A partir de 24 de maio, um sistema persistente de alta pressão, descrito como uma "cúpula de calor", canalizou uma massa de ar quente do norte da África para a Europa Ocidental, elevando as temperaturas impressionantes 10 a 15°C acima do normal para a época do ano . O resultado foi uma onda de calor recorde que superou as máximas históricas de maio e de toda a primavera meteorológica em vários países.
O calor extremo da primavera teve consequências imediatas e fatais, principalmente por afogamento, à medida que as pessoas buscavam alívio em águas frias. Autoridades francesas confirmaram pelo menos sete mortes direta ou indiretamente ligadas ao calor, incluindo cinco afogamentos e duas mortes potencialmente relacionadas ao calor em eventos esportivos amadores . No Reino Unido, um menino de 13 anos morreu afogado em um reservatório em Halifax, no norte da Inglaterra
. Relatos de outros afogamentos foram generalizados, com a Royal Life Saving Society do Reino Unido emitindo alertas urgentes de segurança aquática depois que nove pessoas morreram em águas abertas durante o período de calor
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O calor recorde de maio ocorreu em um cenário de condições em rápida mudança no Oceano Pacífico. O Copernicus observou que as temperaturas da superfície do mar permaneceram em "níveis excepcionalmente altos" em uma ampla faixa do Pacífico tropical . Os modelos climáticos concordam fortemente que um evento de El Niño é iminente, com o Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade (IRI) atribuindo uma probabilidade de 98% de sua formação até o período de maio-julho de 2026
. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) corroborou isso, observando uma "rápida tendência de aquecimento" e uma "trajetória quase unânime em direção ao El Niño"
.
As previsões sugerem que o evento pode ser severo. Mais de 50% dos modelos no conjunto multimodelo do C3S preveem uma amplitude superior a 2,5°C no índice Niño 3.4 até o início de novembro de 2026 . Um El Niño tão forte amplificaria ainda mais as temperaturas globais e espera-se que aumente o risco de ondas de calor terrestres e marinhas, secas, incêndios florestais e eventos de chuva extrema em todo o planeta
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Enquanto a Europa Ocidental assava, outras regiões foram inundadas por enchentes mortais, exemplificando os extremos simultâneos de um mundo em aquecimento.
Em resposta ao calor recorde da primavera, o monitor Copernicus da UE emitiu um alerta explícito de que esses extremos representam um "novo normal" . Carlo Buontempo, diretor do C3S, e outros cientistas enfatizaram que as mudanças climáticas estão tornando essas ondas de calor intensas e precoces muito mais frequentes e intensas
. A ONU descreveu a onda de calor europeia como um "lembrete brutal" da realidade das mudanças climáticas, instando os governos a acelerarem tanto os cortes de emissões quanto a adaptação a um mundo onde os recordes históricos são regularmente quebrados
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O motor subjacente, reiteraram os cientistas, continua sendo a combustão contínua de combustíveis fósseis. Esse aquecimento implacável fez de 2024 o ano mais quente do planeta já registrado, 2025 o terceiro mais quente e está colocando 2026 no caminho para ser um dos anos mais quentes já registrados, com o motor adicional de um poderoso El Niño pronto para intensificar as temperaturas globais nos próximos meses .