial é uma mina de ouro .
Com a criação de intervalos comerciais no meio dos tempos — algo que não existia em Copas anteriores — analistas do mercado publicitário estimam que cada bloco de anúncios pode gerar entre US$ 7 milhões e US$ 9 milhões, um valor que se equipara ao cobrado por um comercial no Super Bowl, o evento mais caro da TV americana .
A crítica é feroz e quase unânime: ao tornar a pausa obrigatória em todos os jogos, independentemente de um calor escaldante em Miami ou uma noite fria em Seattle, a FIFA teria aberto as portas para uma nova era de futebol fatiado e interrompido, cujo verdadeiro motor não é a saúde, mas o dinheiro das transmissões . Como resumiu a imprensa, a “marca registrada” do futebol — a fluidez e a continuidade — pode estar com os dias contados
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