Esse era o sinal que os operadores estavam esperando. O estreito normalmente transporta cerca de 20% do suprimento global de petróleo e GNL, e seu fechamento de fato foi a maior interrupção de oferta em décadas . A mera possibilidade de que esses barris pudessem voltar a fluir em breve foi suficiente para desencadear uma liquidação em cascata. O Brent despencou 10,5% apenas na última semana de maio, a queda semanal mais acentuada desde a semana encerrada em 6 de abril
. De um patamar de cerca de US$113 por barril no início do mês, o Brent desabou para aproximadamente US$91,87 entre 28 e 29 de maio, acumulando uma queda mensal de quase 19%
. O West Texas Intermediate (WTI) seguiu o mesmo movimento, fechando em torno de US$88,68 por barril em 28 de maio
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Até o momento dos últimos relatórios, o presidente Donald Trump ainda não havia aprovado os termos propostos, e o vice-presidente JD Vance alertou que ainda é incerto quando ou se um acordo final pode ser alcançado . No entanto, os mercados já começaram a precificar uma alta probabilidade de sucesso, impulsionados por um progresso tangível em pequena escala: a marinha do Irã informou que 32 embarcações transitaram pelo estreito após receberem autorização da Marinha da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC Navy) em 25 de maio, e navios adicionais foram autorizados a passar nos dias seguintes
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Para entender por que um mero rumor de paz pode apagar dezenas de dólares de um barril de petróleo, é preciso compreender o escopo impressionante da interrupção em Ormuz. Antes do conflito, o estreito via de 100 a 140 trânsitos de embarcações por dia . No final de maio, o tráfego havia desabado para cerca de 10 navios por dia — um declínio de aproximadamente 95% — com alguns dias registrando a passagem de apenas um único petroleiro
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O congestionamento físico é extraordinário. Estima-se que entre 1.800 e 2.000 embarcações estejam ancoradas do lado de fora do estreito, esperando por uma passagem segura . Não se trata apenas de uma fila de petroleiros; inclui navios porta-contêineres, transportadores de GNL e graneleiros que atendem toda a região do Golfo. Desatar esse nó logístico será um desafio monumental mesmo depois que o estreito for declarado seguro.
A paralisia é agravada por um mercado de seguros que efetivamente tornou o trânsito inviável para muitos operadores comerciais. Os prêmios de risco de guerra para embarcações que navegam pelo estreito dispararam para aproximadamente 20% do valor da embarcação ou da carga . Para um único navio VLCC (Very Large Crude Carrier, ou superpetroleiro) transportando US$100 milhões em petróleo bruto, isso se traduz em uma sobretaxa de US$20 milhões — uma despesa que torna muitas viagens economicamente proibitivas, mesmo quando a permissão para o trânsito é tecnicamente concedida.
As Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) continuam a listar o nível de risco marítimo como CRÍTICO com alertas ativos de minas, e essa classificação precisará ser rebaixada antes que a maioria das seguradoras considere normalizar os prêmios . Esse processo normalmente leva de semanas a meses, não dias.
Se a estrutura do cessar-fogo evoluir para um acordo abrangente e assinado, o consenso entre os analistas é que há um potencial significativo de queda adicional. As projeções apontam para o Brent atingindo a faixa de US$82–US$85 por barril até o terceiro trimestre de 2026, refletindo a remoção total do prêmio de risco de guerra e a esperada retomada gradual dos fluxos de petroleiros .
No entanto, o relatório “Short-Term Energy Outlook” de maio da EIA (a agência de energia do governo americano) injeta uma importante dose de cautela nessa narrativa. A EIA observa que as paralisações de produção relacionadas à guerra e as consequentes grandes reduções nos estoques globais de petróleo — particularmente agudas em maio e junho — limitarão a rapidez com que a pressão de baixa pode se acumular, mesmo após o início do aumento do fluxo pelo estreito . A oferta física não pode se recuperar instantaneamente quando a infraestrutura foi danificada e a produção foi interrompida.
A dinâmica da OPEP+ adiciona outra camada de incerteza. Os Emirados Árabes Unidos anunciaram sua saída da OPEP a partir de 1º de maio de 2026, e a produção da OPEP+ caiu cerca de 1,74 milhão de barris por dia apenas em abril . Embora os cortes de produção do bloco estejam fornecendo algum suporte aos preços, o crescimento da oferta de países de fora da OPEP e as próprias revisões para baixo da OPEP em suas previsões de demanda global — cortadas para 1,17 milhão de barris por dia, de 1,38 milhão — estão exercendo uma pressão contrária
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Mesmo com um acordo assinado, o mercado de petróleo enfrenta três gargalos sequenciais que impedirão um rápido retorno aos volumes de transporte pré-guerra:
1. O gargalo do seguro. Prêmios de risco de guerra oscilando perto de 20% do valor da embarcação são insustentáveis para o trânsito comercial em massa. As seguradoras exigirão um rebaixamento formal da classificação de risco da UKMTO, a verificação da limpeza de minas e um período sustentado sem incidentes hostis antes de reprecificarem o estreito para níveis de risco padrão. Estimativas do setor sugerem que isso pode levar de várias semanas a alguns meses .
2. O congestionamento de navios. Uma fila de 1.800 a 2.000 embarcações não pode ser desfeita da noite para o dia. A infraestrutura portuária em ambos os lados do estreito tem capacidade de movimentação limitada, e conflitos de prioridade — entre petroleiros de petróleo bruto, navios de produtos refinados, transportadores de GNL e porta-contêineres — criarão pesadelos de agendamento. Uma fração desse acúmulo representa navios que não precisarão mais transitar assim que a urgência passar, mas o número absoluto garante congestionamento por semanas ou meses .
3. Risco físico persistente. A classificação CRÍTICA da UKMTO reflete um perigo real e presente: minas permanecem na via navegável, artefatos explosivos não detonados representam uma ameaça aos cascos, e o próprio cessar-fogo permanece frágil. O acordo provisório exige que o Irã limpe as minas em 30 dias após a aprovação final, mas mesmo após a limpeza, o risco residual manterá alguns operadores e seguradoras cautelosos .
A divergência entre o rápido recuo do petróleo bruto e os preços persistentemente altos dos combustíveis ao consumidor conta uma história de transmissão assimétrica. Os preços da gasolina nos EUA permanecem elevados, em cerca de US$4,51 por galão — mais de 50% acima dos níveis de um ano atrás — porque o prêmio de guerra que foi acumulado ao longo de meses demora a sair da cadeia de suprimentos de produtos refinados . As refinarias compraram petróleo caro durante a crise, e esses custos ainda estão sendo processados pelo sistema.
Para os mercados globais, o episódio ressalta uma vulnerabilidade estrutural que vai além deste único conflito. O Estreito de Ormuz continua sendo o ponto de estrangulamento de petróleo mais crítico do mundo, e a crise de 2026 demonstrou que um único choque geopolítico pode vaporizar aproximadamente 20% da oferta global em questão de semanas . A velocidade da queda de preços agora reflete a rapidez com que esse risco pode ser reprecificado quando a paz parece plausível — mas a velocidade da recuperação física será medida em meses, não em pregões.
O colapso do mercado em maio é essencialmente uma aposta de que a diplomacia terá sucesso onde a força não conseguiu. Mas os navios ainda esperando ancorados, as seguradoras ainda exigindo prêmios de guerra e as minas ainda flutuando no estreito são argumentos de que o sinal de “tudo limpo” ainda não foi soado.