Os Arc7 são construídos sob medida para navegar a Rota do Mar do Norte durante todo o ano, quebrando gelo de até 2,1 metros de espessura sem a escolta de um quebra-gelo. Eles estão registrados em nome de proprietários na Grécia (Dynagas), Canadá (Teekay) e Bermudas (Seapeak Maritime) . Cada embarcação tem um preço de construção novo de aproximadamente US$ 300 a US$ 350 milhões. Embora os valores dos contratos para ciclos de manutenção individuais não sejam divulgados, o trabalho especializado de docagem a seco — que inclui reparos no casco, revisões no sistema de propulsão e serviços nos tanques criogênicos — costuma custar dezenas de milhões de dólares por visita. A Urgewald estima que o valor combinado dos Arc7 que o Fayard pode reparar antes da proibição chegue à casa das centenas de milhões de dólares
. Somente em 2025, o Fayard prestou serviços a cinco navios-tanque vindos da Península de Yamal
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O cenário regulatório está mudando rapidamente, mas a data mais importante — o momento em que os operadores da UE devem parar de reparar os navios-tanque russos de GNL — ainda não foi definida. O 20º pacote de sanções da UE, adotado em abril e maio de 2026, introduz uma nova proibição de fornecer serviços de manutenção, assistência técnica, seguros e corretagem para quebra-gelos e navios-tanque de GNL que operem na Rússia ou para uso no país .
Uma proibição separada de serviços financeiros e seguros para navios-tanque de GNL de propriedade ou bandeira russa entra em vigor em 25 de abril de 2026, com a mesma restrição para todos os outros navios que transportam GNL operando para a Rússia a partir de 1º de janeiro de 2027 .
Crucialmente, o Conselho da UE deixou espaço para decidir quando a proibição de manutenção, especificamente, entrará em vigor. O texto legal afirma que o Conselho determinará a data "levando em consideração um período de adaptação apropriado, após coordenação com o G7 e a Coalizão de Teto de Preços" . Vários relatórios apontam que isso deve ocorrer em 2027, mas nenhuma data vinculante foi definida
. Enquanto essa data não for fixada pelo Conselho, o trabalho do Fayard permanece permitido pela lei da UE.
A realidade jurídica central é que a manutenção em doca seca de navios-tanque de GNL nunca foi explicitamente proibida pelas sanções da UE. As restrições têm como alvo progressivo o petróleo, carvão, bens de dupla utilização e a "frota sombra" russa, mas a frota especializada Arc7 — crítica para o transporte de gás, não de petróleo — caiu em uma área cinzenta . O próprio Fayard afirma que cumpre as regulamentações da UE e enfatiza a importância de garantir a segurança das embarcações
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O Fayard se tornou o único provedor da UE no início de 2025, quando o estaleiro Damen Shiprepair Brest, na França, suspendeu voluntariamente todos os reparos em navios-tanque de GNL ligados à Rússia. Um porta-voz da Damen confirmou que o trabalho anterior era "permitido pela legislação de sanções europeias", mas que a empresa optou por interrompê-lo "em linha com a política externa holandesa, que desencoraja empresas holandesas a apoiar as exportações russas de GNL" . Essa decisão deixou o estaleiro de Odense como a única instalação ocidental ainda capaz de realizar a docagem a seco dos navios Arc7 — uma posição que o estaleiro dinamarquês explorou ao intensificar sua carga de trabalho
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A primeira-ministra da Dinamarca se opôs publicamente aos reparos, mas o governo dinamarquês não tem autoridade legal para interrompê-los unilateralmente. Como o trabalho não viola as sanções existentes da UE, Copenhague não pode obrigar o Fayard a parar sem uma nova legislação em todo o bloco . Grupos de campanha, incluindo a Urgewald e organizações da sociedade civil ucraniana, pediram uma ação unilateral imediata, argumentando que cada navio-tanque reparado prolonga um fluxo de receita que financia o esforço de guerra da Rússia
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Em termos práticos, existem poucos estaleiros alternativos no mundo. As capacidades especializadas de docagem a seco necessárias para os cascos da classe Arc7 e seus sistemas de contenção de carga estão concentradas em um punhado de instalações no norte da Europa. As embarcações dependem dos estaleiros europeus tanto pela expertise técnica quanto pela proximidade com a principal rota comercial que vai de Yamal, na Sibéria, até os portos do noroeste da Europa . Remova os serviços do Fayard, e a cadeia de exportação de GNL do projeto Yamal, na Rússia, enfrentará uma grave interrupção nos meses de inverno, exatamente quando os preços do gás no hemisfério norte atingem seu pico
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