Em 4 de junho de 2026, um esboço bipartidário na Câmara dos EUA — o Grande Ato Americano de IA — propôs uma proibição de três anos para novas leis estaduais que regulem o desenvolvimento de modelos de IA, permitindo,... O projeto dos deputados Jay Obernolte (Republicano da Califórnia) e Lori Trahan (Democrata de Mas...

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A batalha pelo controle da regulamentação da inteligência artificial nos Estados Unidos chegou a um momento decisivo. Uma proposta bipartidária, divulgada em 4 de junho de 2026, busca retirar temporariamente dos estados o poder de criar novas regras sobre como os modelos avançados de IA são desenvolvidos, transferindo essa autoridade exclusivamente para o governo federal. A proposta, um esboço de 269 páginas para discussão, representa um complexo meio-termo entre a criação de uma estratégia nacional unificada e a preservação do papel tradicional dos estados como protetores de seus cidadãos.
Batizado de Grande Ato Americano de Inteligência Artificial, a legislação foi apresentada pelos deputados Jay Obernolte (Republicano da Califórnia) e Lori Trahan (Democrata de Massachusetts) . O cerne do projeto é um período de preempção de três anos, durante o qual nenhum estado poderia criar ou aplicar uma lei que regule especificamente o “desenvolvimento” de um modelo de inteligência artificial
. Isso marca uma mudança significativa, ainda que temporária, no cenário regulatório dos EUA, onde estados como Califórnia e Colorado já aprovaram suas próprias leis abrangentes sobre IA.
Embora a cláusula de preempção tenha dominado as manchetes, o projeto é desenhado para construir uma nova arquitetura federal de governança de IA. Seus objetivos principais são :
Os parlamentares descrevem a preempção como uma pausa estratégica, um escudo necessário contra a fragmentação jurídica que dá ao Congresso tempo para elaborar uma estrutura nacional durável e abrangente sem o alvo móvel de novas leis estaduais .
A preempção é cirúrgica, e não absoluta. O projeto de lei explicitamente preserva áreas onde a autoridade estadual permanece intacta :
Apesar dessas exceções, a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), uma das principais organizações de defesa dos direitos civis do país, argumenta que o efeito prático ainda é severo. Em um comunicado, o grupo alertou que o esboço “proibiria amplamente os estados de regular os desenvolvedores de IA” e poderia bloquear os estados de aplicar “desde regulações de privacidade até requisitos antidiscriminação e leis de segurança de IA” que tocam o processo de desenvolvimento .
A resposta expôs uma clara linha de fratura na política tecnológica americana.
Empresas de tecnologia elogiaram o projeto. A indústria de IA realizou uma campanha de lobby de um ano para desmantelar o que chama de colcha de retalhos inviável de leis estaduais que sufocam a inovação . Patrick Hedger, diretor de políticas do grupo comercial NetChoice, argumentou que um “ambiente regulatório de toque leve” é essencial para a competitividade global dos EUA e que a estrutura da Casa Branca, que o projeto ecoa, prova que os formuladores de políticas entendem “o que está em jogo”
.
Grupos de consumidores e direitos civis estão em forte oposição. A ACLU apontou que o Congresso rejeitou tentativas de preempção semelhantes por uma votação de 99 a 1 no Senado no ano anterior . Há relatos de que dezessete governadores republicanos também expressaram preocupações sobre a interferência federal nessa questão
. Defensores da segurança da IA argumentam que os legisladores estaduais estão mais próximos dos danos emergentes e que qualquer padrão federal deveria ser um piso de proteção, não um teto que deixe os cidadãos sem recurso
. A organização Consumer Reports anteriormente criticou uma proposta anterior de moratória de 10 anos por “proibir a aplicação de leis já aprovadas por muitos estados”
.
O projeto de lei na Câmara não é uma manobra legislativa isolada. Ele representa a extensão congressual de uma campanha sustentada e multifacetada da Casa Branca para centralizar a supervisão da IA e bloquear salvaguardas em nível estadual. Os principais momentos dessa linha do tempo incluem:
O efeito cumulativo é um esforço coordenado para remodelar a governança de IA de cima para baixo. Para os apoiadores, é uma recalibragem necessária para manter a América competitiva. Para os críticos, é um perigoso experimento desregulatório que pode deixar o público desprotegido justamente quando os sistemas de IA se tornam profundamente enraizados em áreas de alto risco, como contratação, saúde e aplicação da lei.
O Grande Ato Americano de IA está atualmente em forma de minuta para discussão, o que significa que seu texto está aberto para contribuições do público e das partes interessadas antes de qualquer introdução formal para votação. Com a janela legislativa de 2026 se estreitando, o projeto já acendeu o debate que seus autores buscavam, forçando Washington a decidir se o futuro da regulação de IA será escrito em um código federal ou em cinquenta capitólios estaduais.
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