Os investidores não estão apenas pedindo; eles estão apresentando um diagnóstico claro do porquê as vozes que pedem o desmonte do ETS estão mirando no alvo errado.
1. O ETS é a rocha-mãe da certeza para o investimento
Imagine planejar a construção de uma siderúrgica a hidrogênio verde, um projeto que custa bilhões e leva uma década para ficar pronto. Sem um sinal de preço de carbono estável e crível, esse investimento simplesmente não sai do papel. O ETS é o que dá previsibilidade para aplicações de capital de longo prazo. Enfraquecê-lo seria dinamitar o caso de negócios das tecnologias que a Europa precisa para se manter relevante na economia do futuro .
2. A culpa não é do carbono: o diagnóstico está factualmente errado
Os holofotes sobre o ETS como vilão da competitividade não se sustentam nos dados. As evidências mostram que a principal pressão de custo sobre a indústria europeia não vem do preço do carbono, mas sim dos preços elevados e voláteis da energia fóssil. A Europa tem um custo estrutural de eletricidade e gás muito superior ao de regiões concorrentes, uma ferida que antecede e foi agravada pela crise energética . Colocar a culpa na política climática, alertam os investidores, "não é apenas factualmente incorreto, mas também contraproducente"
.
3. A confiança do mercado já está sob ataque
As palavras têm poder. Nos primeiros meses de 2026, bastaram sinais políticos de um possível retrocesso no ETS para que o preço das permissões de emissão (EUAs) desabasse de €90 em janeiro para uma mínima de €67 em março. Esse tipo de volatilidade, gerada não por fundamentos de oferta e demanda, mas por ruído político, destrói o sinal de preço estável que os investidores mais precisam .
Falamos de números grandiosos, mas eles representam o quê, na prática? O que está em risco é a própria capacidade da Europa de financiar sua modernização industrial.
Os investidores e uma vasta coalizão de mais de 100 empresas e associações industriais são enfáticos em mostrar que a perda de fôlego competitivo da Europa nada tem a ver com o preço do carbono. Os verdadeiros culpados são estruturais :
A declaração dos investidores sintetiza isso de forma cristalina: "Em vez de se concentrar nas causas estruturais da erosão econômica — preços mais altos de energia atrelados ao gás fóssil, infraestrutura insuficiente e licenciamento lento — alguns estão mirando erroneamente no ETS" .
A cúpula do Conselho Europeu de junho e a revisão legislativa de julho são momentos decisivos. A pressão dos investidores, endossada por mais de cem empresas, desde gigantes como Volvo Cars, EDF e Holcim até fundos e grupos industriais, é para que a Europa não repita os erros do passado .
A mensagem final é um alerta: desmontar o mercado de carbono não vai curar a competitividade europeia; vai apenas espantar o capital privado de que a Europa precisa para construir as indústrias do amanhã. Em um mundo onde a disputa tecnológica é acirrada, sabotar o próprio instrumento de previsibilidade regulatória seria, como disseram os investidores, um "diagnóstico seriamente equivocado do problema" .
O recado dos €11,4 trilhões está dado. Resta saber se os líderes europeus vão ouvi-lo.