O Comando Central dos EUA (CENTCOM) contestou o fechamento horas depois, dizendo que navios comerciais ainda estavam transitando . Mas a reação do mercado foi imediata. Os contratos futuros do Brent saltaram US$ 2,30, ou 2,47%, para US$ 95,40 o barril, e o WTI disparou 4%, sendo negociado acima de US$ 93
. O Estreito de Ormuz responde por cerca de um quinto de todo o transporte global de petróleo e gás
. Um anúncio formal de interdição, como era de se esperar, sempre provocaria uma alta fulminante.
O anúncio sobre Ormuz não aconteceu no vácuo. O CENTCOM já havia lançado novos ataques contra instalações militares iranianas durante a noite, e a Guarda Revolucionária retaliou atingindo o que Teerã afirma serem instalações militares dos EUA na Jordânia . O Bahrein ativou sirenes de alerta, e o Kuwait fechou temporariamente seu espaço aéreo
.
O presidente Trump jogou mais lenha na fogueira, avisando que poderia tomar a Ilha de Kharg — o terminal que escoa cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã — e assumir o controle total dos setores de petróleo e gás do país . A ameaça levou o petróleo às máximas do dia, com alguns índices mostrando o WTI em alta de mais de US$ 3
.
A euforia durou apenas algumas horas. O presidente Trump postou que havia cancelado os ataques militares planejados contra o Irã porque as discussões haviam avançado para os mais altos níveis da liderança iraniana e uma ampla coalizão de potências regionais . Com uma única declaração, o mercado passou de precificar um prêmio de guerra total para precificar um cessar-fogo iminente.
Os futuros do Brent desabaram US$ 2,50, ou 2,7%, fechando a US$ 90,60 o barril por volta das 15h38, horário de Brasília . O contrato de julho do WTI caiu US$ 2,32, ou 2,58%, apagando completamente a alta anterior
. Foi um exemplo clássico de reversão movida a sentimento: o mesmo fluxo algorítmico que havia perseguido a alta pela manhã se inverteu em minutos, com robôs de notícias e traders discricionários correndo para vender. Um analista descreveu a oscilação do petróleo como "extremamente volátil, indo e voltando várias vezes"
.
Apesar do tombo intradiário, os alertas de oferta da Rystad Energy contavam uma história muito mais sombria do que os preços de fechamento sugeriam.
A consultoria estima que, se as hostilidades entre EUA e Irã recomeçarem para valer, o petróleo pode disparar para US$ 150 o barril . Jorge Leon, vice-presidente sênior e chefe de análise geopolítica da Rystad, disse que é "cedo demais para dizer se a escalada atual marca uma retomada total das hostilidades ou um episódio perigoso, mas ainda contido"
.
A consultoria também revelou que a guerra no Oriente Médio já eliminou cerca de 1 bilhão de barris de oferta acumulada de petróleo dos mercados globais em três meses — o equivalente a 2,5 vezes toda a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA . Em seu relatório de maio de 2026, a Rystad observou que a crise de Ormuz "remodelou o balanço global de petróleo bruto", forçando cortes em refinarias na Ásia, Oriente Médio e Europa
. Mesmo que o estreito reabra, a Rystad alerta que a maioria das unidades levaria de 4 a 7 semanas para retomar a produção
, o que significa que o mercado físico continuaria apertado por muito tempo após qualquer avanço diplomático.
O maior risco para quem apostou na retórica de paz é que Teerã deixou claro que nenhum acordo foi fechado. O alto comando militar do Irã disse que o fechamento de Ormuz foi uma resposta direta aos ataques dos EUA e que o estreito permaneceria fechado . A mídia estatal iraniana já havia noticiado em 1º de junho que Teerã havia interrompido as negociações com Washington por meio de intermediários
e, semanas antes, o ministério das Relações Exteriores do país disse que um acordo finalizado "não era iminente"
.
Nesta quinta, autoridades americanas e iranianas ainda tentavam conversas indiretas via mediadores, mas os novos ataques continuavam a esfacelar o frágil cessar-fogo de abril . O roteiro já é conhecido: Trump diz que um acordo está próximo, os mercados precificam uma resolução breve, e Teerã sinaliza o contrário, mantendo de pé a disrupção física da oferta.
A movimentação de preços de quinta-feira foi um exemplo dramático de como o mercado de petróleo consegue virar da água para o vinho em minutos. A oscilação do dia foi inteiramente movida por expectativas flutuantes sobre o risco de oferta futuro, e não por qualquer mudança no fluxo real de petróleo.
O Estreito de Ormuz permanece formalmente fechado. Cerca de 1 bilhão de barris de oferta acumulada já foram perdidos. O pior cenário da Rystad, com petróleo a US$ 150, não está precificado. Até que navios-tanque voltem fisicamente a cruzar o estreito, o choque de oferta que está pressionando os balanços globais de petróleo vai continuar — não importa o que o gráfico intradiário mostre.