Com a decisão, a taxa de facilidade de depósito subiu para 2,25%, a taxa de refinanciamento para 2,40% e a taxa de empréstimo marginal para 2,65% .
O gatilho para essa medida foi um choque inflacionário com nome e sobrenome: a guerra no Irã. A inflação anual na zona do euro acelerou para 3,2% em maio, bem acima da meta de 2% do BCE, puxada pelo disparo nos custos de energia . O conflito já tinha provocado o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial —, levando o barril do tipo Brent a superar os US$ 93
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Esse cenário de inflação de custos coloca o BCE em um dilema típico de estagflação: aumentar os juros para domar os preços, mas arriscando sufocar ainda mais uma economia da zona do euro que já patina .
O movimento já estava amplamente precificado pelo mercado, com uma probabilidade de quase 91% antes do anúncio . Por isso, a reação foi um clássico “compra no boato, vende no fato”: o euro caiu e os rendimentos dos títulos públicos da região recuaram
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A sessão foi sacudida por uma volatilidade extrema nas tensões entre EUA e Irã. Logo cedo, Trump usou sua rede social para fazer uma advertência direta: os EUA atacariam o Irã “COM MUITA FORÇA ESTA NOITE” e assumiriam o “controle total” de seus setores de petróleo e gás, mencionando especificamente o terminal da Ilha Kharg, vital para as exportações iranianas . O tom belicoso fez disparar os preços do petróleo e os prêmios de risco, turbinando as ações do setor de energia
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Horas depois, veio a reviravolta. Em uma nova publicação, Trump anunciou que havia “cancelado os ataques e bombardeios planejados contra o Irã para esta noite”, afirmando que as conversas com a liderança iraniana “atingiram os mais altos níveis e receberam sua aprovação” . Mais tarde, no Salão Oval, ele disse que um acordo estava “pendente da finalização de documentos” e poderia ser assinado já no fim de semana
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O recuo de uma escalada militar massiva e imediata acalmou os mercados, reduzindo o temor de uma guerra regional mais ampla que poderia estrangular as rotas de fornecimento de energia . Porém, Trump indicou que um bloqueio naval seria mantido, mantendo a situação ainda frágil
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A alta do mercado foi puxada pelos setores diretamente ligados aos eventos do dia:
No fim das contas, os investidores olharam para além da retórica inflamada de Washington e se concentraram na ação decisiva do BCE e no sinal de alívio geopolítico no fim do dia .
O BCE manteve sua orientação flexível, recusando-se a se comprometer previamente com uma trajetória futura para as taxas . Apesar disso, analistas já vislumbram os próximos passos. “Um aumento em julho é mais provável do que improvável agora que o BCE reconheceu que o gatilho para o aperto foi atingido”, avaliou o time de pesquisa do banco japonês MUFG
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O mercado está precificando duas altas de 25 pontos-base este ano, com risco de uma terceira, dependendo da evolução do choque inflacionário impulsionado pelo conflito no Irã .
O banco central europeu caminha sobre uma corda bamba. Altas agressivas de juros podem estrangular o crescimento econômico já sob pressão dos custos energéticos elevados — um cenário de estagflação que, como descreveu a consultoria RSM, é “o pior pesadelo de qualquer banqueiro central” . Por ora, o BCE sinalizou que fará o que for preciso para ancorar a inflação na meta de 2%, mas a névoa da guerra no Oriente Médio torna o horizonte econômico extremamente incerto.