Os ativos totais dos clientes alcançaram US$ 58,9 bilhões, uma alta de 28,4% na base anual, e o volume total de negociações disparou para um recorde trimestral de US$ 323,9 bilhões, um avanço de 49% frente ao primeiro trimestre de 2025 .
“No primeiro trimestre, adicionamos 28.900 novas contas financiadas, sendo a grande maioria oriunda dos mercados de Singapura e Hong Kong”, destacou Wu Tianhua, CEO da UP Fintech, no relatório de resultados. Com isso, o número total de contas financiadas chegou a 1.282.800 . A entrada líquida de novos ativos também permaneceu robusta, somando US$ 2,9 bilhões no período
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E o que mais chama a atenção: por baixo desses números de primeira linha, a operação em si continuou muito lucrativa. A receita operacional foi de US$ 47,6 milhões, uma alta de 17,5% em relação ao ano anterior, mantendo uma margem operacional saudável de 34,8% . Isso mostra que o motor de lucro da corretora segue intacto — o problema veio de fatores extraordinários registrados mais abaixo no balanço.
Apesar da pujança operacional, a última linha do balanço sofreu uma reviravolta dramática. A UP Fintech reportou um prejuízo líquido contábil (GAAP) de US$ 26,9 milhões, um contraste brutal com o lucro líquido de US$ 30,4 milhões registrado no mesmo período de 2025 . Em bases ajustadas (não-GAAP), que excluem certos itens pontuais, o prejuízo foi de US$ 23,8 milhões, ante um lucro ajustado de US$ 36,0 milhões um ano antes
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A vilã dessa história já era, em parte, esperada. Uma firma de análise já havia reduzido em 45% sua projeção de lucro por ação para 2026, justamente para incorporar uma penalidade regulatória proposta de RMB 411 milhões (aproximadamente US$ 56,5 milhões), que se esperava ser contabilizada neste trimestre .
Essa cobrança, ligada ao aperto regulatório sobre o segmento da empresa na China continental, simplesmente consumiu todo o lucro operacional e empurrou o resultado para o vermelho. A revisão das expectativas para os cortes de juros pelo Federal Reserve (o banco central americano) também reduziu as receitas de investimentos e as projeções de lucratividade futura para o período .
Para piorar a fotografia, a base de comparação era altíssima. Apenas três meses antes, no quarto trimestre de 2025, a empresa vivia um dos seus melhores momentos, com receita de US$ 175,6 milhões e lucro líquido de US$ 45,2 milhões, números próximos de recordes históricos .
A queda de 11,8% na receita na comparação sequencial já entrava nas contas, mas a guinada de um lucro de US$ 45,2 milhões para um prejuízo de US$ 26,9 milhões não estava no radar da maioria das projeções . Os ativos dos clientes também tiveram uma ligeira redução, passando de um pico de cerca de US$ 60,8 bilhões no final de 2025 para os atuais US$ 58,9 bilhões
. Essa queda sequencial provavelmente reflete o impacto da volatilidade do mercado sobre o valor das carteiras dos clientes.
Os números reportados jogaram por terra as previsões anteriores dos analistas. Antes que a dimensão total da multa regulatória fosse conhecida, as estimativas de consenso apontavam para um lucro por ação (LPA) de US$ 0,23 sobre uma receita esperada de US$ 152,12 milhões .
A receita real de US$ 154,9 milhões até superou levemente essa meta, mas o lucro ficou muito, muito longe do esperado. Um LPA de US$ 0,23 implicaria um lucro líquido na casa dos US$ 45 a 50 milhões, praticamente idêntico ao desempenho do trimestre anterior. Em vez disso, a penalidade bilionária não apenas absorveu todo o lucro, como jogou a empresa no prejuízo .
Para a UP Fintech, o relatório do primeiro trimestre cristaliza um momento complexo. Por um lado, a plataforma Tiger Brokers está inegavelmente ganhando tração, com métricas de usuários e ativos se movendo na direção certa. Um volume recorde de US$ 323,9 bilhões em negociações e um crescimento de quase 30% nos ativos de clientes sinalizam uma confiança e um engajamento de mercado fortes e crescentes .
Por outro lado, a volatilidade na última linha do balanço, introduzida por um único evento regulatório, deve fazer com que os investidores recalculem o risco de exposição às políticas da China continental, uma região que agora parece contribuir menos para a lucratividade devido à supervisão mais rigorosa .
Enquanto a declaração do CEO enfatizou a estratégia de “ampliar nossa base de usuários e aumentar os ativos dos clientes”, a tarefa imediata da gestão será convencer o mercado de que suas operações principais de corretagem podem gerar um crescimento de lucro consistente — apesar das multas.