Entre os sancionados estão as figuras políticas mais proeminentes do grupo: Khaled Mashal, Khalil Al-Hayya, Moussa Abu Marzouk, Husam Badran e Fathi Hamad . A justificativa da UE é de que, como tomadores de decisão, estes membros "têm conhecimento do planejamento, preparação e execução de ações violentas pelo Hamas" e defendem ativamente essa violência .
Separadamente, ainda em 28 de maio, a UE adotou medidas restritivas contra quatro entidades e três indivíduos, utilizando seu Regime Global de Sanções em Matéria de Direitos Humanos, por cometerem "violações sérias e sistemáticas dos direitos humanos contra palestinos" na Cisjordânia . Os alvos incluíram:
As designações duplas seguiram um acordo político entre os ministros das Relações Exteriores da UE, firmado em 11 de maio de 2026, encerrando um impasse que era amplamente atribuído ao veto do governo anterior da Hungria . Uma mudança de governo em Budapeste removeu o veto, abrindo caminho para a unanimidade necessária .
Os fatores determinantes incluíram a violência recorde de colonos — onze palestinos foram mortos por colonos na Cisjordânia em 2026, contra nove em 2025 — e a crescente pressão pública diante da devastação em Gaza . A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, enquadrou as medidas como uma resposta equilibrada, afirmando que o bloco havia "acabado de dar o sinal verde para sancionar colonos israelenses pela violência contra palestinos", ao mesmo tempo que sancionava "altos terroristas do Hamas" .
No entanto, o timing sincronizado também refletiu uma troca diplomática: ao sancionar os dois lados simultaneamente, a UE buscou evitar acusações de parcialidade e garantir o voto unânime necessário.
As sanções de maio foram o caminho mais brando. Os diplomatas europeus não conseguiram consenso para medidas econômicas mais duras, defendidas por alguns Estados-membros, que incluíam :
Irlanda, Espanha e Bélgica estavam entre os países que defendiam essas medidas, mas nações como Alemanha e Itália se opuseram. Como a suspensão do Acordo de Associação exige unanimidade, as propostas foram arquivadas . As medidas engavetadas teriam um impacto muito maior: um plano anterior da Comissão Europeia estimava que a suspensão parcial do acordo comercial poderia impor tarifas sobre cerca de 37% das exportações de Israel para a UE, com um custo potencial de até um bilhão de euros anuais para as empresas israelenses .
O Hamas emitiu uma nota oficial em 30 de maio condenando a decisão da UE como "injusta e totalmente alinhada com a narrativa de Israel" . O grupo acusou o bloco de "dois pesos e duas medidas" e ser "inteiramente parcial", argumentando que a UE penalizava líderes políticos palestinos enquanto "fazia vista grossa" ao que chamou de "genocídio" israelense em Gaza .
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou duramente a UE por "traçar uma falsa simetria entre cidadãos israelenses e terroristas do Hamas" e disse que o bloco "expôs sua falência moral" . O ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Sa'ar, chamou a comparação de "uma equivalência moral completamente distorcida" .