Apesar dos números, Pierrakakis evitou os rótulos mais alarmantes. Ele insistiu que a zona do euro não está em uma crise de estagflação completa, mas sim "operando dentro de um perímetro de crescimento", ainda que diante de inegáveis tendências estagflacionárias . O argumento se apoia na resiliência do mercado de trabalho — com desemprego em mínimas históricas — e na capacidade já demonstrada pelo bloco de absorver choques externos severos desde 2022
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A causa imediata do choque de preços é a interrupção em uma das artérias energéticas mais críticas do planeta. Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo normalmente passam pelo Estreito de Ormuz, mas o tráfego marítimo quase parou desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã . Pierrakakis já havia classificado a reabertura do estreito como de "extrema importância" antes da reunião dos ministros das Finanças do G7 em maio
. No entanto, no começo de junho, o Irã suspendeu as conversas indiretas com os EUA e prometeu fechar completamente o estreito, fazendo os preços do petróleo dispararem novamente e frustrando as esperanças de uma solução diplomática rápida
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"A incerteza prevalece", afirmou Pierrakakis após uma reunião anterior do Eurogrupo, reconhecendo que a crise no Golfo impacta desde os preços da energia até materiais estratégicos .
O Banco Central Europeu agiu no mesmo dia da reunião em Luxemburgo. O BCE elevou suas três principais taxas de juros em 0,25 ponto percentual, aumentando a taxa de depósito de 2,00% para 2,25%. Foi o primeiro aumento de juros do BCE desde 2023, tornando-o o primeiro grande banco central a retomar o aperto monetário em resposta ao novo choque energético . O Conselho do BCE afirmou que a decisão foi "robusta em três cenários diferentes", projetados para garantir que a inflação se estabilize na meta de 2% no médio prazo
. Os mercados financeiros rapidamente precificaram pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto, com alguns analistas projetando um total de três aumentos até a primavera de 2027 no hemisfério norte (outono no Brasil)
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De forma crucial, Pierrakakis usou a reunião para reforçar a necessidade de coordenação entre política fiscal e monetária. "A política fiscal em toda a zona do euro deve complementar o esforço do BCE para conter a inflação", disse ele à Euronews, e "não pode contradizer" o caminho de aperto do banco central . Ele pediu que os países-membros "apliquem as lições do passado: implementem medidas direcionadas, temporárias e sob medida" para apoiar os mais vulneráveis sem gerar mais pressão inflacionária generalizada
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Além da política monetária, Pierrakakis endossou fortemente uma iniciativa da Comissão Europeia para flexibilizar as regras fiscais com o objetivo de acelerar investimentos no setor de energia. Ele classificou a medida como "totalmente justificada", citando conclusões do FMI de que o impacto econômico da crise energética foi 12% menor graças aos investimentos feitos desde 2022 .
Não é só uma medida tática, mas uma correção estratégica. Analistas e autoridades reconhecem, ainda que de forma implícita, uma falha no planejamento energético europeu pós-2022. Ao substituir com sucesso o gás russo por GNL global e importações de gasodutos do Oriente Médio, a Europa trocou um risco geopolítico por outro, transferindo sua dependência para o Estreito de Ormuz sem construir capacidade doméstica renovável e armazenamento estratégico suficientes para se isolar do problema. Pierrakakis enquadrou a solução em termos de soberania: "Energia acessível é a matéria-prima da competitividade europeia. Cada euro investido em independência energética é um investimento em nossa soberania" .
Esse chamado para "jogar no ataque", como Pierrakakis havia defendido no Parlamento Europeu semanas antes, significa enfrentar de frente as vulnerabilidades estruturais do continente . A crise de junho de 2026 deixou claro que gerenciar os sintomas com resiliência não basta sem uma mudança fundamental na política energética estratégica.