Michael Hartnett, estrategista-chefe de investimentos do Bank of America, tem sido a voz mais persistente apontando paralelos com o período de 1998–2000. Seus alertas se concentram em um punhado de medidas quantitativas:
O indicador de risco de bolha está esquentando. O Indicador de Risco de Bolha interno do BofA mostra o mercado caminhando para um estado onde um estouro parece "inevitável" ao longo do tempo, embora o banco reconheça que os principais ativos de IA ainda não se descolaram totalmente dos fundamentos .
O índice preço/valor patrimonial superou o pico da pontocom. O índice preço/valor patrimonial (P/VPA) do S&P 500 atingiu um recorde de 5,3 em agosto de 2025, superando o nível de 5,1 alcançado em março de 2000, bem no topo da bolha pontocom. Outras métricas clássicas de avaliação, incluindo a relação preço/lucro projetado para 12 meses e o índice Shiller (P/L ciclicamente ajustado), estão em ou perto de seus níveis mais altos desde a era pontocom .
Os spreads de crédito estão perigosamente apertados. Em agosto de 2025, os spreads de crédito de empresas de tecnologia dos EUA estavam em apenas 0,56 ponto percentual — um nível que indica otimismo extremo do mercado para os padrões históricos. Hartnett alertou que um aumento acentuado a partir desses níveis comprimidos poderia sinalizar sérios problemas à frente, lembrando que os spreads dispararam para mais de 4 pontos percentuais durante o colapso de 1999–2000 .
Uma das descobertas mais impressionantes do BofA diz respeito à concentração de mercado. O banco adverte que a concentração no mercado americano está se aproximando de níveis vistos apenas durante a bolha das ferrovias da década de 1880 — o episódio de concentração mais extremo da história moderna do mercado . Isso não é apenas uma questão de algumas ações indo bem. O "indicador de regime" do BofA sugere que a era de liderança das mega-capitalizadas pode estar terminando, um padrão que precedeu o crash pontocom em 2000
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No início de 2025, o BofA divulgou um relatório alertando que as ações de crescimento dos EUA haviam entrado em uma bolha de valuation que superava tanto a mania das "Nifty Fifty" dos anos 1960 quanto a era pontocom do final dos anos 1990. O banco alertou que uma correção poderia derrubar o S&P 500 em 40% de seus níveis de pico .
Uma métrica mais contemporânea e talvez mais reveladora é o que o BofA chama de "Lacuna de ROI" (Retorno sobre o Investimento). Em 2025, estima-se que US$ 400 bilhões foram gastos em infraestrutura de IA, mas o software de IA gerou apenas cerca de US$ 100 bilhões em receita incremental — uma proporção de gasto para receita de 4 para 1 que ecoa o excesso de investimento em telecomunicações e fibra óptica que precedeu o estouro da pontocom . O banco também observou que os gastos agressivos de capital (capex) das grandes empresas de tecnologia estão cada vez mais dependentes de dívidas, aumentando os riscos para investidores que ainda aguardam o retorno se materializar
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O ritmo acelerado de grandes ofertas públicas iniciais (IPOs) é outra bandeira vermelha que o BofA explicitamente vinculou ao manual de 1999–2000. Em um relatório "Flow Show" de maio de 2026, o banco calculou que, se SpaceX, OpenAI e Anthropic abrissem capital e se juntassem às atuais "10 Grandes da IA", o grupo resultante concentraria perto de metade de toda a capitalização de mercado do S&P 500. Esse nível de concentração superaria todas as bolhas da história moderna, exceto a das ferrovias do século XIX .
Hartnett associou explicitamente o aumento na especulação em torno de IPOs de IA de grande escala à crescente "extremos históricos" no risco de concentração, alertando que a combinação de ofertas públicas em disparada e valuations já esticados está levando os mercados dos EUA a um território perigoso . O SCMP relatou de forma semelhante que a diferença entre ações ricamente avaliadas e as mais baratas havia atingido extremos vistos apenas antes do estouro da pontocom, enquanto o ritmo de novas listagens igualava as corridas que precederam os picos de mercado de 2000 e 2008
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Seria enganoso apresentar a visão do BofA como monolítica. Os próprios analistas do banco discordam fortemente sobre o que os sinais atuais significam.
Savita Subramanian, chefe de estratégia quantitativa e de ações dos EUA do BofA, tem argumentado consistentemente que o ambiente de hoje não é o ano 2000. Ela descreve a situação como uma "bolsa de ar" em vez de uma bolha completa, apontando para os fortes fluxos de caixa nas principais empresas de tecnologia, alta utilização do poder de computação de IA (ao contrário do excesso de "fibra escura" da era pontocom) e uma especulação menos extrema em ações não lucrativas .
Uma equipe separada liderada pelo analista Vivek Arya publicou uma nota em outubro de 2025 reconhecendo as "manchetes catastróficas sobre IA", mas listando quatro diferenças estruturais da era pontocom: alta utilização da computação em vez de capacidade ociosa, capex financiado por fluxos de caixa operacionais em vez de dívida, um Federal Reserve mais propenso a cortar do que a aumentar os juros, e crescimento real dos lucros sustentando as avaliações .
Os estrategistas de ações europeias do BofA, liderados por Sebastian Raedler, traçaram um paralelo histórico completamente diferente — não com a bolha pontocom, mas com ciclos passados de expansão e contração impulsionados por gastos de capital . Enquanto isso, um relatório de dezembro de 2025 da equipe de Global Equity Volatility Insights do banco argumentou que os segmentos centrais de ações dos EUA ligados à IA permanecem "muito aquém das condições tipicamente associadas a um pico de bolha iminente", mesmo com a pressão especulativa se intensificando no mercado mais amplo
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O quadro que emerge da pesquisa do BofA não é uma chamada de consenso clara. É um debate ao vivo dentro de uma das maiores instituições de Wall Street. De um lado, Hartnett e a equipe macro global veem spreads de crédito comprimidos, índices preço/valor patrimonial recordes, uma lacuna enorme entre infraestrutura e receita, e um aumento de mega-IPOs que coletivamente se assemelham às condições que precederam o crash pontocom. Do outro, vários analistas de ações e tecnologia argumentam que a geração de caixa subjacente e a utilização da computação dos líderes de IA de hoje tornam este ciclo fundamentalmente mais durável do que o final dos anos 1990.
A questão para os investidores é qual conjunto de sinais se prova preditivo. Historicamente, a combinação de dispersão de avaliação extrema, spreads de crédito extremamente apertados e uma corrida de grandes IPOs tem sido um precursor confiável de turbulência no mercado — mas os ciclos passados também mostraram que tais condições podem persistir por mais tempo do que os céticos esperam antes de finalmente quebrarem.