O fígado é ricamente conectado ao cérebro pelo nervo vago, a principal via de comunicação do sistema nervoso parassimpático. Os cientistas propõem que a deformação física causada pelo alinhamento das nanopartículas nos macrófagos é captada por terminações nervosas próximas e enviada como um sinal elétrico. Esse sinal viaja pelo nervo vago até o tronco cerebral, em regiões já conhecidas por processar informações de orientação espacial e navegação .
Para ter certeza da função dessas células, os pesquisadores fizeram um teste crucial. Eles removeram temporariamente os macrófagos ricos em ferro do fígado de pombos-correio e os soltaram longe de casa em um dia nublado, quando o sol não estava visível. O resultado foi claro: as aves simplesmente não conseguiram encontrar o caminho de volta. Já os pombos do grupo de controle, com os macrófagos intactos, navegaram normalmente .
Isso não só provou que as células do fígado são essenciais, como também revelou uma estratégia de navegação com sistema duplo. Os pombos usam principalmente uma bússola solar — eles se orientam pela posição do sol, ajustando-a com seu relógio biológico interno. A bússola magnética do fígado entra em ação como um sistema de backup, crucial para dias nublados ou situações onde a referência visual não está disponível .
Durante anos, a teoria mais aceita era que os pombos sentiam o magnetismo por células ricas em ferro no bico, ligadas ao nervo trigêmeo. Contudo, um estudo de 2012 já havia mostrado que essas células no bico eram, na verdade, macrófagos — células imunológicas, e não neurônios capazes de enviar sinais elétricos . A nova pesquisa de 2026 resgata a ideia de que os macrófagos são os sensores, mas os localiza no fígado, conectados ao nervo vago, e não ao trigêmeo. É uma bela reviravolta científica que redefine como entendemos a magnetorrecepção animal
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