Antes do conflito, em 28 de fevereiro de 2026, cerca de 100 a 140 navios cruzavam o Estreito de Ormuz diariamente, transportando aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo bruto e derivados . Em meados de março, o número de travessias diárias caiu para cerca de dois navios, com o Irã decidindo quais embarcações poderiam passar
. Uma breve janela de cessar-fogo em meados de abril permitiu que pelo menos oito petroleiros de petróleo e gás cruzassem em um único dia
, mas o Irã voltou a fechar o estreito logo em seguida, e navios comerciais foram atacados novamente
. Até 27 de abril, seis petroleiros iranianos foram forçados a recuar por um bloqueio dos EUA, e apenas sete navios haviam cruzado nas últimas 24 horas, nenhum deles transportando petróleo para o mercado global
.
O site de rastreamento ao vivo hormuzmonitor.com relata que as travessias diárias permanecem abaixo de 10 navios durante a crise, uma queda catastrófica em relação aos volumes anteriores à guerra . Em meados de março, centenas de embarcações permaneciam presas dentro do Golfo Pérsico
. Não há um balanço público preciso de quantas conseguiram escapar desde então — algumas navegaram sob permissão iraniana, um punhado se moveu durante a breve reabertura de abril, mas o número total de navios retirados por esses meios ou pela nova operação americana não foi divulgado.
Em março de 2026, o Irã estabeleceu a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (do inglês, Persian Gulf Strait Authority, ou PGSA) para criar um sistema de trânsito baseado em permissões . As embarcações devem submeter uma "Declaração de Informações da Embarcação", com dados detalhados de propriedade, seguro, tripulação e carga, antes de pagar as taxas de passagem
. A PGSA alerta que qualquer informação incompleta ou imprecisa levará à negação do trânsito ou até mesmo a um ataque
.
Em 18 de maio, a PGSA declarou que qualquer passagem sem a permissão iraniana seria considerada "ilegal" . O órgão tem comunicado suas diretrizes por meio de uma conta oficial na rede social X e declarações em vídeo, num sinal claro da intenção de Teerã de institucionalizar seu controle em tempos de guerra
. Um conselheiro do Líder Supremo, Mohammad Mokhber, afirmou em 8 de maio que o estreito tem "valor estratégico comparável a uma arma nuclear" e que o Irã "não perderá o estreito em hipótese alguma"
.
O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou a PGSA em 28 de maio, classificando-a como um esquema de extorsão da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC, na sigla em inglês) que "viola flagrantemente o direito internacional" . A sanção adiciona a PGSA à lista de Nacionais Especialmente Designados e representa a mais recente escalada no impasse econômico sobre quem controla essa hidrovia vital
.
Em 4 de maio, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o "Projeto Liberdade", um esforço para guiar navios não combatentes para fora do estreito. Uma força-tarefa liderada pelos EUA estabeleceu uma "área de segurança reforçada" ao sul das rotas marítimas habituais e começou a coordenar a movimentação das embarcações . No entanto, a IRGC proíbe explicitamente a passagem de navios dos EUA, de Israel e de aliados ocidentais, e o seguro de risco de guerra para o estreito foi cancelado desde 5 de março
.
Wirth reconheceu que a decisão final sobre a travessia é dos armadores, e não dos afretadores como a Chevron: "O armador é quem decide se quer colocar seu navio e sua tripulação em risco para cruzar o estreito" . Mesmo que um acordo entre EUA e Irã seja alcançado, Wirth ressaltou que os armadores e as seguradoras precisam sentir que as condições são seguras para que o fluxo normal de petróleo seja retomado
. Por ora, os EUA podem tentar guiar os navios, mas o Irã mantém, na prática, o poder de veto na água por meio da ameaça de minas, abordagens e ataques militares
.
A crise já se tornou a maior interrupção de oferta de energia da história. A Agência Internacional de Energia (IEA) a chamou de "a maior interrupção de oferta na história do mercado global de petróleo", com perdas cumulativas totalizando 12,8 milhões de barris por dia desde 28 de fevereiro . Mais de 14 milhões de barris diários da produção do Golfo estavam paralisados em meados de maio
.
Duas análises da Brookings Institution detalham o cronograma do colapso. Em um artigo de 13 de maio, a Brookings observou que o fechamento bloqueou 20% do comércio global de petróleo e GNL, causando "a maior disrupção energética que o mundo já viu em décadas" . Um segundo artigo, de 25 de maio, intitulado no original como "A cronologia da crise iminente do petróleo bruto", alerta que as liberações emergenciais de petróleo dos membros da IEA — iniciadas em 11 de março e que se esgotarão até 9 de julho — fornecem uma margem de apenas 2,5 milhões de barris por dia. Em meados de julho de 2026, calcula a Brookings, todos os amortecedores temporários estarão exauridos, e um ajuste de mercado de 7,1 milhões de barris por dia — cerca de 16% do comércio global de petróleo bruto — precisará ser absorvido
.
Uma pesquisa do banco BNP Paribas ecoa, de forma independente, este alerta: o uso de oleodutos regionais alternativos e a liberação de estoques comerciais e estratégicos "são soluções apenas parciais e temporárias". Sem a restauração dos fluxos por Ormuz, adverte o banco, "o mercado de petróleo ficará sem opções em breve" . Atualmente, o mundo está drenando suas reservas a uma taxa de mais de 7 milhões de barris por dia, ou cerca de 210 milhões de barris por mês, para cobrir o rombo na oferta
.
O cenário diplomático segue incerto. As fontes mencionam um "cessar-fogo na guerra do Oriente Médio" que permitiu a breve reabertura em meados de abril , e Wirth observou que os ataques continuam "mesmo em meio a frágeis conversas de cessar-fogo entre EUA e Irã"
. A situação atual de qualquer possível extensão do cessar-fogo ou das negociações nucleares, até o final de maio, não foi totalmente confirmada nos registros públicos disponíveis.
O que está claro é que a hidrovia não é segura. O alerta de Wirth sobre múltiplos ataques nesta semana, muitos deles não noticiados, ressalta que o Estreito de Ormuz permanece uma zona de guerra em plena atividade cinética. Combinado com o esgotamento iminente das reservas globais de petróleo, o mundo se aproxima de um momento em que os custos estratégicos e econômicos do fechamento do estreito serão sentidos em sua plenitude — sem uma solução clara no horizonte.