As observações revelam que os destroços da estrela explodida estão se expandindo a uma velocidade tremenda. Estima-se que a onda de choque esteja viajando a cerca de 2 milhões de milhas por hora, o que equivale a aproximadamente 3,2 milhões de quilômetros por hora (ou 890 quilômetros por segundo) . Esta rápida expansão é perfeitamente consistente com o comportamento de um remanescente de supernova jovem.
Com base no tamanho da estrutura e na velocidade de expansão medida, a equipe de pesquisa determinou um limite mínimo para a sua idade. O objeto tem, estima-se, pelo menos cerca de 1.700 anos . Em termos cósmicos, tal idade o torna uma verdadeira criança se comparado à maioria dos outros remanescentes conhecidos.
É crucial notar que o objeto está atualmente classificado como um "possível" remanescente de supernova. A identificação é baseada em sua morfologia de raios-X característica — a forma de barril — e seu espectro de raios-X, que é típico de gás quente aquecido por uma poderosa onda de choque. No entanto, esta é uma identificação preliminar, e os astrônomos afirmaram que mais observações em múltiplos comprimentos de onda são essenciais para uma confirmação definitiva .
Antes de sua aposentadoria em 2022, o Observatório Estratosférico para Astronomia Infravermelha (SOFIA, um avião Boeing 747 modificado com um telescópio a bordo) forneceu uma visão única do centro galáctico em luz infravermelha. Um de seus principais alvos era o Sgr A Leste, um remanescente de supernova bem conhecido, muito maior e mais antigo, que também está localizado próximo ao buraco negro . As observações do SOFIA foram inovadoras, revelando poeira cósmica morna que, de alguma forma, havia sobrevivido dentro das poderosas ondas de choque que se propagam pelo Sgr A Leste
. Esses estudos mostraram que as supernovas podem ser fontes significativas de poeira cósmica, um ingrediente essencial para a formação de planetas
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O novo candidato encontrado pelo Chandra e pelo XMM-Newton é totalmente distinto. Ele é menor, muito mais jovem e parece estar posicionado ainda mais perto do Sgr A* do que o Sgr A Leste. Enquanto o SOFIA rastreou as consequências empoeiradas de uma explosão antiga, o Chandra pode ter encontrado o fantasma em raios-X de uma morte estelar muito mais recente, adicionando um segundo candidato a supernova, ainda mais próximo, ao ambiente extremo ao redor do núcleo da galáxia.
A descoberta deste possível SNR chega em um momento de renovado foco na atividade do Sgr A*. Apenas uma semana antes do anúncio do Chandra, em 4 de junho de 2026, uma equipe internacional separada alcançou um avanço monumental. Após mais de meio século de buscas, eles anunciaram a primeira detecção direta de um vento emanando do próprio Sgr A* .
A equipe, liderada por Mark Gorski da Universidade Northwestern, nos EUA, usou o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), um conjunto de radiotelescópios localizado no Chile, para mapear o gás frio de monóxido de carbono ao redor do buraco negro com um detalhe sem precedentes. Eles descobriram uma cavidade massiva em forma de cone esculpida no gás — uma pegada clara de um vento quente e veloz sendo expelido pelo buraco negro . O estudo foi publicado no The Astrophysical Journal Letters
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Juntas, essas duas descobertas mudam fundamentalmente a nossa percepção do coração da Via Láctea. O Sgr A* não é um gigante adormecido e silencioso. Ele "respira" — gerando ventos poderosos — e o espaço ao seu redor é periodicamente abalado por explosões estelares. Imagens anteriores do Chandra já haviam revelado lóbulos gigantes de raios-X que se estendem por uma dúzia de anos-luz em ambos os lados do Sgr A*, evidências de erupções poderosas ocorridas ao longo dos últimos dez mil anos . O novo candidato a supernova e o vento do buraco negro agora confirmado revelam que esta atividade dinâmica continua em escalas de tempo muito mais curtas, praticamente observáveis em termos humanos, com mortes estelares e fluxos gerados pelo buraco negro esculpindo continuamente o caótico coração da nossa galáxia.