Falando para uma plateia de ministros da defesa e chefes militares, Hegseth transmitiu uma mensagem inequívoca: se as negociações em andamento não conseguirem produzir um acordo final, os EUA estão prontos para retomar as operações militares contra o Irã imediatamente.
"Nossa capacidade de recomeçar, se necessário... somos mais do que capazes", disse Hegseth. "Nossos arsenais são mais do que adequados para isso, tanto lá quanto ao redor do globo, então estamos em uma posição muito boa."
Hegseth descreveu o presidente Trump como "totalmente focado" em uma solução diplomática, mas enfatizou que a alternativa é uma atribuição direta do Departamento de Defesa. "Eles podem fazer isso agora por meio de um acordo, e achamos que estamos em uma boa posição para fechar esse acordo, ou podem lidar com o Departamento de Guerra, e estamos preparados", afirmou . A postura de força dos EUA na região, acrescentou, está "ainda mais forte hoje do que estávamos no início deste conflito" .
O presidente Trump expôs publicamente seus termos inegociáveis em uma postagem no Truth Social na sexta-feira, 29 de maio, enquanto a reunião na Sala de Crise estava em andamento. As condições centrais são:
Além dos ultimatos públicos de Trump, o rascunho do memorando de entendimento negociado entre os intermediários dos EUA e do Irã inclui uma extensão de 60 dias do cessar-fogo, isenções de sanções permitindo que o Irã venda petróleo e uma estrutura para conversações posteriores para limitar permanentemente o programa nuclear do Irã .
Um funcionário da Casa Branca reforçou a posição de Trump após a reunião na Sala de Crise, dizendo que o presidente "só fará um acordo que seja bom para a América. O Irã nunca poderá possuir uma arma nuclear."
Em 29 de maio, Trump reuniu sua equipe de segurança nacional na Sala de Crise da Casa Branca para o que foi descrito como uma reunião para tomar uma "determinação final" sobre a proposta com o Irã . A sessão durou aproximadamente duas horas .
Quando terminou, nenhuma decisão foi anunciada. Um comunicado da Casa Branca repetiu as linhas vermelhas de Trump, mas não ofereceu um cronograma. O presidente partiu posteriormente para seu campo de golfe na Virgínia, e na tarde seguinte, o governo permaneceu em silêncio sobre o status do acordo . O Irã manteve simultaneamente que o acordo ainda não havia sido finalizado .
A indecisão atraiu escrutínio. O silêncio da Casa Branca, segundo um analista, refletiu uma "indecisão massiva" sobre o objetivo final do conflito .
A incerteza diplomática foi agravada pela violência em solo. Nas horas que antecederam o discurso de Hegseth, um míssil balístico Fateh-110 teve como alvo a Base Aérea Ali Al Salem no Kuwait . As defesas aéreas kuwaitianas interceptaram o míssil, mas os destroços caíram sobre a base .
Cinco militares e contratados americanos sofreram ferimentos leves. Um drone MQ-9 Reaper, avaliado em aproximadamente US$ 30 milhões, foi destruído, e um segundo foi severamente danificado . O Comando Central dos EUA condenou o incidente como uma "violação flagrante do cessar-fogo" e prometeu defender os parceiros aliados .
O ataque foi o mais recente ponto de conflito em uma guerra que repetidamente se estendeu ao Kuwait, uma nação que abriga aproximadamente 13.500 forças americanas . A Base Aérea Ali Al Salem, um importante centro de transporte aéreo e porta de entrada para o poder de combate dos EUA em todo o Oriente Médio, foi atingida várias vezes desde que a guerra começou em fevereiro de 2026 .
Até 31 de maio, a extensão provisória do cessar-fogo permanece sem assinatura. Os termos do rascunho — incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz, a remoção de minas em 30 dias e um caminho para as negociações nucleares — parecem acertados no papel .
Mas com Trump ainda sem conceder aprovação, e o Irã insistindo que um acordo não foi confirmado, a opção militar que Hegseth descreveu permanece na mesa. A mensagem do chefe do Pentágono a partir de Singapura foi clara: se a diplomacia falhar, os EUA não estão meramente dispostos a retornar ao combate — já estão posicionados para fazê-lo.