Para cumprir o acordo, a IREN fechou separadamente a compra das GPUs e de equipamentos auxiliares com a Dell Technologies, em um pacote que custou cerca de US$ 5,8 bilhões .
Para arcar com a maior parte desse custo bilionário em hardware sem descapitalizar a empresa, a IREN arquitetou uma solução sob medida. Nos resultados do segundo trimestre do ano fiscal de 2026, divulgados em 5 de fevereiro, a empresa revelou ter garantido US$ 3,6 bilhões em financiamento dedicado à compra de GPUs para o contrato com a Microsoft .
Os detalhes desse financiamento chamam a atenção:
Dessa forma, a IREN limitou drasticamente a necessidade de desembolsar capital próprio de forma imediata, usando contratos de receita futura como garantia para alavancar seu crescimento .
O financiamento das GPUs para a Microsoft é a peça mais vistosa, mas faz parte de um quebra-cabeça financeiro muito maior. Ao longo de aproximadamente oito meses, a IREN estruturou um pacote de financiamento que totaliza US$ 9,3 bilhões, combinando diferentes instrumentos .
Desse total, cerca de US$ 3,5 bilhões foram destinados a novos pedidos de GPUs, expandindo a capacidade para além do escopo inicial com a Microsoft . As principais fontes de capital foram:
Toda essa captação de recursos tem um objetivo claro e ambicioso: a IREN está mirando uma frota de 140.000 GPUs até o final do ano civil de 2026. A administração da empresa afirma que esse volume de processamento está a caminho de gerar US$ 3,4 bilhões em receita recorrente anualizada (ARR, na sigla em inglês) .
Até o terceiro trimestre de 2026, a empresa já havia relatado que US$ 3,1 bilhões de ARR já estavam sob contrato, o que a levou a revisar sua meta para US$ 3,7 bilhões de ARR .
Como se a parceria com a Microsoft não bastasse, em 7 de maio de 2026, a IREN anunciou um novo e espetacular acordo. Desta vez, o cliente era a própria NVIDIA. O contrato de US$ 3,4 bilhões por cinco anos é para serviços gerenciados de nuvem de GPU utilizando os chips Blackwell com refrigeração a ar .
O serviço será prestado a partir de 60 MW de capacidade já existente nos data centers de Childress, com início previsto para o começo de 2027 . Junto com o contrato, foi selada uma parceria estratégica de 5 gigawatts (GW) para implantar infraestrutura de IA alinhada à arquitetura da NVIDIA em toda a plataforma global da IREN .
Como parte desse acordo mais amplo, a NVIDIA recebeu um direito de compra de até 30 milhões de ações da IREN, válido por cinco anos. A um preço de exercício de US$ 70 por ação, esse direito representava um potencial investimento em ações de aproximadamente US$ 2,1 bilhões .
Na prática, essa manobra dá à NVIDIA uma enorme vantagem (o "upside") acionário, enquanto ajuda a IREN a garantir uma capacidade de infraestrutura dedicada para um de seus parceiros mais estratégicos .
A estratégia financeira da IREN não é um ponto fora da curva, mas sim um exemplo extremo de uma tendência mais ampla que domina o financiamento da infraestrutura de IA. A equação é a seguinte:
A metamorfose da IREN, de uma operação de mineração de Bitcoin para um provedor de infraestrutura de IA altamente alavancado, foi concluída . Com base nos contratos revelados, a empresa toma empréstimos e levanta capital contra a receita futura já contratada, adquire chips da NVIDIA em quantidades colossais e obtém sua margem de lucro nos serviços gerenciados de computação . O grande risco, agora, é a execução: se conseguirá ou não cumprir o cronograma de instalação das 140 mil GPUs, enquanto administra suas obrigações financeiras, antes que a receita contratada entre integralmente no caixa .