Apesar do anúncio de 29 de maio, a realidade na água é mais complexa. Em 1º de junho, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que já havia redirecionado 121 navios e "inutilizado" outros cinco desde o início da operação, como forma de garantir o cumprimento das ordens . O próprio CENTCOM afirmou que o bloqueio "permanece em pleno vigor", com suas forças fiscalizando rigorosamente embarcações que tentem acessar portos iranianos .
A contradição é apenas aparente: com o fim do bloqueio formal, os militares americanos mantêm a autoridade e a postura para interceptar navios que considerem uma ameaça ou que não cooperem com as novas diretrizes de segurança.
Diante do colapso do tráfego, Washington lançou em 4 de maio a "Operação Projeto Liberdade" (Operation Project Freedom), com a missão de reabrir a passagem . No entanto, o plano original de escoltar abertamente navios mercantes foi rapidamente abandonado .
Em seu lugar, o CENTCOM passou a coordenar discretamente a travessia com os operadores que aceitam participar. Nas três semanas anteriores a 1º de junho, cerca de 70 navios foram guiados para dentro e para fora do Golfo Pérsico por um canal exclusivo, mantido longe do litoral iraniano, segundo fontes ouvidas pelo The New York Times .
Para evitar serem detectados pelo Irã, a maioria dessas embarcações desligou seu Sistema de Identificação Automática (AIS) — o transponder que transmite a posição do navio. Sem esse farol eletrônico, elas dependem totalmente das instruções de navegação fornecidas pelo comando militar americano .
O CENTCOM insiste que não está oferecendo escolta armada . Em vez disso, a Quinta Frota, baseada no Bahrein, atua como uma espécie de instrutora, orientando as tripulações sobre como navegar com segurança na área . Duas empresas de navegação confirmaram que mantiveram contato direto com os militares para receber esse tipo de assessoria .
Circula a informação de que helicópteros americanos estariam guiando navios a partir de Omã. No entanto, essa alegação não encontra respaldo nas fontes disponíveis até o momento.
O CENTCOM divulgou imagens de helicópteros MH-60S Sea Hawk realizando operações de abordagem, com fuzileiros navais descendo de rapel, e aeronaves Apache e MH-60 afundaram seis lanchas rápidas iranianas no início de maio durante confrontos no estreito . Mas não há qualquer relato confirmado de um programa de orientação aérea baseado em território omanense. Até que novas evidências surjam, a informação deve ser tratada como não confirmada.
A escala da operação americana para redirecionar embarcações é revelada pela contabilidade do CENTCOM. Em 27 de maio, o total era de 109 navios . Em 1º de junho, o número saltou para 121, com cinco embarcações tendo seus motores inutilizados para impedir a violação do bloqueio . Os militares chegaram a divulgar um vídeo em que um marinheiro americano ordena que um navio dê meia-volta: "Obrigado pela sua cooperação", ele diz ao operador da embarcação .
A passagem de navios pelo estreito melhorou desde o fundo do poço da guerra, mas os números gerais ainda são muito fracos.
A consultoria Energy Aspects, usando inteligência geoespacial, relatou que menos de 50 petroleiros não iranianos com carga completaram a travessia durante todo o mês de maio. "Embora algumas travessias isoladas tenham gerado manchetes sugerindo uma recuperação, o quadro geral conta uma história diferente", afirmou a consultoria em uma análise de 2 de junho, descrevendo a crise como "a maior interrupção no fornecimento de petróleo e GNL da história" .
O Irã se comprometeu a restaurar o fluxo para cerca de 100 navios por dia no prazo de um mês, o que praticamente normalizaria a situação . No entanto, para que o mercado considere o estreito comercialmente reaberto, a S&P Global Energy listou cinco condições. A primeira delas é uma recuperação consistente do tráfego, que deve se manter entre 50% e 90% dos níveis pré-guerra por um período de uma a quatro semanas . Isso ainda não aconteceu.
Analistas da Kpler projetam uma retomada em fases entre maio e setembro, variando conforme o tipo de embarcação. Por enquanto, o cenário ainda é de "restrição e controle", com o Irã mantendo significativa capacidade de influenciar o trânsito local .
