Os economistas do BCE, incluindo Olivier Coibion, concluíram que os choques repetidos estão reforçando os temores de estagflação – uma combinação perversa de inflação alta com crescimento econômico fraco .
O impacto nas expectativas de inflação é o canal central de transmissão do choque:
Projeções de inflação (Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor - IHPC):
Se a guerra durar meses e interromper o fornecimento de combustível, hidrogênio e hélio – matérias-primas críticas para a indústria –, as empresas preveem o risco de um novo surto inflacionário semelhante ao que ocorreu após a pandemia de COVID-19 .
O cenário também acendeu alertas sobre o sistema financeiro. De acordo com a Análise de Estabilidade Financeira do BCE de maio de 2026:
A guerra tornou as projeções econômicas significativamente mais incertas, criando riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento . Tudo dependerá da intensidade e duração do conflito. Os preços de energia são o principal canal de contágio: projeções de consenso do mercado preveem impacto material na inflação de curto prazo impulsionado por esse fator
.
Em resumo, o BCE desenha um quadro em que a cicatriz psicológica deixada pela guerra na Ucrânia funciona como um amplificador de novos choques, tornando a economia da zona do euro mais vulnerável e volátil. O risco, agora, é que a "cicatriz dupla" se transforme em uma ferida econômica ainda mais difícil de cicatrizar.