A imagem de um acordo prestes a ser fechado é desmentida por evidências de divergências profundas e um histórico de prazos que nunca se cumprem. Em uma reunião na Sala de Situação em 30 de maio, o próprio Trump pediu alterações no texto que seus enviados haviam negociado, um claro sinal de que o pacto estava longe de ser concluído . Esse comportamento não é novidade: uma análise da CNN aponta que, desde o cessar-fogo de 8 de abril, Trump já afirmou inúmeras vezes que um acordo era iminente, mas nada se concretizou
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Segundo o The New York Times, negociadores americanos e iranianos concentraram as conversas em quatro componentes nucleares que suspenderiam o programa iraniano por cerca de 15 anos . No entanto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou publicamente que "nenhum progresso tangível" foi feito, contradizendo diretamente as avaliações otimistas de Trump
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Vários pontos centrais permanecem na mesa sem um caminho claro para uma solução:
A fragilidade de toda a estrutura diplomática ficou exposta entre os dias 7 e 8 de junho, quando o cessar-fogo de 8 de abril entre Israel e Irã foi pelos ares. Um ataque israelense em Beirute disparou uma sequência alarmante: o Irã lançou barragens de mísseis contra Israel pela primeira vez em dois meses, e Israel retaliou atingindo um complexo petroquímico iraniano .
A escalada foi intensa, mas breve — durou menos de 24 horas. Ambos os lados recuaram rapidamente depois que o presidente Trump apelou diretamente pela desescalada . Uma fonte militar israelense indicou que os ataques aéreos contra o Irã foram suspensos após um pedido de Trump
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A trégua, no entanto, é perigosamente condicional. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou em cadeia de televisão que Israel iria "segurar o fogo no Irã por agora", mas alertou que responderá "com força" se for atacado novamente . Pelo lado iraniano, o anúncio foi semelhante: encerraram as operações militares, mas advertiram que as retomariam caso Israel continue "ações agressivas", especialmente no Líbano
. Após dois meses de conversas, autoridades não conseguiram converter o cessar-fogo inicial em um acordo permanente
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Além de EUA e Irã, outros atores acrescentam camadas de complexidade ao caminho rumo a um entendimento.
O Israel de Netanyahu: A posição de Israel é linha-dura e condicional. Netanyahu concordou em pausar os ataques apenas sob clara pressão americana, e essa contenção é explicitamente temporária. A retomada de bombardeios israelenses tanto em Beirute quanto em território iraniano durante a escalada de 7 e 8 de junho mostra sua disposição de agir de forma unilateral .
A liderança do Irã: O Irã segue enquadrando suas ações militares como respostas aos ataques israelenses e ao bloqueio naval americano . Embora mantenha o canal diplomático via Paquistão, Teerã não concordou com a amplitude de concessões que Trump alega publicamente ter obtido
. O chanceler iraniano também classificou o grupo E3 (Reino Unido, França e Alemanha) como "irrelevante" para o processo atual, sinalizando o foco em um acordo bilateral com Washington
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Uma Europa posta de lado: Reino Unido, França e Alemanha pressionam ativamente por um assento formal na mesa de negociações, da qual foram amplamente excluídos . A Alta Representante da União Europeia, Kaja Kallas, alertou que qualquer acordo negociado sem especialistas nucleares à mesa corre o risco de ser mais frágil do que o histórico Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) de 2015
. O fato de o Irã chamar os europeus de "irrelevantes" mostra o quanto a influência do bloco se desgastou desde o colapso do acordo nuclear original
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O saldo final é um perigoso abismo entre percepção e realidade. Trump promete publicamente uma "vitória total" em duas semanas e um acordo em dias. Por trás das cortinas, as peças ainda não se encaixaram: as divergências sobre sanções, bloqueio naval e dimensões militares do conflito seguem firmes. A frente Israel-Irã está em pausa armada e condicional, não em paz, e a Europa assiste tudo do banco de reservas. O cronograma declarado por Trump enfrenta a realidade incontornável de um conflito multifacetado e longe de qualquer resolução duradoura.