Astrônomos detectaram um fluxo de gás no quasar J2318 viajando a 30% da velocidade da luz (90.000 km/s), o vento ultravioleta mais rápido já medido vindo de um buraco negro supermassivo. A velocidade extrema cria um paradoxo: como o gás acelera tanto sem perder os íons que o tornam visível nas observações?

Create a landscape editorial hero image for this Studio Global article: What was the record-breaking ultraviolet wind discovered near the supermassive black hole in quasar J2318, what speed did it reach, how does. Article summary: Here is the full breakdown of the record-breaking ultraviolet wind discovered near the supermassive black hole in quasar **J2318 (SDSS J231854.31+243954.2)**.. Topic tags: general, government, academic, education, general web. Reference image context from search candidates: Reference image 1: visual subject "An artist's impression of a quasar. The black dot in the center represents the supermassive black hole at the center of the quasar. The red-and-yellow spiral surrounding it shows t" source context "Fastest and most furious ultraviolet wind near a black hole found by York University researchers - News@York" Reference image 2: visual subject "“In terms of its
No coração de uma galáxia distante, uma tempestade cósmica de ferocidade inimaginável desafia nossas teorias. Astrônomos identificaram o vento ultravioleta mais rápido já medido soprando das proximidades de um buraco negro supermassivo. Não se trata de uma brisa suave: é uma torrente de gás que viaja pelo espaço a uma velocidade que extrapola qualquer comparação terrena, oferecendo um laboratório único para entender como os buracos negros esculpem o universo.
Uma equipe de pesquisadores mediu um fluxo extraordinário emanando do quasar SDSS J231854.31+243954.2, conhecido simplesmente como J2318. Alimentado por um buraco negro supermassivo com 1,7 bilhão de vezes a massa do nosso Sol, este quasar está arremessando gás para fora a velocidades de até 30% da velocidade da luz . Em unidades mais familiares no Brasil, isso equivale a cerca de 90.000 quilômetros por segundo ou impressionantes 324 milhões de quilômetros por hora — uma velocidade capaz de dar a volta na Terra mais de oito mil vezes em uma única hora
.
Esta medição o torna o vento mais rápido já registrado em comprimentos de onda ultravioleta perto de um buraco negro supermassivo . O fluxo não foi identificado como uma corrente constante, mas sim como um fluxo de saída variável que se intensifica, observado por meio das assinaturas de absorção de íons de carbono e silício no espectro do quasar
.
Imagine o pior tufão ou ciclone que já atingiu o planeta. Agora esqueça, porque não ajuda. Para traduzir a violência do fenômeno ao grande público, a equipe de pesquisa forçou os limites de uma metáfora terrena: eles descreveram o vento como o equivalente a um furacão de categoria 77 .
Funciona assim: na escala Saffir-Simpson, usada para classificar furacões na Terra, cada categoria representa um aumento de cerca de 20% na velocidade do vento em relação à anterior. Um furacão catastrófico de categoria 5, como o Furacão Katrina que devastou Nova Orleans, tem ventos acima de 252 km/h. O vento deste quasar não é apenas algumas categorias mais forte — é mais de um milhão de vezes mais rápido do que qualquer furacão já registrado no nosso planeta .
"Em termos de velocidade, o vento deste quasar poderia ser chamado de furacão categoria 79. Cada categoria de furacão é cerca de 20% mais rápida que a anterior. Chamá-lo de categoria 79 dá uma ideia de quão rápido é, mas, claro, este vento é diferente de qualquer coisa na Terra." — Autor principal Lucas Seaton
(Nota: diferentes comunicados institucionais citaram o vento como "Categoria 77" ou "Categoria 79". A diferença é trivial e surge da aproximação usada no cálculo, mas ambas ilustram com clareza a mesma escala extrema.)
A descoberta é um testemunho do poder dos grandes mapeamentos astronômicos combinados com observações de acompanhamento direcionadas, uma estratégia que tem revolucionado a astrofísica moderna.
A descoberta foi liderada por uma colaboração da Universidade de York, no Canadá. O alerta inicial foi dado em novembro de 2023 pela então estudante de pós-graduação Marianna Veltri. A análise foi posteriormente encabeçada pelo estudante de pós-graduação Lucas Seaton, que atuou como autor principal do artigo, sob a orientação do investigador principal, Professor Patrick Hall . A equipe incluiu pesquisadores de diversas instituições, como a Prof.ª Paola Rodríguez Hidalgo (Universidade de Washington Bothell) e os professores W. Niel Brandt e Donald Schneider, da Penn State
. Os resultados foram publicados em 4 de junho de 2026, no periódico The Astrophysical Journal
.
A descoberta vai muito além de um mero recorde de velocidade; ela tem implicações profundas para a nossa compreensão sobre a formação das galáxias. O processo, conhecido como "feedback de quasar", é um ingrediente crítico nas simulações cosmológicas modernas .
A imensa energia carregada por esses fluxos de saída pode aquecer o gás ao redor e, literalmente, ejetá-lo para fora da galáxia. Como este gás é a matéria-prima para a criação de novas estrelas, tal vento pode efetivamente interromper a formação estelar em escala galáctica. Um processo que, se não existisse, tornaria as galáxias muito maiores e massivas do que observamos hoje. Durante décadas, as simulações de computador se apoiaram nesse mecanismo de feedback para explicar a evolução do universo, mas faltavam restrições observacionais precisas. Observações de fluxos extremos como o do J2318 fornecem os dados essenciais para calibrar esses modelos digitais do cosmos .
Apesar de todo o seu poder explicativo, o vento do J2318 apresenta um quebra-cabeça físico significativo que os modelos atuais lutam para resolver. Ventos de quasar são impulsionados por pressão de radiação — a luz do disco energético em torno do buraco negro literalmente empurra o gás para fora .
O paradoxo reside justamente no processo de ionização. A mesma radiação ultravioleta intensa que acelera o gás a velocidades absurdas também arranca violentamente os elétrons dos átomos, ionizando-os e tornando-os invisíveis justamente na parte do espectro usada para detectá-los. A pergunta crucial é: como esse vento atinge 30% da velocidade da luz preservando íons de carbono e silício suficientes para serem vistos nas linhas de absorção ultravioleta? Esse equilíbrio delicado entre aceleração violenta e ionização destrutiva ainda não foi totalmente explicado .
"Como empurrar o gás para as velocidades que vemos enquanto mantemos intactos os íons de carbono e silício que observamos… é um grande quebra-cabeça." — Lucas Seaton
Essa tensão garante que o J2318 permanecerá no centro das atenções dos astrofísicos que buscam desvendar a complexa relação entre os objetos mais brilhantes do universo e os monstros escuros, modeladores de galáxias, que residem em seus corações.
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Astrônomos detectaram um fluxo de gás no quasar J2318 viajando a 30% da velocidade da luz (90.000 km/s), o vento ultravioleta mais rápido já medido vindo de um buraco negro supermassivo.
Astrônomos detectaram um fluxo de gás no quasar J2318 viajando a 30% da velocidade da luz (90.000 km/s), o vento ultravioleta mais rápido já medido vindo de um buraco negro supermassivo. A velocidade extrema cria um paradoxo: como o gás acelera tanto sem perder os íons que o tornam visível nas observações?
A descoberta reforça a teoria do 'feedback de quasar', processo pelo qual esses ventos podem interromper a formação de estrelas em uma galáxia inteira.