Apesar do anúncio de 29 de maio, a realidade na água é mais complexa. Em 1º de junho, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que já havia redirecionado 121 navios e "inutilizado" outros cinco desde o início da operação, como forma de garantir o cumprimento das ordens . O próprio CENTCOM afirmou que o bloqueio "permanece em pleno vigor", com suas forças fiscalizando rigorosamente embarcações que tentem acessar portos iranianos .
A contradição é apenas aparente: com o fim do bloqueio formal, os militares americanos mantêm a autoridade e a postura para interceptar navios que considerem uma ameaça ou que não cooperem com as novas diretrizes de segurança.
Diante do colapso do tráfego, Washington lançou em 4 de maio a "Operação Projeto Liberdade" (Operation Project Freedom), com a missão de reabrir a passagem . No entanto, o plano original de escoltar abertamente navios mercantes foi rapidamente abandonado .
Em seu lugar, o CENTCOM passou a coordenar discretamente a travessia com os operadores que aceitam participar. Nas três semanas anteriores a 1º de junho, cerca de 70 navios foram guiados para dentro e para fora do Golfo Pérsico por um canal exclusivo, mantido longe do litoral iraniano, segundo fontes ouvidas pelo The New York Times .
Para evitar serem detectados pelo Irã, a maioria dessas embarcações desligou seu Sistema de Identificação Automática (AIS) — o transponder que transmite a posição do navio. Sem esse farol eletrônico, elas dependem totalmente das instruções de navegação fornecidas pelo comando militar americano .
O CENTCOM insiste que não está oferecendo escolta armada . Em vez disso, a Quinta Frota, baseada no Bahrein, atua como uma espécie de instrutora, orientando as tripulações sobre como navegar com segurança na área . Duas empresas de navegação confirmaram que mantiveram contato direto com os militares para receber esse tipo de assessoria .
Circula a informação de que helicópteros americanos estariam guiando navios a partir de Omã. No entanto, essa alegação não encontra respaldo nas fontes disponíveis até o momento.
O CENTCOM divulgou imagens de helicópteros MH-60S Sea Hawk realizando operações de abordagem, com fuzileiros navais descendo de rapel, e aeronaves Apache e MH-60 afundaram seis lanchas rápidas iranianas no início de maio durante confrontos no estreito . Mas não há qualquer relato confirmado de um programa de orientação aérea baseado em território omanense. Até que novas evidências surjam, a informação deve ser tratada como não confirmada.
A escala da operação americana para redirecionar embarcações é revelada pela contabilidade do CENTCOM. Em 27 de maio, o total era de 109 navios . Em 1º de junho, o número saltou para 121, com cinco embarcações tendo seus motores inutilizados para impedir a violação do bloqueio . Os militares chegaram a divulgar um vídeo em que um marinheiro americano ordena que um navio dê meia-volta: "Obrigado pela sua cooperação", ele diz ao operador da embarcação .
A passagem de navios pelo estreito melhorou desde o fundo do poço da guerra, mas os números gerais ainda são muito fracos.
A consultoria Energy Aspects, usando inteligência geoespacial, relatou que menos de 50 petroleiros não iranianos com carga completaram a travessia durante todo o mês de maio. "Embora algumas travessias isoladas tenham gerado manchetes sugerindo uma recuperação, o quadro geral conta uma história diferente", afirmou a consultoria em uma análise de 2 de junho, descrevendo a crise como "a maior interrupção no fornecimento de petróleo e GNL da história" .
O Irã se comprometeu a restaurar o fluxo para cerca de 100 navios por dia no prazo de um mês, o que praticamente normalizaria a situação . No entanto, para que o mercado considere o estreito comercialmente reaberto, a S&P Global Energy listou cinco condições. A primeira delas é uma recuperação consistente do tráfego, que deve se manter entre 50% e 90% dos níveis pré-guerra por um período de uma a quatro semanas . Isso ainda não aconteceu.
Analistas da Kpler projetam uma retomada em fases entre maio e setembro, variando conforme o tipo de embarcação. Por enquanto, o cenário ainda é de "restrição e controle", com o Irã mantendo significativa capacidade de influenciar o trânsito local .