Três meses após o fechamento do Estreito de Ormuz, o petróleo Brent se mantém perto dos US$ 95, desafiando previsões iniciais de US$ 130 a US$ 200, graças a exportações recordes dos EUA e uma demanda global em retração. No painel de energia do SPIEF 2026, o CEO da Rosneft, Igor Sechin, alertou que mesmo com a reaber...

Create a landscape editorial hero image for this Studio Global article: Oil prices have stayed around $95/barrel three months after the Strait of Hormuz was shut down following U.S.-Israeli strikes on Iran, defyi. Article summary: Brent crude has been holding around **$95/barrel** — WTI near $92 — as of early June 2026, roughly three months after the Strait of Hormuz was effectively shut down on February 28 following U.S.-Israeli strikes on Iran [. Topic tags: general, government, general web, user generated. Reference image context from search candidates: Reference image 1: visual subject "Global oil prices are predicted to remain in the "low $100s" for much of this year even if the Strait of Hormuz reopens as early as next month, investment bank JP Morgan has sugges" source context "Oil price predicted to remain above $100 for rest of year - BBC" Reference image 2: visual subject "# Oi
O petróleo Brent tem se mantido ao redor de US$ 95 por barril — com o WTI próximo dos US$ 92 — neste início de junho de 2026, cerca de três meses após o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, em 28 de fevereiro, na sequência dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã . Esse preço está bem abaixo dos US$ 132 projetados pelo Federal Reserve (Fed) de Dallas para um fechamento sustentado, e da faixa de US$ 130 a US$ 200 que se temia nas primeiras semanas da crise
. Embora o consumidor ainda sinta o peso no bolso na hora de abastecer, a economia global, até agora, evitou a super disparada catastrófica que parecia iminente em março.
Esse equilíbrio tenso se apoia em um conjunto frágil de amortecedores, que deram um tempo precioso, mas estão se esgotando rapidamente. Os EUA e seus aliados puxaram todas as alavancas de oferta disponíveis, enquanto a desaceleração da economia global fez o trabalho sujo de destruir a demanda. O resultado é um teto de US$ 95 que ninguém acredita ser estruturalmente sólido.
1. Exportações recordes dos EUA inundaram o mercado.
As exportações de petróleo bruto americano atingiram uma máxima histórica de 5,6 milhões de barris por dia (bpd) em maio de 2026, quebrando o recorde anterior de 5,2 milhões de bpd, estabelecido apenas um mês antes, em abril . A alta foi impressionante em velocidade e escala. As exportações totais de petróleo bruto e derivados dos EUA atingiram brevemente quase 12,9 milhões de bpd, e a média móvel de quatro semanas apenas para o petróleo bruto ficou em 5,57 milhões de bpd no final de maio
. Em seu pico, um único dado semanal mostrou exportações de 6,44 milhões de bpd, levando o país à beira do status de exportador líquido pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial
.
A Ásia foi a principal compradora, absorvendo um volume sem precedentes de 2,45 milhões de bpd em maio — com a Coreia do Sul sozinha importando um recorde de 1,1 milhão de bpd . As refinarias europeias também aumentaram suas compras de forma agressiva, com a Holanda recebendo 686.000 bpd. Esse fluxo torrencial de exportações está se aproximando dos limites físicos da infraestrutura da Costa do Golfo; operadores e analistas estimam que os EUA podem exportar no máximo cerca de 6 milhões de bpd, dada a capacidade atual de oleodutos e terminais
.
2. A demanda global está desabando sob o peso dos preços altos.
A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que a demanda global de petróleo terá uma contração de 420.000 barris por dia na comparação anual em 2026, uma consequência direta da disparada nos preços, da desaceleração do crescimento econômico e de cancelamentos generalizados de voos . A China, que antes fazia passar cerca de um terço de seu petróleo bruto por Ormuz, não cedeu sob a perda de oferta — sua desaceleração econômica, em vez disso, reduziu seu apetite por importações exatamente no momento em que a oferta está mais escassa
.
Essa destruição da demanda é uma válvula de escape brutal, mas eficaz. Uma contração de 420.000 bpd, no entanto, não consegue fechar uma lacuna de oferta medida em milhões de barris.
3. O estreito não está completamente selado.
O Irã permitiu um fio de trânsito controlado pela hidrovia, enquanto os produtores regionais ativaram desvios emergenciais por oleodutos. O Oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, com capacidade de exportação de cerca de 5 milhões de bpd para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, tem sido uma válvula de escape essencial . Combinados, analistas da Rystad Energy estimam que 5 a 6 milhões de barris por dia podem fluir pelos sistemas de oleodutos da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos que terminam fora do Golfo
.
Os EUA também flexibilizaram temporariamente certas sanções sobre embarques marítimos iranianos e russos para manter acessíveis os estoques flutuantes — embora essas isenções devam expirar no final de junho de 2026 .
