Antes da divulgação, a expectativa do mercado — incluindo análises como a do banco japonês MUFG — já apontava que o EUR/USD estava vulnerável a qualquer sinal de força no mercado de trabalho americano. O número de maio encaixou-se perfeitamente nesse cenário: o crescimento do emprego superou as estimativas, a taxa de desemprego ficou estável e o ímpeto vendedor no euro ganhou tração .
A correlação é direta: dólar forte, euro fraco. Comentários de mercado indicaram que a resiliência dos dados trabalhistas e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano pressionaram o EUR/USD rumo a 1,1600 .
Um dos principais fundamentos no câmbio é o diferencial de taxa de juros entre as economias.
Muito se especula sobre a reunião do BCE e a possibilidade de alta de 0,25 ponto percentual na taxa de juros — de 2,00% para 2,25%. Entretanto, as fontes consultadas não confirmam explicitamente essa expectativa, e o movimento deve ser tratado com cautela.
O problema para a moeda única europeia é o seguinte: enquanto o mercado de trabalho americano continuar surpreendendo para cima, como fez em maio com 172 mil vagas , o dólar tende a permanecer fortalecido. Se novos dados reforçarem a leitura de que o Fed adiará cortes de juros, o EUR/USD seguirá frágil, especialmente se o diferencial de juros continuar inclinado a favor do dólar.
A grande incógnita fica por conta do BCE. Um tom mais duro (hawkish) vindo de Frankfurt poderia dar algum alívio momentâneo ao euro, mas a recuperação sustentável do par passa obrigatoriamente pela estabilização acima da casa de 1,1600 e por uma inflexão no humor do mercado em relação ao dólar .