4. As reservas estratégicas estão sendo drenadas em ritmo recorde.
Uma liberação coordenada de 400 milhões de barris, anunciada pela IEA em 11 de março, forneceu aproximadamente 30 dias de margem de manobra nos picos das taxas de interrupção . Os EUA mantiveram liberações unilaterais, e os estoques comerciais estão sendo reduzidos agressivamente em todo o mundo. O efeito combinado das liberações de reservas estratégicas, da redução de estoques comerciais e do redirecionamento emergencial por oleodutos criou uma margem de cerca de 130 dias — mas essa folga é finita e se corrói a cada semana que a crise persiste
.
No painel de energia do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), em 6 de junho de 2026, o CEO da Rosneft, Igor Sechin, apresentou um relatório principal intitulado "O Começo do Fim ou o Fim do Começo?" . Sua mensagem foi dura.
Sechin enfatizou que, dezessete semanas após o fechamento, nenhum país do mundo pode repor os cerca de 16 milhões de barris por dia que saíram da circulação global através de Ormuz . Ele traçou dois cenários:
Sechin também alertou que as tensões prolongadas em Ormuz estão minando a demanda de longo prazo por petróleo, ao destruir a confiança na confiabilidade da oferta — uma dinâmica que poderia acelerar o interesse por fontes de energia alternativas . Ele classificou o fechamento como uma tentativa de remodelar a regulação do mercado global de energia em favor dos interesses dos EUA, e garantiu, separadamente, que a Rússia manterá o fornecimento estável de petróleo para a China e a Índia, independentemente das condições mais amplas do mercado
.
O ex-diretor executivo da IEA, Nobuo Tanaka, também participou do painel ao lado de Sechin e do ministro de Energia do Uzbequistão . Embora o painel tenha discutido os riscos do preço do petróleo extensivamente, os relatos disponíveis da sessão não contêm uma citação específica de Tanaka sobre um cenário de disparada para US$ 170 por barril. Esse valor de risco de preço, como discutido abaixo, emerge de modelos de analistas mais amplos, e não de uma atribuição direta ao painel.
O déficit de oferta impressionante de 3,9 milhões de bpd, segundo a IEA.
O Relatório do Mercado de Petróleo de maio de 2026 da IEA marca uma revisão dramática. Ele agora projeta que a oferta global de petróleo cairá 3,9 milhões de barris por dia, em média, ao longo de 2026 — assumindo que os fluxos por Ormuz sejam retomados apenas gradualmente a partir de junho . Isso é mais que o dobro da previsão anterior da agência, de um declínio de 1,5 milhão de bpd
.
Com cerca de 10,5 milhões de bpd da produção do Golfo atualmente fora de operação e as perdas de oferta acumuladas dos produtores do Golfo já ultrapassando 1 bilhão de barris, a IEA agora projeta um déficit de oferta global de 1,78 milhão de bpd para o ano . Isso inverte o mercado de um superávit anteriormente esperado de 410.000 bpd
.
Os estoques estão sob estresse extremo e insustentável.
A IEA alertou que as liberações de reservas estratégicas e a redução de estoques comerciais são apenas "soluções parciais e temporárias" . Os inventários do mundo desenvolvido estão sendo esgotados em um ritmo recorde, e não há um mecanismo claro para reabastecê-los enquanto Ormuz permanecer bloqueado
.
O risco de cauda de US$ 170 por barril.
Se o estreito permanecer fechado além das suposições atuais dos cenários-base — ou se qualquer um dos fatores de amortecimento (capacidade de exportação dos EUA, disponibilidade de reservas estratégicas, fragilidade da demanda chinesa) se corroer — o risco de uma disparada abrupta dos preços permanece alto. O Fed de Dallas havia modelado US$ 132 para um fechamento de três trimestres; um bloqueio mais profundo ou mais longo leva as projeções para valores muito mais altos . Uma análise de cenário adverso separada, publicada no final de maio, projetou que o Brent atingiria aproximadamente US$ 140 em seu pico e se sustentaria acima de US$ 120 por um período prolongado
.
A vulnerabilidade central é esta: o mercado dependeu de amortecedores temporários que estão se esgotando mais rápido do que a lacuna de oferta subjacente está se fechando. As exportações recordes dos EUA estão se chocando contra os limites da infraestrutura física. As reservas estratégicas são finitas. A destruição da demanda chinesa é um ajuste único, não uma válvula de alívio recorrente. Se algum desses pilares falhar, US$ 95 se torna um piso, não um teto. Como bem definiu Sechin, mesmo no cenário mais otimista, a normalização total é uma história para 2027 .
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Três meses após o fechamento do Estreito de Ormuz, o petróleo Brent se mantém perto dos US$ 95, desafiando previsões iniciais de US$ 130 a US$ 200, graças a exportações recordes dos EUA e uma demanda global em retração.
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